{"id":29396,"date":"2026-09-21T13:15:34","date_gmt":"2026-09-21T16:15:34","guid":{"rendered":"https:\/\/portaldrysousa.com.br\/?p=29396"},"modified":"2026-09-21T13:15:34","modified_gmt":"2026-09-21T16:15:34","slug":"mulheres-se-unem-para-enfrentar-a","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/portaldrysousa.com.br\/?p=29396","title":{"rendered":"mulheres se unem para enfrentar a"},"content":{"rendered":"\n<div>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Aureni tinha apenas 10 anos quando fugiu para S\u00e3o Paulo ap\u00f3s ter sido vendida para uma fam\u00edlia de fazendeiros no Piau\u00ed. Aos 19 anos, casou-se com um policial, em um relacionamento que durou 22 anos e foi marcado por abuso e viol\u00eancia.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Desde muito cedo, foi atravessada por in\u00fameras viol\u00eancias e, com o tempo, percebeu que tudo se tratava de uma din\u00e2mica estrutural e comum entre as mulheres. A partir disso, fundou a Casa Lili, na zona leste de S\u00e3o Paulo, onde atua para que outras mulheres tenham acesso \u00e0 informa\u00e7\u00e3o e autonomia.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A hist\u00f3ria de Aureni \u00e9 um retrato do que acontece todos os dias no Brasil: uma <a href=\"https:\/\/agenciapatriciagalvao.org.br\/violencia\/violencia-domestica\/54-das-brasileiras-afirmam-ja-ter-sofrido-violencia-prevista-na-lei-maria-da-penha-apenas-11-dos-homens-reconhecem-ter-cometido-agressoes-contra-parceiras-ou-ex-parceiras\/\">pesquisa<\/a> realizada pelo Instituto Patr\u00edcia Galv\u00e3o aponta que 54% das brasileiras (cerca de 47,7 milh\u00f5es de mulheres) j\u00e1 foram v\u00edtimas de pelo menos uma das cinco formas de viol\u00eancia reconhecidas pela Lei Maria da Penha: f\u00edsica, psicol\u00f3gica, sexual, moral e patrimonial. Enquanto 54% das mulheres afirmam j\u00e1 ter sofrido algum tipo de viol\u00eancia, apenas 11% dos homens admitem ter cometido alguma agress\u00e3o contra uma parceira ou ex-parceira.<\/p>\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>A import\u00e2ncia da rede de apoio para a participa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica<\/strong><\/h2>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Aureni Ferreira, conhecida carinhosamente como Lili, \u00e9 uma mulher negra de 60 anos, casada, com dois filhos, nascida no Piau\u00ed numa fam\u00edlia de 14 filhos, moradora da zona leste, formada em Servi\u00e7o Social e estudante de Psicologia. Aos 10 anos, foi vendida para uma fam\u00edlia de fazendeiros. Para tentar salvar sua vida, fugiu para S\u00e3o Paulo, come\u00e7ou a trabalhar e, aos 19 anos, se casou com um policial, que a agredia muito.<\/p>\n<div class=\"post-image my-5 mx-auto mw-100\">\n            <picture><source media=\"(max-width: 799px)\" srcset=\"https:\/\/nosmulheresdaperiferia.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/Lili-fundadora-da-casa-Lili-1024x683.jpg\"><source media=\"(min-width: 800px)\" srcset=\"https:\/\/nosmulheresdaperiferia.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/Lili-fundadora-da-casa-Lili-1024x683.jpg\"><\/source><\/source><\/picture>\n<\/div>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cForam 22 anos de agress\u00e3o. Chegou um momento que eu olhei no espelho e disse \u2018eu n\u00e3o preciso disso\u2019. Me formei como cabeleireira e comecei a ouvir as hist\u00f3rias de outras mulheres, mulheres que eu jamais imaginava que tamb\u00e9m poderiam passar por aquelas situa\u00e7\u00f5es. Resolvi estudar e fiz Servi\u00e7o Social para aprender como ajudar essas mulheres\u201d, relembra.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Apesar do medo constante, Aureni conta que foi assim que come\u00e7ou o seu projeto. Era um grupo pequeno de mulheres, com aproximadamente 20 participantes, num lugar pequeno e sem estrutura nenhuma, onde ela ensinava t\u00e9cnicas de manicure e pedicure. Todo esse processo durou aproximadamente cinco anos, sendo ainda uma iniciativa informal.