celebração ao Dia do Artista Plástico

Dar sentido e forma a materiais, transformando o bruto em sensível, é uma das habilidades mais ancestrais da humanidade. Quando falamos em artes plásticas, estamos nos referindo a esse universo vasto onde a pintura, a arquitetura, a escultura, a arte têxtil e a gravura se encontram. É o campo onde o artista manipula a matéria para tornar tangível o que, antes, era apenas abstração.

Mais do que a busca por uma estética, as artes plásticas são um meio vital para desenvolver a expressão imaginativa e as ideações. Elas funcionam como um espelho e, muitas vezes, como um martelo: servem para refletir o tempo em que vivemos, mas também para quebrar conceitos e ressignificar contextos políticos e sociais. É a visão de mundo de quem cria, oferecendo novas lentes para quem observa.

A origem da data

A escolha do dia 08 de maio para celebrar o Dia do Artista Plástico no Brasil é uma homenagem ao nascimento de José Ferraz de Almeida Júnior (1850-1899). Ele foi um divisor de águas na nossa história da arte ao levar para as telas o cotidiano do homem comum e do “caipira”, rompendo com a rigidez dos padrões europeus e ajudando a construir uma identidade visual genuinamente brasileira.

Curadoria do Nós: artistas que transformam a matéria em pensamento

Para honrar essa tradição de transformação, preparamos uma seleção de artistas contemporâneas que todos deveriam conhecer. Elas utilizam suas obras como ferramentas de memória, resistência e reflexão sobre seus territórios e o nosso tempo.

Daiara Tukano(1982, São Paulo)

Artista do povo Yepá Mahsã (Tukano), Daiara (Duhigô) não apenas pinta; ela manifesta a espiritualidade e a cosmologia do Alto Rio Negro. Sua obra é uma extensão do pensamento originário, utilizando o direito à memória como base de sua pesquisa. Ao ocupar espaços como o MASP e a Bienal de São Paulo, ela rompe o silêncio histórico e reafirma a presença indígena na arte contemporânea global. Dentre suas conquistas do Prêmio PIPA Online 2021 e o Prince Claus Seed Awards em 2022. Suas obras integram acervos de prestígio como o MASP, a Pinacoteca de SP e o Museu delle Civilità em Roma.

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Selva Mãe do Rio Menino_ Daiara Tukano para o CURA Circuito Urbano de Arte 2020_ Arte mural em empena de 1000m² na avenida Amazonas em Belo Horizonte_ Minas Gerais

Kahtiri E’õrõ_espelho da vida_ Plumária e espelho convexo_ Daiara Tukano 2020_ Exposto na 34ª Benal de São Paulo

Rosana Paulino (1967, São Paulo – SP)

Referência fundamental nas artes visuais, Rosana utiliza elementos do cotidiano – como fios, agulhas e tecidos – para expor as sutilezas da violência racial e de gênero. Sua obra icônica, Parede da Memória, utiliza o arquivo familiar para nos forçar a encarar o passado escravocrata que ainda molda o presente, transformando a arte em um poderoso instrumento de consciência social.Com exposições em instituições como o MoMA (Nova York) e a Bienal de Veneza, sua trajetória é marcada pela corajosa reconexão com a memória negra brasileira.

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Obra de Rosana Paulino_Três vezes o coração-2024_Ponta seca_impressão digital_ acrílico_técnica mista e sutura sobre tecido

Obra de Rosana Paulino Sem título, 2025, _grafite, acrílica e pigmento natural sobre tela

Lua Cavalcante (1996, São Paulo – SP)

Pertencente ao povo Kixelô Kariri, Lua traz o conceito de “poética da deformidade”. Utilizando a fotografia e a performance, ela transforma o próprio corpo em uma ferramenta de subversão. Ao se autodefinir politicamente como “aleijada”, ela ressignifica o termo e desafia as normas de beleza e funcionalidade que as artes plásticas tradicionalmente exaltaram.

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Obra Mandinga de Aleuijadu

Rebeca Carapiá(1988, Salvador – BA)

Soteropolitana da Cidade Baixa, Rebeca trabalha na fronteira entre a escultura, a instalação e a linguagem. Ela utiliza materiais como o cobre para criar “cosmologias” que discutem como o território e o racismo ambiental afetam o corpo. Sua pesquisa investiga como a matéria pode dizer o que a palavra muitas vezes não consegue alcançar, criando novas tecnologias ancestrais.

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Série Palavras de Ferro e Ar

Para o medo que vocês tem de se machucar. 2023. Foto: Márcio Lima

Para o medo que vocês tem de se machucar. 2023. Foto: Márcio Lima

Para-raios para energias confusas

Velas para barcos feitos para afundar

Ieda Oliveira (1869, Santo Antônio de Jesus – BA)

Com uma carreira sólida que transita por Bienais e residências na Europa e Ásia, Ieda Oliveira é mestre em transformar objetos e espaços em lugares de reflexão. Sua formação na Escola de Belas Artes da UFBA sustenta uma produção que, embora internacional, carrega a força da visualidade e da identidade baiana em cada instalação.

Dani Pimentel (2003, Região da Transcametá/Tucuruí – PA)

Representante da comunidade quilombola de Joana Peres, no Pará, Dani utiliza cores vibrantes para combater a invisibilidade. Suas pinturas retratam majoritariamente mulheres negras, funcionando como um manifesto visual que recusa a objetificação e celebra a ancestralidade africana. É a arte servindo como resgate histórico e celebração da identidade.

Elenir Teixeira (1937 Mococa- SP)

Com uma trajetória de mais de 60 exposições, Elenir representa a solidez e a continuidade da arte brasileira. Tendo sido aluna de ícones como Tarsila do Amaral e Di Cavalcanti, ela transporta o legado do modernismo para a contemporaneidade. Com quase 90 anos de vida, sua produção em escultura e gravura é um testemunho de como a arte plástica é uma carreira de constante renovação.

Neste 8 de maio, celebramos essas e tantas outras artistas que provam que a arte plástica é, acima de tudo, um território de disputa de narrativa, onde o invisível ganha forma e o silêncio se transforma em manifesto.





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