{"id":29389,"date":"2026-09-09T11:34:22","date_gmt":"2026-09-09T14:34:22","guid":{"rendered":"https:\/\/portaldrysousa.com.br\/?p=29389"},"modified":"2026-09-09T11:34:22","modified_gmt":"2026-09-09T14:34:22","slug":"el-nino-deve-aprofundar-desigualdades-e-pressionar-mulheres-perifericas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/portaldrysousa.com.br\/?p=29389","title":{"rendered":"El Ni\u00f1o deve aprofundar desigualdades e pressionar mulheres perif\u00e9ricas"},"content":{"rendered":"\n<div>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O El Ni\u00f1o j\u00e1 se formou nas \u00e1guas do Oceano Pac\u00edfico e seus efeitos devem se intensificar at\u00e9 o fim do ano. Segundo Organiza\u00e7\u00e3o Meteorol\u00f3gica Mundial (OMM), em boletim divulgado em 3 de setembro, h\u00e1 100% de chance de o evento ser \u201cmuito forte\u201d, com pico em dezembro de 2026, com persist\u00eancia at\u00e9 fevereiro de 2027. Mas o que isso significa na pr\u00e1tica? O que pode mudar no cotidiano das mulheres perif\u00e9ricas?<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os efeitos de um fen\u00f4meno clim\u00e1tico n\u00e3o s\u00e3o sentidos da mesma maneira por todas as pessoas. Nas periferias, onde parte da popula\u00e7\u00e3o j\u00e1 convive com falta de \u00e1gua e energia, moradias em \u00e1reas de risco e inseguran\u00e7a alimentar, calor intenso, chuvas e poss\u00edveis altera\u00e7\u00f5es no pre\u00e7o dos alimentos podem aprofundar desigualdades que j\u00e1 existem.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Essa desigualdade tamb\u00e9m pode ser nomeada de racismo ambiental. Em todos os cantos do pa\u00eds, as popula\u00e7\u00f5es negras tendem a ser mais afetadas pela crise clim\u00e1tica. Em S\u00e3o Paulo (SP), por exemplo, os bairros onde moram mais pessoas negras foram os que mais registraram alagamentos, inunda\u00e7\u00f5es e deslizamentos, segundo <a href=\"https:\/\/apublica.org\/2024\/02\/bairros-perifericos-e-de-maioria-negra-sao-os-mais-afetados-por-desastres-em-sao-paulo\/#_\" target=\"_blank\" aria-label=\" (opens in a new tab)\" rel=\"noreferrer noopener\" class=\"ek-link\">levantamento<\/a> da Ag\u00eancia P\u00fablica a partir dos dados da Defesa Civil.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O El Ni\u00f1o \u00e9 um fen\u00f4meno natural de aquecimento das \u00e1guas do Oceano Pac\u00edfico, na faixa pr\u00f3xima \u00e0 linha do Equador. Seus efeitos acontecem em um contexto de mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, que tamb\u00e9m v\u00eam alterando a frequ\u00eancia e a intensidade de eventos extremos.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cUm evento de El Ni\u00f1o nunca \u00e9 exatamente igual a outro, mas sabemos que tipo de impacto esperar em cada regi\u00e3o. No Sul do Brasil contribui para chuvas acima da m\u00e9dia, enquanto nas regi\u00f5es Norte e Nordeste contribui para chuvas abaixo da m\u00e9dia. Na regi\u00e3o mais central do pa\u00eds geralmente h\u00e1 mais calor e irregularidade nas chuvas\u201d, afirma Karina Bruno Lima, doutora com pesquisa em Climatologia e pesquisadora visitante na Universidade de Erlangen-Nuremberg, Alemanha.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cApesar de ser um fen\u00f4meno natural, os impactos do El Ni\u00f1o est\u00e3o sendo potencializados pelas mudan\u00e7as clim\u00e1ticas. Alguns estudos est\u00e3o indicando que as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas podem estar influenciando a variabilidade natural do fen\u00f4meno e tornando mais frequentes os epis\u00f3dios mais intensos\u201d, destaca.