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em seguida, registrou a iniciativa com a documenta\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria e fundou oficialmente o projeto social Casa Lili, que oferece servi\u00e7os de acolhimento e desenvolvimento h\u00e1 mais de 10 anos e j\u00e1 atendeu mais de 800 mulheres, de forma presencial na periferia de S\u00e3o Mateus, na zona leste da cidade de S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Entre as atividades oferecidas pela Casa Lili est\u00e3o cursos gratuitos de cabeleireira, manicure e pedicure, inform\u00e1tica, corte e modelagem, corte e costura, entre outros. Al\u00e9m das atividades formativas, o espa\u00e7o tamb\u00e9m oferece palestras sobre sa\u00fade mental, direitos das mulheres e outros temas importantes para que as participantes tenham acesso a informa\u00e7\u00f5es confi\u00e1veis e de qualidade.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os cursos e as palestras s\u00e3o divulgados pelas redes sociais, grupos de WhatsApp das mulheres que j\u00e1 s\u00e3o alunas e, principalmente, pelas trocas entre as mulheres de S\u00e3o Mateus e regi\u00f5es vizinhas, que compartilham sentimentos e experi\u00eancias. Uma mulher puxa a outra, fortalecendo a comunica\u00e7\u00e3o e a coletividade feminina.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mas a circula\u00e7\u00e3o de informa\u00e7\u00e3o n\u00e3o acontece apenas pela divulga\u00e7\u00e3o das atividades. A Casa Lili tamb\u00e9m busca aproximar as mulheres de pessoas que s\u00e3o refer\u00eancia em diferentes temas, levando ao territ\u00f3rio conhecimentos sobre direitos, sa\u00fade, viol\u00eancia e outras quest\u00f5es que fazem parte da vida dessas mulheres.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cAs mulheres atendidas, segundo Aureni, s\u00e3o perif\u00e9ricas, t\u00eam entre 14 e 92 anos e s\u00e3o, em sua maioria, negras. Muitas t\u00eam v\u00e1rios filhos, sofrem viol\u00eancia, n\u00e3o sabem para onde ir e enfrentam dificuldades financeiras e quest\u00f5es psicol\u00f3gicas profundas. Nem todas s\u00e3o moradoras de S\u00e3o Mateus.\u201d<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ao mesmo tempo em que busca ampliar o acesso dessas mulheres \u00e0 informa\u00e7\u00e3o e aos seus direitos, a Casa Lili tamb\u00e9m atua como uma porta de entrada para a rede de atendimento. Aureni explica que orienta as mulheres sobre os servi\u00e7os p\u00fablicos dispon\u00edveis, faz encaminhamentos e, em alguns casos, acompanha o atendimento. Segundo ela, por\u00e9m, muitas acabam retornando \u00e0 institui\u00e7\u00e3o depois de n\u00e3o conseguirem resposta ou acompanhamento nos \u00f3rg\u00e3os p\u00fablicos.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cEu procuro mostrar os direitos delas, costumo acompanhar elas em alguns casos, mas \u00e9 decepcionante, porque se a gente encaminha para algum \u00f3rg\u00e3o p\u00fablico onde tem uma estrutura maior do que a nossa, elas n\u00e3o conseguem apoio nenhum, a\u00ed acaba voltando pra Casa Lili pedindo socorro\u201d, conta.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Aureni cita ainda o encaminhamento para equipamentos p\u00fablicos que contam com profissionais e estruturas espec\u00edficas para atender mulheres em situa\u00e7\u00f5es de vulnerabilidade. Segundo ela, por\u00e9m, h\u00e1 casos em que as mulheres passam meses sem receber retorno e acabam procurando novamente a Casa Lili.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201c\u00c9 dif\u00edcil elas aceitarem fazer a den\u00fancia, quererem se expor.[\u2026] J\u00e1 aconteceu v\u00e1rias vezes de eu estar na minha casa e elas me ligarem falando \u2018Lili eu estou na delegacia e eles est\u00e3o debochando da minha cara\u2019. N\u00e3o \u00e9 isso que elas precisam ouvir\u201d, observa.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Considerando o cen\u00e1rio do territ\u00f3rio e a urg\u00eancia de conseguir apoio para essas mulheres, Aureni conta que muitas vezes tentou inscrever seu projeto em editais para conseguir apoio de pol\u00edticas p\u00fablicas, mas as portas estiveram sempre fechadas.