A violência sexual contra crianças e adolescentes continua sendo uma das violações de direitos humanos mais graves e persistentes no Brasil. Em 2023, o país registrou mais de 78 mil notificações de violência sexual, e 73,5% das vítimas tinham menos de 19 anos, segundo o relatório “Cenário da Infância e Adolescência no Brasil 2025”, da Fundação Abrinq. A maioria dos casos ocorreu dentro de casa, e meninas representaram 87,1% das vítimas de violência sexual notificadas no período.
Entre documentários e obras de ficção, filmes brasileiros têm transformado essas violências em denúncia pública, memória e debate coletivo. As produções abordam abuso sexual infantil, exploração sexual de meninas, silenciamento familiar e ausência de proteção institucional, revelando como desigualdade, gênero e vulnerabilidade social atravessam a infância e a adolescência no país. Mais do que retratar a violência, essas obras também falam sobre sobrevivência, reconstrução e resistência. Confira!
Apesar de, (2025)
Dirigido por Beatriz Prates, o documentário acompanha a trajetória da artista e contorcionista Georgia Bergamim, que foi abusada sexualmente pelo padrasto durante a infância. Misturando imagens de arquivo, relatos pessoais e performances corporais, o filme mostra como a violência atravessou sua relação com o próprio corpo e como a arte se tornou uma ferramenta de reconstrução e sobrevivência.
Mais do que narrar uma história individual, “Apesar de,” transforma o silêncio em denúncia pública e debate coletivo sobre violência sexual infantil, falhas institucionais e proteção das crianças. Ao longo do filme, Georgia revisita memórias dolorosas enquanto reivindica a possibilidade de seguir vivendo, criando e existindo apesar dos traumas.
Disponível no Prime Vídeo
Um crime entre nós (2020)
Dirigido por Adriana Yañez e produzido pela Maria Farinha Filmes, o documentário investiga a violência e a exploração sexual infantil no Brasil a partir de relatos de sobreviventes, especialistas e ativistas. O filme mostra como a maior parte dos casos acontece dentro de casa e discute temas como silenciamento, culpabilização das vítimas, pornografia, educação sexual e masculinidade.
Mais do que apresentar dados alarmantes, “Um Crime Entre Nós” questiona a naturalização dessa violência na sociedade brasileira e propõe que o tema deixe de ser tratado como um tabu invisível. A obra transforma uma realidade frequentemente silenciada em debate público, defendendo a proteção da infância como responsabilidade coletiva.
Mundo sem porteira (2019)
Dirigido por Gisela Arantes, o documentário investiga a exploração sexual de crianças e adolescentes nas estradas brasileiras a partir de depoimentos de jovens, caminhoneiros, educadores, especialistas e defensores dos direitos humanos. O filme discute como pobreza, vulnerabilidade social e ausência de proteção expõem meninas e meninos à violência nas rodovias do país.
Com consultoria técnica da Childhood Brasil, “Mundo Sem Porteira” transforma pesquisas e relatos reais em um alerta coletivo sobre uma das mais graves violações de direitos humanos no Brasil. Ao abordar o tema de forma multicausal, o documentário busca ampliar o debate público e mobilizar pessoas, empresas e instituições no enfrentamento da exploração sexual infantil.
Disponível no Youtube.
Sonhos roubados (2009)
Dirigido por Sandra Werneck e inspirado no livro As Meninas da Esquina, o filme acompanha a vida de três adolescentes da periferia carioca atravessadas por pobreza, violência, gravidez precoce e exploração sexual. Entre bailes, relações afetivas e tentativas de sobrevivência, Jéssica, Sabrina e Daiane buscam construir algum futuro possível em meio à falta de oportunidades e à fragilidade das redes de proteção.
Sem romantizar a juventude periférica, “Sonhos Roubados” mostra como desigualdade, abandono institucional e ausência de perspectivas empurram meninas para relações marcadas por exploração e vulnerabilidade. Ao mesmo tempo, o filme também destaca vínculos de amizade, afeto e resistência construídos entre elas diante de uma realidade dura e desigual.
Disponível na GloboPlay e no Prime Vídeo.