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A pesquisadora pontua ainda que em eventos como esse, as popula\u00e7\u00f5es mais vulner\u00e1veis tendem a ser as mais afetadas. Por isso, \u00e9 importante se atentar \u00e0s atualiza\u00e7\u00f5es sobre o fen\u00f4meno feitas por especialistas e aos alertas oficiais emitidos por \u00f3rg\u00e3os como Defesa Civil e Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden).<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para entender como esse cen\u00e1rio pode chegar ao cotidiano das mulheres perif\u00e9ricas, o <strong>N\u00f3s, mulheres da periferia <\/strong>conversou com lideran\u00e7as e ativistas que vivem ou atuam em territ\u00f3rios diretamente afetados pela crise clim\u00e1tica. Elas falam sobre seguran\u00e7a alimentar, calor, falta de \u00e1gua e energia, racismo ambiental e a necessidade de pol\u00edticas p\u00fablicas de adapta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<h2 class=\"wp-block-heading\">A horta que virou estrat\u00e9gia de seguran\u00e7a alimentar<\/h2>\n<div class=\"post-image my-5 mx-auto mw-100\">\n            <picture><source media=\"(max-width: 799px)\" srcset=\"https:\/\/nosmulheresdaperiferia.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/elnino06-1024x683.jpg\"><source media=\"(min-width: 800px)\" srcset=\"https:\/\/nosmulheresdaperiferia.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/elnino06-1024x683.jpg\"><\/source><\/source><\/picture>\n<\/div>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cMe preocupa muito. Quem tem condi\u00e7\u00e3o, sempre vai ter comida no prato. Mas, e quem n\u00e3o tem condi\u00e7\u00e3o?\u201d, desabafa Maria de Lourdes Silva, conhecida como Lia Esperan\u00e7a, sobre a possibilidade de aumento dos pre\u00e7os dos alimentos em decorr\u00eancia dos efeitos do El Ni\u00f1o.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A preocupa\u00e7\u00e3o com o pre\u00e7o e o acesso aos alimentos n\u00e3o \u00e9 isolada. Uma <a href=\"https:\/\/portal.unifesp.br\/destaques\/injustica-climatica-brasil\" target=\"_blank\" aria-label=\" (opens in a new tab)\" rel=\"noreferrer noopener\" class=\"ek-link\">pesquisa<\/a> da Unifesp, que ouviu quase uma centena de especialistas e gestores p\u00fablicos ligados aos sistemas alimentares em todas as regi\u00f5es do Brasil, mostrou que entre 78% e 86% dos entrevistados apontam o encarecimento dos alimentos e a perda de renda como os principais canais pelos quais a crise clim\u00e1tica afeta a popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Essa desigualdade tamb\u00e9m aparece na capacidade de se preparar para os impactos do fen\u00f4meno. Com a circula\u00e7\u00e3o de alertas sobre um El Ni\u00f1o intenso, v\u00eddeos que ensinam a formar estoques de alimentos passaram a ganhar espa\u00e7o nas redes sociais e em aplicativos de mensagens. As publica\u00e7\u00f5es mostram despensas abastecidas com arroz, feij\u00e3o, macarr\u00e3o, enlatados e \u00e1gua como forma de prepara\u00e7\u00e3o para poss\u00edveis problemas de abastecimento.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mas quem consegue se preparar dessa maneira? Antecipar o consumo de semanas ou meses exige dinheiro dispon\u00edvel para comprar alimentos que s\u00f3 ser\u00e3o consumidos no futuro, al\u00e9m de espa\u00e7o e condi\u00e7\u00f5es adequadas para armazen\u00e1-los. Para fam\u00edlias que j\u00e1 precisam administrar a renda para garantir a comida at\u00e9 o fim do m\u00eas, essa estrat\u00e9gia pode ser inacess\u00edvel.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Natural de Itaberaba (BA), Lia Esperan\u00e7a chegou \u00e0 Vila Nova Esperan\u00e7a, comunidade da zona oeste de S\u00e3o Paulo, no ano de 2003. Na \u00e9poca, descobriu que o territ\u00f3rio enfrentava um processo de despejo por estar situado em uma \u00e1rea de preserva\u00e7\u00e3o ambiental.