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Aureni afirma que tudo isso s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel porque existe coletividade na periferia e que ela nunca p\u00f4de contar com o poder p\u00fablico para apoiar o projeto.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cSe voc\u00ea vai atr\u00e1s de um pol\u00edtico ele fala \u2018vota em mim que depois eu te ajudo\u2019, depois some e volta s\u00f3 daqui quatro anos. [\u2026] E \u00e9 assim que a gente vive. De voluntariado\u201d, relata.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A rela\u00e7\u00e3o com representantes pol\u00edticos tamb\u00e9m aparece nos eventos promovidos pela Casa Lili. Aureni conta que prefeitos, vereadores e deputados j\u00e1 chegaram sem convite e pediram espa\u00e7o para falar.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Justamente por isso, Aureni afirma que ensina para suas alunas o qu\u00e3o importante \u00e9 buscar conhecer e estudar sobre os candidatos, porque a pol\u00edtica est\u00e1 em tudo. Um exemplo pr\u00e1tico disso, segundo ela, \u00e9 a delegacia da mulher:<em> <\/em>\u201cexiste, mas n\u00e3o funciona\u201d.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cE eu digo \u2018n\u00e3o vou dar fala pra voc\u00eas, n\u00e3o coloco nem lugar reservado pra voc\u00eas sentarem, nunca fizeram nada\u2019. Sentam na mesa somente as pessoas que nos ajudam, por isso eu n\u00e3o quero e nem me envolvo\u201d, pontua.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mesmo diante de tantas barreiras, ela segue lutando para que mulheres da periferia n\u00e3o s\u00f3 sejam ouvidas e respeitadas, mas conquistem autonomia, sejam bem informadas e, principalmente, tenham posicionamento pol\u00edtico.<\/p>\n<blockquote class=\"\">\n<p>\u201cN\u00e3o \u00e9 porque eu passei que eu quero que outras pessoas passem. Eu quero que essas mulheres tenham sua autoestima, sua autonomia, ganhem seu sal\u00e1rio, e mostrar pra elas que elas s\u00e3o capazes. Porque n\u00f3s somos capazes de tudo e n\u00e3o podemos desistir\u201d<\/p>\n<p class=\"assina m-0\">Aureni Ferreira (Lili)<\/p>\n<\/blockquote>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Foi por meio de uma conhecida que Juliana Ribeiro, 34 anos, mulher negra, chegou \u00e0 Casa Lili. Na \u00e9poca, enfrentava uma depress\u00e3o profunda, problemas familiares e uma autoestima fragilizada. O que come\u00e7ou como uma oportunidade de aprender uma profiss\u00e3o, segundo ela, tamb\u00e9m se tornou um processo de reconstru\u00e7\u00e3o da pr\u00f3pria autoestima.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cMinha autoestima estava p\u00e9ssima, eu n\u00e3o acreditava mais que conseguiria. Foi a\u00ed que a Lili entrou, me ensinando cabelo e manicure, mas, al\u00e9m da \u00e1rea profissional, me ensinou a me olhar no espelho, a acreditar em mim, no meu potencial. [\u2026] A Casa Lili me mostrou que, mesmo em meio \u00e0s dificuldades, existe um caminho para reconstruir\u201d, destaca.<\/p>\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Quando uma \u00e9 atingida, todas se mobilizam<\/strong><\/h2>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Foi depois do feminic\u00eddio de M\u00e1rcia da Silva Soares, de 30 anos, que nasceu o F\u00f3rum em Defesa da Mulher, organiza\u00e7\u00e3o que atua nos territ\u00f3rios de Campo Limpo, Cap\u00e3o Redondo e M\u2019Boi Mirim, na zona sul de S\u00e3o Paulo. Em janeiro de 2024, M\u00e1rcia foi encontrada morta depois de ter sido dada como desaparecida h\u00e1 tr\u00eas dias. Partes de seu corpo foram localizadas em uma lixeira no bairro Jardim Germ\u00e2nia, na regi\u00e3o do Cap\u00e3o Redondo. Um homem suspeito de cometer o crime foi preso temporariamente pela Pol\u00edcia Civil na \u00e9poca. M\u00e1rcia era m\u00e3e de dois filhos.