{"id":29423,"date":"2026-10-20T12:42:09","date_gmt":"2026-10-20T15:42:09","guid":{"rendered":"https:\/\/portaldrysousa.com.br\/?p=29423"},"modified":"2026-10-20T12:42:09","modified_gmt":"2026-10-20T15:42:09","slug":"agricultoras-enfrentam-a-crise-climatica-para-continuar-produzindo-alimentos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/portaldrysousa.com.br\/?p=29423","title":{"rendered":"Agricultoras enfrentam a crise clim\u00e1tica para continuar produzindo alimentos"},"content":{"rendered":"\n<div>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Teresinha precisa plantar o dobro de mudas, porque as hortali\u00e7as n\u00e3o est\u00e3o crescendo como antes. Val\u00e9ria perdeu toda a sua produ\u00e7\u00e3o de grumixama (fruto semelhante \u00e0 cereja) por conta de um per\u00edodo de frio at\u00edpico. Ang\u00e9lica sentiu os efeitos de um longo per\u00edodo sem chuvas em sua planta\u00e7\u00e3o de caf\u00e9. As experi\u00eancias dessas agricultoras ouvidas pelo <strong>N\u00f3s, mulheres da periferia<\/strong> refletem como a crise clim\u00e1tica tem impactado o cotidiano de mulheres que trabalham produzindo alimentos. Nesta reportagem, elas contam como t\u00eam enfrentado esses impactos e como veem as pol\u00edticas p\u00fablicas em torno da agroecologia. <\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Esses efeitos s\u00e3o sentidos globalmente. Segundo relat\u00f3rio do Painel Intergovernamental sobre Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas (IPCC), at\u00e9 2100, 34% das terras de cultivo atuais poder\u00e3o ser inadequadas para a produ\u00e7\u00e3o de alimentos devido \u00e0 crise do clima. No contexto brasileiro, vale destacar que a agricultura familiar tem papel importante na alimenta\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o. De acordo com o Censo Agropecu\u00e1rio 2017, esse tipo de agricultura representa 77% dos estabelecimentos agropecu\u00e1rios, mas ocupa 23% da \u00e1rea.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em meio a esses dados, existem hist\u00f3rias agricultoras do campo e da cidade que enfrentam a instabilidade do clima para continuar produzindo alimentos para as suas comunidades. \u201c\u00c9 importante destacar o papel das mulheres na agroecologia, na seguran\u00e7a alimentar e nutricional, na sa\u00fade das comunidades. Elas est\u00e3o sobrecarregadas porque quando falamos de mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, falamos que a \u00e1gua fica mais distante, que \u00e9 mais dif\u00edcil produzir alimento. Isso gera uma sobrecarga gigantesca para as mulheres, porque s\u00e3o elas que est\u00e3o cultivando esses alimentos, buscando \u00e1gua, cozinhando\u201d, afirma Helena Lopes, pesquisadora em Agroecologia e Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Helena coordenou a <a href=\"https:\/\/agroecologia.org.br\/justica-climatica-e-agrecologia\/\" target=\"_blank\" aria-label=\" (opens in a new tab)\" rel=\"noreferrer noopener\" class=\"ek-link\">pesquisa-a\u00e7\u00e3o<\/a> \u201cAgroecologia, Territ\u00f3rio e Justi\u00e7a Clim\u00e1tica\u201d, realizada de abril a junho de 2025 pela Articula\u00e7\u00e3o Nacional de Agroecologia (ANA). O levantamento analisou 503 experi\u00eancias de agroecologia que t\u00eam promovido adapta\u00e7\u00e3o, mitiga\u00e7\u00e3o e resili\u00eancia nos territ\u00f3rios frente \u00e0s mudan\u00e7as clim\u00e1ticas.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As iniciativas analisadas informaram que os maiores efeitos das mudan\u00e7as no clima s\u00e3o vistos na forma de aumento da temperatura, altera\u00e7\u00e3o do calend\u00e1rio das chuvas e mudan\u00e7as na disponibilidade de \u00e1gua. Como resultado disso, h\u00e1 a diminui\u00e7\u00e3o e a perda da produ\u00e7\u00e3o, assinaladas por 56,3% e 48,1% das experi\u00eancias, respectivamente.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em rela\u00e7\u00e3o ao enfrentamento das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, destacam-se estrat\u00e9gias de manejo e conserva\u00e7\u00e3o do solo (70,7%) e da \u00e1gua (42%), a diversifica\u00e7\u00e3o dos sistemas produtivos (63%), o plantio de \u00e1rvores e reflorestamento (56,9%), a compostagem (52,7%) e o tratamento ecol\u00f3gico de esgotos (26,2%).