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para evitar o despejo e provar que a comunidade n\u00e3o fazia mal ao meio ambiente, Lia liderou a cria\u00e7\u00e3o de uma horta comunit\u00e1ria, que hoje conta com mais de 5 mil m\u00b2. \u201cA horta n\u00e3o trouxe s\u00f3 a educa\u00e7\u00e3o ambiental, tamb\u00e9m trouxe seguran\u00e7a alimentar, mais uni\u00e3o, sa\u00fade e empreendedorismo para dentro da comunidade\u201d, relata.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Hoje, a pr\u00f3pria horta pode ser afetada pelas mudan\u00e7as nas condi\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas, com ondas de calor e fortes chuvas. Com a proximidade do El Ni\u00f1o, ela teme pela dificuldade de produ\u00e7\u00e3o do espa\u00e7o que gera parte dos alimentos usados no preparo de almo\u00e7os di\u00e1rios para cerca de 200 crian\u00e7as atendidas pelo Instituto Lia Esperan\u00e7a, do qual \u00e9 fundadora.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Diante desse risco, o pr\u00f3prio instituto come\u00e7ou a formar um estoque de feij\u00e3o para garantir parte das refei\u00e7\u00f5es servidas \u00e0s crian\u00e7as. A medida, por\u00e9m, evidencia a mesma desigualdade apontada por Lia no in\u00edcio deste texto: preparar-se antecipadamente exige recursos que muitas fam\u00edlias n\u00e3o t\u00eam.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ela tamb\u00e9m busca alternativas para implementar energia solar no instituto. A preocupa\u00e7\u00e3o de Lia vai al\u00e9m da produ\u00e7\u00e3o de alimentos. Para ela, a popula\u00e7\u00e3o precisa compreender os riscos associados ao fen\u00f4meno e \u00e0s mudan\u00e7as clim\u00e1ticas. \u201cAs pessoas precisam ter conhecimento do perigo que elas est\u00e3o correndo.\u201d<\/p>\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Quando o calor tamb\u00e9m revela desigualdades<\/h2>\n<div class=\"post-image my-5 mx-auto mw-100\">\n            <picture><source media=\"(max-width: 799px)\" srcset=\"https:\/\/nosmulheresdaperiferia.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/elnino05-1024x1024.webp\"><source media=\"(min-width: 800px)\" srcset=\"https:\/\/nosmulheresdaperiferia.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/elnino05-1024x1024.webp\"><\/source><\/source><\/picture>\n<\/div>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cO El Ni\u00f1o evidencia desigualdades. As mulheres negras, perif\u00e9ricas, ind\u00edgenas, ribeirinhas, pessoas que moram perto de encostas, s\u00e3o as que est\u00e3o na linha de frente do cuidado com a comida, a ro\u00e7a, a casa, e tamb\u00e9m s\u00e3o linha de frente da busca por solu\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas\u201d, pontua Roberta Sodr\u00e9, assessora de mobiliza\u00e7\u00e3o territorial do Centro Brasileiro de Justi\u00e7a Clim\u00e1tica.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Moradora de Bel\u00e9m (AM), Roberta chama aten\u00e7\u00e3o para as altas temperaturas enfrentadas na regi\u00e3o Norte, que podem se intensificar com a chegada do fen\u00f4meno. \u201cSabemos que h\u00e1 resid\u00eancias nas periferias que t\u00eam apenas um ventilador e que a quest\u00e3o da \u00e1gua ainda \u00e9 um problema\u201d.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O exemplo ajuda a mostrar que enfrentar uma onda de calor depende tamb\u00e9m das condi\u00e7\u00f5es das moradias, do acesso \u00e0 energia e \u00e0 \u00e1gua e da possibilidade de cada fam\u00edlia se proteger.