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para Luana de Oliveira, mulher negra, de 44 anos, formada em Geografia, ativista de direitos humanos e uma das mulheres que participa dessa constru\u00e7\u00e3o, o F\u00f3rum nasce justamente da necessidade de n\u00e3o enfrentar as viol\u00eancias de forma isolada.<\/p>\n<div class=\"post-image my-5 mx-auto mw-100\">\n            <picture><source media=\"(max-width: 799px)\" srcset=\"https:\/\/nosmulheresdaperiferia.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/Luana-de-Oliveira-coordenadora-do-Forum-em-Defesa-da-Mulher-foto-2-1024x768.jpg\"><source media=\"(min-width: 800px)\" srcset=\"https:\/\/nosmulheresdaperiferia.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/Luana-de-Oliveira-coordenadora-do-Forum-em-Defesa-da-Mulher-foto-2-1024x768.jpg\"><\/source><\/source><\/picture>\n<\/div>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Segundo Luana, M\u00e1rcia fazia uso de subst\u00e2ncias e j\u00e1 havia sido atendida por um servi\u00e7o do territ\u00f3rio. O grupo n\u00e3o tinha contato direto com ela, mas tentou se aproximar da fam\u00edlia ap\u00f3s o crime. A avalia\u00e7\u00e3o de Luana \u00e9 que a situa\u00e7\u00e3o de vulnerabilidade de M\u00e1rcia contribuiu para que o caso n\u00e3o tivesse a repercuss\u00e3o que, na vis\u00e3o dela, deveria ter tido.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cEnt\u00e3o, quer dizer que a vida dessa mulher \u00e9 descart\u00e1vel, porque ela vive boa parte do tempo na rua e faz uso abusivo de subst\u00e2ncias? Ent\u00e3o, a vida dela n\u00e3o importa, n\u00e3o vale nada, n\u00e3o comove o fato dela ter sido morta de uma forma t\u00e3o cruel?\u201d, aponta.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A atua\u00e7\u00e3o j\u00e1 alcan\u00e7ou cerca de 1.100 pessoas por meio das Marchas Por N\u00f3s realizadas entre 2024 e 2026. Entre 2024 e 2025, 61 mulheres participaram das forma\u00e7\u00f5es promovidas pelo F\u00f3rum, que tamb\u00e9m realizou 17 encontros formativos estruturados.<\/p>\n<blockquote class=\"\">\n<p>\u201cQuando a gente liga a televis\u00e3o, todos os dias tem uma not\u00edcia semelhante a essa; quando um neg\u00f3cio desses com essa gravidade e crueldade acontece no nosso territ\u00f3rio, faz com que pensemos que hoje foi a M\u00e1rcia, e amanh\u00e3, vai ser eu\u201d<\/p>\n<p class=\"assina m-0\">Luana de Oliveira<\/p>\n<\/blockquote>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A preocupa\u00e7\u00e3o de Luana revela um cen\u00e1rio que aconteceu no territ\u00f3rio dela, mas que acontece todos os dias no Brasil. De acordo com dados do <a href=\"https:\/\/forumseguranca.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/anuario-2026.pdf\">20\u00ba Anu\u00e1rio Brasileiro de Seguran\u00e7a P\u00fablica 2026<\/a>, 1.571 mulheres foram v\u00edtimas de feminic\u00eddio no Brasil em 2025. Dessas, 65,1% eram negras. O n\u00famero representa uma m\u00e9dia de 4,3 mortes por dia.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A iniciativa surgiu de uma articula\u00e7\u00e3o ap\u00f3s esse acontecimento, quando mulheres se uniram para pensar \u201ce agora, o que faremos?\u201d. Na \u00e9poca, tamb\u00e9m era lembrada a morte de Marielle Franco, assassinada por crime pol\u00edtico em 2018. Foi realizada uma exposi\u00e7\u00e3o das Penhas, esculturas de madeira com hist\u00f3rias de mulheres v\u00edtimas de viol\u00eancia dom\u00e9stica e feminic\u00eddio, al\u00e9m da Marcha Por Todas N\u00f3s.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As marchas acontecem todos os anos, sempre em 8 de mar\u00e7o, e em 2026 chegaram \u00e0 terceira edi\u00e7\u00e3o. Em todas, uma mulher \u00e9, segundo Luana, \u201cfemenageada\u201d por sua luta e sobreviv\u00eancia.