<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">De acordo com o mapeamento, os territ\u00f3rios t\u00eam mostrado os caminhos para o enfrentamento das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas e para a garantia da soberania e seguran\u00e7a alimentar e nutricional. No entanto, somente 37,2% das experi\u00eancias disseram acessar pol\u00edticas p\u00fablicas.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cAs mudan\u00e7as clim\u00e1ticas n\u00e3o s\u00e3o um problema que vai ser resolvido com interven\u00e7\u00f5es tecnol\u00f3gicas. Elas afetam as pessoas de forma muito distinta. Muitas das sa\u00eddas poss\u00edveis est\u00e3o nos territ\u00f3rios e j\u00e1 est\u00e3o em curso, inclusive, protagonizadas pelas pr\u00f3prias mulheres\u201d, diz Helena.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A pesquisadora destaca que s\u00e3o necess\u00e1rias pol\u00edticas estruturantes que garantam que pr\u00e1ticas agroecol\u00f3gicas sejam fortalecidas, como os quintais produtivos, os ro\u00e7ados diversificados, os sistemas agroflorestais e as hortas comunit\u00e1rias urbanas. Isso passa, inclusive, pelo fortalecimento de pol\u00edticas j\u00e1 existentes.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No campo das pol\u00edticas de abastecimento, uma das institui\u00e7\u00f5es respons\u00e1veis \u00e9 a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Em 2026, no atual governo Lula, foram autorizados at\u00e9 R$ 500 milh\u00f5es para a compra de arroz e a forma\u00e7\u00e3o de estoques p\u00fablicos, como medida preventiva diante dos riscos associados ao El Ni\u00f1o. Durante o governo Bolsonaro, em 2019, foram encerradas as atividades de 27 armaz\u00e9ns da Conab.\u00a0<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As pol\u00edticas de abastecimento podem ajudar a conter a alta dos pre\u00e7os dos alimentos. Em situa\u00e7\u00f5es de redu\u00e7\u00e3o da oferta ou de alta dos pre\u00e7os, o governo pode vender parte dos estoques p\u00fablicos para ampliar a disponibilidade de alimentos no mercado e contribuir para regular os pre\u00e7os.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No contexto do segundo turno das elei\u00e7\u00f5es de 2026, que definir\u00e1 o pr\u00f3ximo presidente do pa\u00eds no dia 25 de outubro, muita coisa est\u00e1 em jogo no que se refere \u00e0s pr\u00e1ticas agroecol\u00f3gicas. \u201cO que est\u00e1 em jogo \u00e9 uma compreens\u00e3o sobre o papel da natureza e sobre o papel desses grupos: das agricultoras urbanas, das quilombolas, dos povos ind\u00edgenas, da agricultura familiar. A extrema direita tem uma concep\u00e7\u00e3o completamente equivocada do papel muito significativo que esses povos t\u00eam. Para a extrema direita, a natureza \u00e9 pass\u00edvel de se transformar em ativos financeiros\u201d, afirma Helena.<\/p>\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Teresinha, da Horta Sabor da Vit\u00f3ria<\/h2>\n<div class=\"nos-galeria position-relative my-5\">\n<div class=\"d-flex\">\n<div class=\"gal-ajuste mt-3 mt-md-0\">\n<p class=\"titulo m-0 text-uppercase mb-2\">GALERIA <span class=\"here\">1<\/span>\/2<\/p>\n<div class=\"nos-galeria__slider\">\n<div class=\"slide\">\n<div class=\"text-center\">\n                                <picture><\/picture>\n                            <\/div>\n<\/div>\n<div class=\"slide\">\n<div class=\"text-center\">\n                                <picture><\/picture>\n                            <\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Teresinha Matos \u00e9 baiana e vive em S\u00e3o Paulo (SP) h\u00e1 d\u00e9cadas. Saiu de sua terra natal pois considerava a vida de agricultora muito sofrida \u2013 sua fam\u00edlia n\u00e3o contava com pol\u00edticas p\u00fablicas de apoio. Depois de 10 anos morando na capital paulista, participou de um curso de jardinagem e come\u00e7ou a integrar a Associa\u00e7\u00e3o dos Agricultores da Zona Leste (AAZL). A partir da\u00ed se encontrou novamente no ramo.