conheça 5 mulheres negras eleitas em 2026

Nas Eleições 2026, mulheres negras deram continuidade à luta por mais diversidade na política e conquistaram diferentes espaços do Legislativo brasileiro. Tivemos alguns marcos importantes, como a vitória de Ana Elisa (PT-MG), de 21 anos, a deputada federal mais jovem já eleita. E a reeleição de Erika Hilton (PSOL – SP), mulher mais votada da história na Câmara dos Deputados.

A presença delas importa porque a política ainda não reflete a diversidade de quem vive e vota no Brasil. As mulheres são 52,84% do eleitorado brasileiro, segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE). 

Nesse pleito, o número de mulheres eleitas para a Câmara dos Deputados foi de 109, um crescimento de 21% em relação à eleição anterior. Ainda assim, elas ocuparão apenas cerca de 21% das 513 cadeiras da Casa. No Senado Federal, doze mulheres alcançaram cargos entre as 54 vagas em disputa.

Quando olhamos para as mulheres negras, a desigualdade aparece também entre as novas gerações. O Monitor Jovem DX aponta que, entre candidaturas de pessoas de até 29 anos, a participação de mulheres negras caiu de 28,7% em 2022 para 21,3% em 2026. No mesmo período, a participação de homens brancos passou de 26,2% para 30,8%.

Por isso, celebrar as mulheres negras que chegam às cadeiras do Legislativo também é olhar para o caminho que ainda precisa ser percorrido. Nesta lista, te apresentamos cinco mulheres negras eleitas para a Câmara dos Deputados e Senado Federal em 2026.

Ana Elisa (PT-MG) 

Com 21 anos de idade e mais de 500 mil votos, Ana Elisa (PT) foi eleita deputada federal por Minas Gerais. Foi a segunda pessoa mais votada para a Câmara dos Deputados em Minas Gerais, atrás apenas de Nikolas Ferreira (PL). Nascida em Divinópolis (MG), ela é estudante de Direito e influenciadora digital. Em suas redes, fala sobre temas como racismo, feminismo e direitos sociais.

A jovem se elegeu defendendo pautas como o fim da escala 6×1, ampliação do Pé-de-Meia, criação do Fundo Nacional de Apoio ao Passe Livre Estudantil, fortalecimento das Casas da Mulher Brasileira em Minas Gerais, linhas de crédito facilitadas para mulheres chefes de família, cotas no serviço público, fiscalização da mineração com proteção das bacias hídricas e apoio à agricultura familiar.

Erika Hilton (PSOL-SP)

Com o marco de mulher mais votada da história na Câmara dos Deputados, Erika Hilton foi reeleita em 2026. Nascida em Franco da Rocha (SP), teve a vida atravessada por violências estruturais e familiares causadas pelo fundamentalismo. Sua trajetória de ativismo tem início ao acessar a universidade e se engajar no movimento estudantil.

Entre as propostas tratadas em seu mandato estão o fim da escala 6×1 – em que assina a autoria da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) – , a luta contra retrocessos na legislação sobre direitos reprodutivos, políticas para refugiados climáticos e a distribuição de absorventes para mulheres em contexto de calamidade pública. Neste ano, se tornou a primeira mulher trans a ser eleita presidente da Comissão da Mulher.

Olívia Santana (PCdoB-BA)

Ativista na luta antirracista, feminista e pela educação, Olívia Santana foi eleita deputada federal pela Bahia com mais de 100 mil votos. Militante do PCdoB há 37 anos, já foi vereadora, secretária estadual e deputada estadual por dois mandatos. Em 2018, se tornou a primeira mulher negra eleita para a Assembleia Legislativa da Bahia.

Ao longo de sua trajetória tem trabalhado em temas como a defesa da educação pública, a valorização dos educadores, o fortalecimento do Sistema Único de Saúde (SUS), a ampliação de iniciativas culturais, o direito à moradia e ao trabalho decente.

Rosa Amorim (PT-PE)

Militante do Movimento dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais Sem Terra (MST), Rosa Amorim foi eleita deputada federal por Pernambuco. Será a primeira mulher do movimento a ocupar uma cadeira na Câmara dos Deputados. Cresceu em Caruaru (PE), no Assentamento Normandia, fazendo parte da primeira geração de assentados que nasceram em terras conquistadas pela reforma agrária.

Sua trajetória tem sido marcada pela defesa do combate à fome, da população negra, da comunidade LGBTQIAPN+, da agricultura familiar, da cultura popular e dos direitos das mulheres.

Marília Campos (PT-MG)

A psicóloga Marília Campos foi eleita senadora por Minas Gerais em 2026. Natural de Ouro Branco (MG), iniciou sua atuação política no movimento estudantil e participou da fundação do PT e da Central Única dos Trabalhadores (CUT) no Triângulo Mineiro. Em seu currículo carrega cargos como vereadora e prefeita de Contagem. Primeira mulher a governar a cidade, acumulou quatro mandatos.

Enquanto senadora, pretende trabalhar no enfrentamento da dívida do estado com a União, obter mais recursos para infraestrutura e saúde em Minas Gerais. Bem como pautar a defesa dos direitos das mulheres, justiça social e fim de privilégios de políticos.



Tribunal Brasília

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