<\/p>\n<div class=\"nos-galeria position-relative my-5\">\n<div class=\"d-flex\">\n<div class=\"gal-ajuste mt-3 mt-md-0\">\n<p class=\"titulo m-0 text-uppercase mb-2\">GALERIA <span class=\"here\">1<\/span>\/4<\/p>\n<div class=\"nos-galeria__slider\">\n<div class=\"slide\">\n<div class=\"text-center\">\n                                <picture><\/picture>\n                            <\/div>\n<div class=\"legenda-credito mt-2\">\n<p class=\"m-0\">1\u00aa Marcha Por Todas N\u00f3s, em 2024\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<span>\u00a9 arquivo pessoal<\/span>                                    <\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"slide\">\n<div class=\"text-center\">\n                                <picture><\/picture>\n                            <\/div>\n<div class=\"legenda-credito mt-2\">\n<p class=\"m-0\">1\u00aa Marcha Por Todas N\u00f3s, em 2024\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<span>\u00a9 arquivo pessoal<\/span>                                    <\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"slide\">\n<div class=\"text-center\">\n                                <picture><\/picture>\n                            <\/div>\n<div class=\"legenda-credito mt-2\">\n<p class=\"m-0\">1\u00aa Marcha Por Todas N\u00f3s, em 2024\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<span>\u00a9 arquivo pessoal<\/span>                                    <\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"slide\">\n<div class=\"text-center\">\n                                <picture><\/picture>\n                            <\/div>\n<div class=\"legenda-credito mt-2\">\n<p class=\"m-0\">1\u00aa Marcha Por Todas N\u00f3s, em 2024\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<span>\u00a9 arquivo pessoal<\/span>                                    <\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A comunica\u00e7\u00e3o acontece por diferentes caminhos: por um grupo de WhatsApp, pela p\u00e1gina do F\u00f3rum no Instagram e, principalmente, pela articula\u00e7\u00e3o feita diretamente nos territ\u00f3rios onde o movimento atua. \u00c9 tamb\u00e9m nesses espa\u00e7os que as marchas s\u00e3o constru\u00eddas, durante encontros chamados de plen\u00e1rias, que re\u00fanem integrantes do F\u00f3rum e outras mulheres dos territ\u00f3rios.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Al\u00e9m das mobiliza\u00e7\u00f5es, o F\u00f3rum tamb\u00e9m \u00e9 um espa\u00e7o de troca e circula\u00e7\u00e3o de informa\u00e7\u00f5es. Nas plen\u00e1rias, as mulheres compartilham experi\u00eancias, tiram d\u00favidas e conhecem outras mulheres. Nesse processo, informa\u00e7\u00f5es sobre direitos, pol\u00edticas p\u00fablicas, viol\u00eancia e servi\u00e7os de atendimento passam a ser compartilhadas e discutidas coletivamente.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cA participa\u00e7\u00e3o \u00e9 bastante diversa. Temos mulheres de todas as idades, inclusive idosas, negras e n\u00e3o negras, LBT, m\u00e3es, atendidas pelos servi\u00e7os da assist\u00eancia social, entre outras, e a maioria delas \u00e9 trabalhadora da rede de garantia de direitos\u201d, explica.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Entre as demandas trazidas pelas mulheres, a viol\u00eancia aparece com frequ\u00eancia. Tamb\u00e9m entram nas discuss\u00f5es quest\u00f5es relacionadas \u00e0 assist\u00eancia social, delegacias, defensorias p\u00fablicas e pol\u00edticas p\u00fablicas voltadas para crian\u00e7as.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cAs mulheres sofrem viol\u00eancia e o nosso papel \u00e9 incentivar que elas conhe\u00e7am o ciclo da viol\u00eancia e conhe\u00e7am os caminhos de den\u00fancia. Mas quando vai fazer a den\u00fancia, como \u00e9 esse acolhimento? Voc\u00ea \u00e9 revitimizada e sofre uma nova viol\u00eancia, isso desestimula\u201d, pondera.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para Luana, o aumento das den\u00fancias n\u00e3o tem sido acompanhado de respostas capazes de enfrentar o problema. Ela critica o encarceramento como principal resposta do Estado e defende que apenas afastar os agressores do conv\u00edvio social, sem um trabalho de conscientiza\u00e7\u00e3o sobre a viol\u00eancia cometida, n\u00e3o \u00e9 suficiente.<em\/><\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Luana tamb\u00e9m faz parte do conselho consultivo da Ouvidoria da Pol\u00edcia, onde leva pautas do territ\u00f3rio e propostas relacionadas \u00e0 seguran\u00e7a das mulheres.