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Hoje, \u00e9 dona da Horta Sabor da Vit\u00f3ria, em S\u00e3o Mateus, zona leste. \u201cEu nunca tinha ouvido falar em org\u00e2nico. Na verdade, o que a gente plantava na Bahia era org\u00e2nico, mas essa palavra eu vim encontrar aqui em S\u00e3o Paulo\u201d, conta.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A agricultora tem sentido os impactos da crise do clima na sua horta. \u201cDo come\u00e7o do ano para c\u00e1, j\u00e1 plantamos v\u00e1rios produtos e ainda n\u00e3o acertamos. O produto n\u00e3o cresce. Tem que tirar antes do tempo, pequeno ainda, porque ele come\u00e7a a queimar, n\u00e3o se desenvolve. \u00c9 uma mudan\u00e7a assustadora\u201d.\u00a0\u00a0<\/p>\n<div class=\"box-explicacao d-flex flex-column flex-md-row\">\n<div class=\"texto\">\n<p>Ela conta que participa do Programa de Aquisi\u00e7\u00e3o de Alimentos (PAA) e havia uma demanda para a entrega de beterrabas. Mesmo plantando muitas mudas, elas n\u00e3o se desenvolveram e foi necess\u00e1rio substitu\u00ed-las, como repolho e alho-por\u00f3. Al\u00e9m da produ\u00e7\u00e3o destinada ao do PAA, Teresinha vende alimentos\u00a0 para a comunidade local.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"explicacao align-self-start mt-4 mt-md-0 mx-5 mx-md-0\">\n<p>O Programa de Aquisi\u00e7\u00e3o de Alimentos (PAA) \u00e9 uma pol\u00edtica p\u00fablica do Governo Federal do Brasil criada para promover a seguran\u00e7a alimentar e incentivar a agricultura familiar. Por meio do programa, o poder p\u00fablico compra alimentos da agricultura familiar e os destina, entre outras finalidades, \u00e0 doa\u00e7\u00e3o para pessoas em situa\u00e7\u00e3o de inseguran\u00e7a alimentar e ao abastecimento de escolas equipamentos p\u00fablicos.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Como forma de lidar com essa situa\u00e7\u00e3o, ela relata que tem plantado o dobro de mudas, para obter a mesma quantidade de alimentos. Na pr\u00e1tica, isso tem significado mais trabalho e gastos com produ\u00e7\u00e3o, o que se reflete tamb\u00e9m em menos lucro, j\u00e1 que n\u00e3o alterou o valor das vendas para continuar alcan\u00e7ando o seu p\u00fablico.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para Teresinha, \u00e9 necess\u00e1rio que existam pol\u00edticas p\u00fablicas mais c\u00e9leres, que atendam \u00e0s demandas das agricultoras na agroecologia em meio aos efeitos da crise clim\u00e1tica, como as fortes chuvas que destroem as planta\u00e7\u00f5es.\u00a0<\/p>\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Val\u00e9ria, da Nossa Fazenda<\/h2>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em Parelheiros, extremo sul da cidade de S\u00e3o Paulo (SP), Val\u00e9ria Macoratti lidera a ro\u00e7a Nossa Fazenda e \u00e9 presidente da Cooperativa Agroecol\u00f3gica dos Produtores Rurais e de \u00c1gua Limpa da Regi\u00e3o Sul de S\u00e3o Paulo (Cooperapas).<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A instabilidade clim\u00e1tica tem surpreendido a agricultora. \u201cN\u00e3o consegui plantar, por exemplo, quiabo, que j\u00e1 era a \u00e9poca desde agosto. Estamos em outubro, j\u00e1 era para a gente estar quase colhendo quiabo. E n\u00e3o consegui produzir nem as mudas por causa da temperatura, que t\u00e1 muito frio\u201d, relata.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No final do ano passado, com as ventanias, ca\u00edram cinco pinheiros que estavam plantados em frente \u00e0 sua casa. \u201cA sorte \u00e9 que eles ca\u00edram pro lado da rua, n\u00e3o pro lado da casa, porque sen\u00e3o teria destru\u00eddo tudo. Pessoas que nasceram ali falaram que nunca tinham visto um fen\u00f4meno daquele\u201d.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Entre as estrat\u00e9gias usadas, est\u00e1 a \u201cprodu\u00e7\u00e3o de \u00e1gua\u201d. Com a capta\u00e7\u00e3o de \u00e1gua de chuva, a permacultura e a agrofloresta, \u201cvoc\u00ea d\u00e1 tempo para a \u00e1gua poder infiltrar no len\u00e7ol fre\u00e1tico\u201d.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Val\u00e9ria conta que conseguiu recursos de uma emenda parlamentar para fornecer alimentos por meio do PAA. As colheitas v\u00e3o come\u00e7ar agora, mas ela tem incerteza sobre como ser\u00e3o as pr\u00f3ximas. Ao mesmo tempo, destaca a import\u00e2ncia desse apoio. \u201cO dinheiro \u00e9 pago para a cooperativa, fica nessa conta bloqueada. Conforme a gente faz a entrega, entrega a nota fiscal, eles liberam o pagamento dos agricultores\u201d, explica.