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE), em 2023, 85,9% dos domic\u00edlios brasileiros tinham acesso \u00e0 rede geral de abastecimento de \u00e1gua. No entanto, muitas casas nas periferias sofrem com a falta d\u2019\u00e1gua. Na capital paraense, por exemplo, 58 mil pessoas vivem sem acesso \u00e0 \u00e1gua pot\u00e1vel, segundo a <a href=\"https:\/\/mandi.org.br\/projetos\/pesquisaaguasaneamentoclima\/\" target=\"_blank\" aria-label=\" (opens in a new tab)\" rel=\"noreferrer noopener\" class=\"ek-link\">ONG Mandi<\/a>, cujo levantamento foi realizado em 2025.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A ativista destaca ainda a import\u00e2ncia do poder p\u00fablico e de organiza\u00e7\u00f5es da sociedade civil realizarem comunica\u00e7\u00f5es mais did\u00e1ticas sobre El Ni\u00f1o. Ela tamb\u00e9m defende que a popula\u00e7\u00e3o cobre dos governos a\u00e7\u00f5es de adapta\u00e7\u00e3o clim\u00e1tica.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cComo \u00e9 que est\u00e1 sendo feito o investimento no saneamento nas periferias? Como \u00e9 que est\u00e1 sendo feito o investimento no semi\u00e1rido? H\u00e1 um cr\u00e9dito, uma assist\u00eancia para fam\u00edlias em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 seguran\u00e7a alimentar, com esse recorte de ra\u00e7a e de g\u00eanero?\u201d.<\/p>\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Racismo ambiental tamb\u00e9m \u00e9 n\u00e3o estar nas decis\u00f5es<\/h2>\n<div class=\"post-image my-5 mx-auto mw-100\">\n            <picture><source media=\"(max-width: 799px)\" srcset=\"https:\/\/nosmulheresdaperiferia.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/elnino02-1024x682.jpeg\"><source media=\"(min-width: 800px)\" srcset=\"https:\/\/nosmulheresdaperiferia.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/elnino02-1024x682.jpeg\"><\/source><\/source><\/picture>\n<\/div>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cRacismo ambiental n\u00e3o \u00e9 apenas a viol\u00eancia cotidiana, \u00e9 tamb\u00e9m ter as mulheres negras tiradas dos espa\u00e7os de tomada de decis\u00e3o, quando se trata de mitiga\u00e7\u00e3o e prote\u00e7\u00e3o clim\u00e1tica\u201d, afirma Iya Katiuscia de Yemanj\u00e1, yakekere do Terreiro \u00d2b\u00e1 Lab\u00ed, no Rio de Janeiro (RJ).<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A ativista relata que a comunidade est\u00e1 situada dentro de uma unidade de conserva\u00e7\u00e3o e vive cotidianamente os impactos da crise clim\u00e1tica. Mesmo sem a ocorr\u00eancia do El Ni\u00f1o, os moradores ficam dias sem energia devido a ventos fortes e n\u00e3o contam com saneamento b\u00e1sico adequado.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mesmo estando entre as popula\u00e7\u00f5es mais afetadas pelo racismo ambiental, essas comunidades tamb\u00e9m protagonizam solu\u00e7\u00f5es para os impactos da crise clim\u00e1tica. \u00c9 o caso das \u201cflorestas de quintal\u201d, iniciativa de incentivo \u00e0 planta\u00e7\u00e3o nas casas da comunidade, que colaborou com o escoamento da \u00e1gua nos per\u00edodos de chuva.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A experi\u00eancia refor\u00e7a uma contradi\u00e7\u00e3o presente nos territ\u00f3rios mais afetados pela crise clim\u00e1tica: s\u00e3o popula\u00e7\u00f5es que enfrentam maiores riscos, mas tamb\u00e9m desenvolvem solu\u00e7\u00f5es para responder a eles.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Sobre o El Ni\u00f1o, Iya afirma que as mulheres, principalmente as mulheres negras, v\u00e3o ser as mais impactadas. \u201cS\u00e3o elas quem ficam nas comunidades, seguram as pontas e controlam determinados casos\u201d.<\/p>\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Quem protege as periferias dos eventos extremos?<\/h2>\n<div class=\"post-image my-5 mx-auto mw-100\">\n            <picture><source media=\"(max-width: 799px)\" srcset=\"https:\/\/nosmulheresdaperiferia.