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cA gente vai tentando se articular desse lado enquanto sociedade civil, mas o Estado tamb\u00e9m n\u00e3o faz a parte dele. Da parte do estado, n\u00f3s precisamos de investimento, or\u00e7amento dedicado a pol\u00edticas para as mulheres, mas n\u00e3o t\u00eam\u201d, defende.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em 2025, o Governo de S\u00e3o Paulo destinou o equivalente a 18 centavos por mulher de 15 a 59 anos para essa \u00e1rea, segundo dados do Portal da Transpar\u00eancia. Um valor que \u201cn\u00e3o paga sequer um p\u00e3o franc\u00eas\u201d, ressalta Luana.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Luana aponta ainda que os servi\u00e7os de atendimento n\u00e3o funcionam nos hor\u00e1rios em que muitas viol\u00eancias acontecem.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cA gente fala \u2018busque ajuda\u2019, mas que ajuda \u00e9 essa? Porque quando voc\u00ea pensa em servi\u00e7os de atendimento \u00e0 mulher, s\u00e3o muito importantes, mas s\u00e3o sucateados e t\u00eam um hor\u00e1rio de funcionamento que n\u00e3o atende a demanda\u201d, argumenta. <em><br \/><\/em><em><br \/><\/em>Luana continua alertando que \u201cas mulheres n\u00e3o apanham de segunda a sexta das 8h \u00e0s 17h, elas apanham na hora do jogo de futebol, quando o time do marido perde, no final de semana quando esse homem sai pra beber com os amigos e voltou b\u00eabado pra casa indignado porque a janta n\u00e3o est\u00e1 pronta. Mas neste momento, os servi\u00e7os est\u00e3o fechados\u201d.<\/p>\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Quando a organiza\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m \u00e9 pol\u00edtica<\/strong><\/h2>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c9 nesse ponto que a organiza\u00e7\u00e3o deixa de ser apenas uma resposta imediata \u00e0 viol\u00eancia ou \u00e0 falta de prote\u00e7\u00e3o e passa a disputar direitos, informa\u00e7\u00f5es e espa\u00e7os de decis\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para Millena Ventura, cientista social, mestre em Sociologia e Antropologia e integrante da <a href=\"https:\/\/elasnopoder.org\/\" class=\"ek-link\">ONG Elas no Poder<\/a>, mulheres negras e perif\u00e9ricas s\u00e3o a for\u00e7a motriz da luta pelos direitos no Brasil. Desde o per\u00edodo colonial, mulheres e homens negros se organizam para melhorar seus territ\u00f3rios e construir novos futuros.<\/p>\n<div class=\"post-image my-5 mx-auto mw-100\">\n            <picture><source media=\"(max-width: 799px)\" srcset=\"https:\/\/nosmulheresdaperiferia.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/Millena-Ventura-1024x682.jpeg\"><source media=\"(min-width: 800px)\" srcset=\"https:\/\/nosmulheresdaperiferia.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/Millena-Ventura-1024x682.jpeg\"><\/source><\/source><\/picture>\n<\/div>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Essa organiza\u00e7\u00e3o, no entanto, n\u00e3o acontece sem obst\u00e1culos. \u201cObviamente n\u00e3o \u00e9 uma f\u00f3rmula m\u00e1gica e \u00e9 atravessada por v\u00e1rios aspectos: falta de dinheiro para continuar as a\u00e7\u00f5es, necessidade de trabalhar, duplas e triplas jornadas por sermos mulheres\u201d, afirma.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Segundo Millena, as mobiliza\u00e7\u00f5es costumam partir de pautas que atingem diretamente a vida das mulheres e, com o tempo, podem se ampliar para outras demandas e espa\u00e7os de reivindica\u00e7\u00e3o. Nesse processo, a circula\u00e7\u00e3o de informa\u00e7\u00e3o e a constru\u00e7\u00e3o de confian\u00e7a ajudam a transformar experi\u00eancias individuais em demandas coletivas.<\/p>\n<blockquote class=\"\">\n<p>\u201cMas acho importante destacar que, quando falamos de atua\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, n\u00e3o estamos falando somente das eleitas, mas de toda a estrutura pol\u00edtica; isso parte do ativismo, dos sindicatos, das defensorias p\u00fablicas, das secretarias, dos minist\u00e9rios etc.