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Sobre o cen\u00e1rio pol\u00edtico, ela percebe que sob a atual gest\u00e3o federal os agricultores s\u00e3o ouvidos, o que n\u00e3o acontecia no governo Bolsonaro. E reflete: \u201ceu tenho quase 60 anos de idade, nasci em 68, ano que foi decretado o AI-5, que muitos jovens nem sabem o que \u00e9 e ficam defendendo um governo que acha que tirar a liberdade de express\u00e3o das pessoas \u00e9 uma coisa democr\u00e1tica. Isso n\u00e3o \u00e9 democracia e nem nunca ser\u00e1\u201d.<\/p>\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Ang\u00e9lica, do S\u00edtio Santa Terra<\/h2>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em 2014, Ang\u00e9lica Facirolli largou o trabalho com publicidade para se dedicar \u00e0 agrofloresta. Hoje, lidera o S\u00edtio Santa Terra, onde cultiva caf\u00e9 em sistema agroflorestal, localizado em Patroc\u00ednio Paulista (SP). O local tamb\u00e9m recebe crian\u00e7as para iniciativas de educa\u00e7\u00e3o ambiental.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cAgrofloresta \u00e9 um modelo de agricultura que reflete os processos naturais de uma floresta. Temos alguns princ\u00edpios b\u00e1sicos, como a cobertura do solo. Ent\u00e3o, a gente planta sempre cobrindo o solo para manter a vida e a biodiversidade da terra, todos os seres que habitam ali\u201d, explica.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para ela, esse modelo \u00e9 um dos caminhos para a justi\u00e7a clim\u00e1tica. \u201c\u00c9 uma maneira de produzir com qualidade e abund\u00e2ncia, e tamb\u00e9m uma maneira de impactar menos nessa quest\u00e3o clim\u00e1tica tamb\u00e9m\u201d.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As solu\u00e7\u00f5es para as instabilidades do clima passam pelo pr\u00f3prio territ\u00f3rio. Em 2025, o s\u00edtio passou por um longo per\u00edodo sem chuvas, o que prejudicou o desenvolvimento do caf\u00e9.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cUsamos como estrat\u00e9gia o manejo de bananas. Injetamos bastante \u00e1gua no sistema atrav\u00e9s das bananas. Em dois, tr\u00eas dias, as acerolas voltaram a florir, o caf\u00e9 voltou a dar uma revigorada\u201d, diz. \u00c9 comum o uso das bananeiras na agroecologia como forma de proteger plantios contra a seca, pois essa planta ret\u00e9m muita umidade.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ang\u00e9lica destaca o papel do Servi\u00e7o Brasileiro de Apoio \u00e0s Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) no apoio aos pequenos produtores. Cita tamb\u00e9m o Plano Safra, com incentivos e linhas de cr\u00e9dito focadas em transi\u00e7\u00e3o ecol\u00f3gica, pr\u00e1ticas sustent\u00e1veis e na implementa\u00e7\u00e3o de Sistemas Agroflorestais (SAFs).<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A agricultora considera que as pol\u00edticas p\u00fablicas ainda s\u00e3o voltadas em maior parte para os grandes produtores, mas j\u00e1 tem visto algumas mudan\u00e7as no que tange ao incentivo aos pequenos produtores. Para que haja mais avan\u00e7os, ela afirma que \u00e9 preciso que as iniciativas de agroecologia somem esfor\u00e7os. \u201cComo na agrofloresta, n\u00e3o conseguimos nada sozinhos, precisamos nos juntar para sobreviver\u201d.<\/p>\n<\/div>\n<p><br \/>\n<br \/><a href=\"https:\/\/nosmulheresdaperiferia.org.br\/agricultoras-enfrentam-a-crise-climatica-para-continuar-produzindo-alimentos\/\">Tribunal Bras\u00edlia <\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Teresinha precisa plantar o dobro de mudas, porque as hortali\u00e7as n\u00e3o est\u00e3o crescendo como antes. Val\u00e9ria perdeu toda a sua produ\u00e7\u00e3o de grumixama (fruto semelhante \u00e0 cereja) por conta de um per\u00edodo de frio at\u00edpico. Ang\u00e9lica sentiu os efeitos de um longo per\u00edodo sem chuvas em sua planta\u00e7\u00e3o de caf\u00e9. 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