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/elnino03-819x1024.jpg\"><source media=\"(min-width: 800px)\" srcset=\"https:\/\/nosmulheresdaperiferia.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/elnino03-819x1024.jpg\"><\/source><\/source><\/picture>\n<\/div>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cA maioria da nossa energia \u00e9 gerada pelas hidroel\u00e9tricas. Se o rio seca, a energia fica escassa, logo, aumenta nossa conta de luz. A mesma coisa com os alimentos, se voc\u00ea n\u00e3o h\u00e1 um ambiente saud\u00e1vel para produzir os alimentos, eles ficam escassos, logo, ficam mais caros\u201d, pontua Anne Heloise, advogada e diretora executiva do Instituto DuClima.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os efeitos previstos podem atingir tamb\u00e9m o or\u00e7amento das fam\u00edlias, com poss\u00edveis impactos sobre os pre\u00e7os dos alimentos e da energia. Nas periferias, onde algumas localidades j\u00e1 enfrentam problemas de acesso \u00e0 \u00e1gua e \u00e0 eletricidade, os efeitos podem se somar a vulnerabilidades existentes.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para Anne, apesar de alguns esfor\u00e7os do governo federal, as a\u00e7\u00f5es dos governos federal e municipais ainda est\u00e3o abaixo do necess\u00e1rio para preparar a popula\u00e7\u00e3o para os poss\u00edveis impactos do El Ni\u00f1o.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O Instituto DuClima \u00e9 uma das organiza\u00e7\u00f5es que assinaram a \u201c<a href=\"https:\/\/climadepolitica.org\/2026\/06\/10\/assinamos-junto-com-70-organizacoes-a-carta-de-posicionamento-frente-ao-super-el-nino-e-seus-impactos-no-brasil\/\" target=\"_blank\" aria-label=\" (opens in a new tab)\" rel=\"noreferrer noopener\" class=\"ek-link\">Carta de Posicionamento frente ao El Ni\u00f1o e seus impactos no Brasil<\/a>\u201d, que cobra uma a\u00e7\u00e3o mais incisiva do poder p\u00fablico. \u201cNos parece que a resposta do poder p\u00fablico continua a seguir um padr\u00e3o que precisamos nomear: agir somente ap\u00f3s o desastre\u201d, l\u00ea-se num trecho.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para Anne, a sociedade civil precisa ampliar sua atua\u00e7\u00e3o no Legislativo para pressionar pela cria\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas de adapta\u00e7\u00e3o clim\u00e1tica.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c9 o caso do <a href=\"https:\/\/www.camara.leg.br\/proposicoesWeb\/prop_mostrarintegra?codteor=2454130&amp;filename=Avu\" class=\"ek-link\">Projeto de L<\/a><a href=\"https:\/\/www.camara.leg.br\/proposicoesWeb\/prop_mostrarintegra?codteor=2454130&amp;filename=Avu\" target=\"_blank\" aria-label=\"e (opens in a new tab)\" rel=\"noreferrer noopener\" class=\"ek-link\">e<\/a><a href=\"https:\/\/www.camara.leg.br\/proposicoesWeb\/prop_mostrarintegra?codteor=2454130&amp;filename=Avu\" class=\"ek-link\">i n.\u00ba 1.594\/2024<\/a>, que cria a Pol\u00edtica Nacional dos Deslocados Ambientais e Clim\u00e1ticos, e est\u00e1 em fase de tramita\u00e7\u00e3o na C\u00e2mara dos Deputados. A proposta prev\u00ea uma s\u00e9rie de direitos aos deslocados clim\u00e1ticos nos campos de sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o, trabalho, assist\u00eancia social, moradia e justi\u00e7a.<\/p>\n<\/p><\/div>\n<p><br \/>\n<br \/><a href=\"https:\/\/nosmulheresdaperiferia.org.br\/el-nino-deve-aprofundar-desigualdades-e-pressionar-mulheres-perifericas\/\">Tribunal Bras\u00edlia <\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O El Ni\u00f1o j\u00e1 se formou nas \u00e1guas do Oceano Pac\u00edfico e seus efeitos devem se intensificar at\u00e9 o fim do ano. 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