\u201d<\/p>\n<p class=\"assina m-0\">Millena Ventura<\/p>\n<\/blockquote>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A rela\u00e7\u00e3o entre organiza\u00e7\u00e3o coletiva e pol\u00edtica institucional tamb\u00e9m aparece na produ\u00e7\u00e3o acad\u00eamica. Um <a href=\"https:\/\/www.scielo.br\/j\/ref\/a\/gGmvXYWYXB8FGQLHxNpTyrc\/?lang=pt\">artigo publicado em 2024 na Revista Estudos Feministas<\/a>, que analisou a atua\u00e7\u00e3o do movimento feminista negro em Belo Horizonte, identificou diferentes formas de a\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, entre elas protestos e a\u00e7\u00f5es diretas, participa\u00e7\u00e3o em conselhos, confer\u00eancias e or\u00e7amento participativo, ocupa\u00e7\u00e3o de cargos na burocracia e atua\u00e7\u00e3o por meio de cargos eletivos. O estudo mostra como essas diferentes formas de organiza\u00e7\u00e3o podem produzir incid\u00eancia sobre pol\u00edticas p\u00fablicas.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c9 uma dimens\u00e3o que ajuda a compreender por que a participa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica n\u00e3o come\u00e7a necessariamente quando uma mulher se candidata ou ocupa um cargo. Ela tamb\u00e9m pode come\u00e7ar quando mulheres se re\u00fanem para identificar um problema, buscar informa\u00e7\u00e3o, reivindicar uma solu\u00e7\u00e3o e pressionar o poder p\u00fablico.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nas elei\u00e7\u00f5es de 2026, as mulheres representam 34,8% das candidaturas registradas, segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Apesar de serem minoria entre as candidaturas, elas s\u00e3o maioria entre o eleitorado: 52,8%, o equivalente a 83,9 milh\u00f5es de eleitoras.<\/p>\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>A pol\u00edtica que nasce no territ\u00f3rio<\/strong><\/h2>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A participa\u00e7\u00e3o das mulheres nos espa\u00e7os comunit\u00e1rios, no entanto, n\u00e3o come\u00e7a necessariamente pela disputa de cargos. Para Helena Cunha, pesquisadora e doutoranda em Ci\u00eancia Pol\u00edtica pela USP, essa participa\u00e7\u00e3o est\u00e1 relacionada \u00e0 pr\u00f3pria forma como a sociedade organizou historicamente o trabalho e atribuiu \u00e0s mulheres as tarefas ligadas \u00e0 reprodu\u00e7\u00e3o social.<\/p>\n<div class=\"post-image my-5 mx-auto mw-100\">\n            <picture><source media=\"(max-width: 799px)\" srcset=\"https:\/\/nosmulheresdaperiferia.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/Helena-Cunha-768x1024.jpeg\"><source media=\"(min-width: 800px)\" srcset=\"https:\/\/nosmulheresdaperiferia.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/Helena-Cunha-768x1024.jpeg\"><\/source><\/source><\/picture>\n<\/div>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Helena explica que, enquanto a produ\u00e7\u00e3o est\u00e1 relacionada \u00e0 gera\u00e7\u00e3o da riqueza necess\u00e1ria ao funcionamento do capitalismo, a reprodu\u00e7\u00e3o social envolve trabalhos de cuidado, alimenta\u00e7\u00e3o, sa\u00fade e manuten\u00e7\u00e3o da vida, atividades historicamente desvalorizadas e frequentemente realizadas de forma n\u00e3o remunerada por mulheres.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cPor estarem historicamente associadas \u00e0s tarefas de reprodu\u00e7\u00e3o social, as mulheres comumente est\u00e3o mais ligadas a todas as atividades que se relacionam com a reprodu\u00e7\u00e3o da vida. \u00c9 muito comum vermos uma grande presen\u00e7a de mulheres nas lutas em defesa de um posto de sa\u00fade, por exemplo, da escola do bairro ou nas lutas em defesa da moradia, ao passo que a pol\u00edtica institucional permanece sendo um espa\u00e7o extremamente hostil \u00e0 presen\u00e7a de mulheres\u201d, detalha.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No caso das periferias brasileiras, essa presen\u00e7a tamb\u00e9m se relaciona \u00e0 segrega\u00e7\u00e3o racial da urbaniza\u00e7\u00e3o. Para Helena, historicamente, mulheres perif\u00e9ricas, em sua maioria negras, constru\u00edram redes de solidariedade para garantir a reprodu\u00e7\u00e3o social de suas fam\u00edlias e comunidades.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Essa organiza\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m aparece diante da aus\u00eancia do Estado. Helena cita a estrutura de atendimento \u00e0 viol\u00eancia contra as mulheres na capital paulista como exemplo. S\u00e3o Paulo possui nove Delegacias de Defesa da Mulher, mas apenas tr\u00eas funcionam 24 horas.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c9 tamb\u00e9m no territ\u00f3rio que os problemas s\u00e3o identificados e transformados em reivindica\u00e7\u00f5es coletivas. Para Helena, essa organiza\u00e7\u00e3o ultrapassa a l\u00f3gica da ocupa\u00e7\u00e3o de cargos e tamb\u00e9m constitui uma forma de participa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica.<\/p>\n<blockquote class=\"\">\n<p>A organiza\u00e7\u00e3o comunit\u00e1ria propicia a reivindica\u00e7\u00e3o de solu\u00e7\u00f5es para os problemas locais, ou seja, \u00e9 uma forma de organiza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica propriamente dita<\/p>\n<p class=\"assina m-0\">Helena Cunha<\/p>\n<\/blockquote>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As experi\u00eancias de Aureni, Luana e das mulheres que chegam a esses espa\u00e7os revelam, assim, uma outra forma de fazer pol\u00edtica: aquela que come\u00e7a antes das urnas, dentro dos territ\u00f3rios, a partir das necessidades de quem vive neles.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nessas redes, a informa\u00e7\u00e3o circula de uma mulher para outra, por meio de uma forma\u00e7\u00e3o, de uma palestra, de uma plen\u00e1ria, de uma indica\u00e7\u00e3o ou de uma conversa. Quando encontra um territ\u00f3rio organizado, pode se transformar em mobiliza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Essas mulheres n\u00e3o apenas encontram redes quando as respostas n\u00e3o chegam. Elas tamb\u00e9m constroem respostas, compartilham informa\u00e7\u00e3o, reivindicam direitos e criam espa\u00e7os para que outras mulheres possam falar, participar e decidir.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Como resume Helena, \u00e9 nesses espa\u00e7os territorializados que mulheres negras e perif\u00e9ricas protagonizam formas de fazer pol\u00edtica \u201ca partir de baixo\u201d.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para Aureni, essa constru\u00e7\u00e3o coletiva se tornou central. O que come\u00e7ou com um pequeno grupo de mulheres aprendendo manicure e pedicure cresceu para uma rede que re\u00fane forma\u00e7\u00e3o, autonomia, acolhimento e acesso \u00e0 informa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para Luana, a mesma l\u00f3gica aparece quando uma mulher chega ao F\u00f3rum e encontra outras que reconhecem, ainda que de maneiras diferentes, aquilo que ela vive.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cA coletividade com outras mulheres faz com que a gente se sinta viva e no jogo. N\u00e3o existe possibilidade de a gente produzir vida nos territ\u00f3rios sem a articula\u00e7\u00e3o de mulheres. A gente tem que se manter viva, fisicamente, simbolicamente e manter a chama da nossa comunidade acesa. Ou se junta, ou morre em vida\u201d, conclui.<\/p>\n<\/p><\/div>\n<p><br \/>\n<br \/><a href=\"https:\/\/nosmulheresdaperiferia.org.br\/mulheres-negras-se-unem-para-enfrentar-a-falta-de-respostas-do-poder-publico\/\">Tribunal Bras\u00edlia <\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Aureni tinha apenas 10 anos quando fugiu para S\u00e3o Paulo ap\u00f3s ter sido vendida para uma fam\u00edlia de fazendeiros no Piau\u00ed. Aos 19 anos, casou-se com um policial, em um relacionamento que durou 22 anos e foi marcado por abuso e viol\u00eancia. 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