{"id":29373,"date":"2026-08-20T05:35:38","date_gmt":"2026-08-20T08:35:38","guid":{"rendered":"https:\/\/portaldrysousa.com.br\/?p=29373"},"modified":"2026-08-20T05:35:38","modified_gmt":"2026-08-20T08:35:38","slug":"projeto-leva-futebol-de-rua-para-meninas-e-transforma-o-direito-de-ocupar-a-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/portaldrysousa.com.br\/?p=29373","title":{"rendered":"Projeto leva futebol de rua para meninas e transforma o direito de ocupar a"},"content":{"rendered":"\n<div>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Num domingo \u00e0 tarde, em 2017, Leila e sua esposa Vanessa sa\u00edram da zona sul de S\u00e3o Paulo (SP), onde moravam, para a zona norte, a fim de participar de um evento no barrac\u00e3o de uma escola de samba. No percurso para atravessar a cidade, passaram por diferentes quebradas. Ao chegar, Leila sentou na cal\u00e7ada e desabafou: \u201cVanessa, t\u00e1 errado\u201d. \u201cErrado o que Leila?\u201d, questionou a companheira. \u201cN\u00e3o tem menina na <strong>rua<\/strong>\u201d, respondeu e explicou que em todo o trajeto s\u00f3 viu meninos brincando, seja jogando bola ou empinando pipa.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nascia ali a ideia para o que hoje \u00e9 o projeto <a href=\"https:\/\/www.salvequebrada.org\/\" class=\"ek-link\">Salve Quebrada<\/a>. A iniciativa, criada pela educadora Leila Rodrigues, atua na promo\u00e7\u00e3o do esporte, com foco no <a href=\"https:\/\/slateblue-fly-273816.hostingersite.com\/alem-das-quatro-linhas-a-conexao-entre-futebol-e-violencia-domestica\/\" target=\"_blank\" aria-label=\" (opens in a new tab)\" rel=\"noreferrer noopener\" class=\"ek-link\">futebol<\/a> feminino, integrando cultura, educa\u00e7\u00e3o e sa\u00fade mental como fundamentos para o desenvolvimento das meninas perif\u00e9ricas.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mais de 100 meninas j\u00e1 passaram pelos eventos e aulas do projeto. Atualmente, com uma equipe de cinco pessoas, a iniciativa recebe 35 meninas todos os s\u00e1bados para aulas de futebol, tecnologia e sa\u00fade mental.<\/p>\n<div class=\"post-image my-5 mx-auto mw-100\">\n            <picture><source media=\"(max-width: 799px)\" srcset=\"https:\/\/nosmulheresdaperiferia.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/WhatsApp-Image-2026-07-06-at-12.39.39-1-1024x682.jpeg\"><source media=\"(min-width: 800px)\" srcset=\"https:\/\/nosmulheresdaperiferia.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/WhatsApp-Image-2026-07-06-at-12.39.39-1-1024x682.jpeg\"><\/source><\/source><\/picture>\n<\/div>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Segundo Leila, a rua \u00e9 o quintal das quebradas, onde a socializa\u00e7\u00e3o e o lazer acontecem. Por isso, a falta das meninas nesses espa\u00e7os representou um alerta para a educadora. J\u00e1 a escolha por fomentar o futebol passa por uma paix\u00e3o que remonta \u00e0 inf\u00e2ncia e por entender que essa \u2018modalidade\u2019 desenvolve a autoestima, a viv\u00eancia em grupo e a resolu\u00e7\u00e3o de conflitos.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cO nosso futebol acontece com a ess\u00eancia da rua. \u00c9 cada um por si. Voc\u00ea tem que saber qual espa\u00e7o voc\u00ea pode passar, qual hor\u00e1rio e se pode estar sozinha. A rua dentro de uma periferia \u00e9 desse jeito. Enquanto o futebol est\u00e1 acontecendo, raramente o professor apita. Elas se resolvem entre elas. Temos que estar atentas o tempo todo e reconhecer quem est\u00e1 do nosso lado tamb\u00e9m\u201d, explica.<\/p>\n<div class=\"box-explicacao d-flex flex-column flex-md-row\">\n<div class=\"explicacao align-self-start mt-4 mt-md-0 mx-5 mx-md-0\">\n<p>Enquanto o futebol de rua acontece no asfalto e usa, por exemplo, chinelos como trave, o futebol de v\u00e1rzea \u00e9 disputado em campos de terra ou grama.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Culturalmente, os meninos s\u00e3o mais incentivados a praticar esportes, e isso se reflete nos dados. Segundo <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/esporte\/2023\/08\/futebol-e-praticado-por-6-das-mulheres-no-brasil-aponta-datafolha.shtml\" class=\"ek-link\">pesquisa<\/a> de 2023 do Datafolha, apenas 6% das mulheres jogam futebol no Brasil. J\u00e1 entre os homens, o n\u00famero sobe para 38%. O futebol feminino tamb\u00e9m j\u00e1 foi marcado por restri\u00e7\u00e3o pol\u00edtica: por mais de 40 anos foi <a href=\"https:\/\/www12.senado.leg.br\/noticias\/especiais\/arquivo-s\/futebol-feminino-ja-foi-proibido-no-brasil-e-cpi-pediu-legalizacao\" target=\"_blank\" aria-label=\" (opens in a new tab)\" rel=\"noreferrer noopener\" class=\"ek-link\">proibido<\/a> no pa\u00eds, entre 1941 e 1983.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Al\u00e9m disso, crian\u00e7as que vivem em favelas sofrem restri\u00e7\u00f5es ao direito de brincar e acabam transformando a rua em parquinho. A <a href=\"https:\/\/biblioteca.fmcsv.org.br\/biblioteca\/pesquisa-brincar-nas-favelas-brasileiras\/\" target=\"_blank\" aria-label=\" (opens in a new tab)\" rel=\"noreferrer noopener\" class=\"ek-link\">pesquisa<\/a> \u201cO Brincar nas Favelas Brasileiras\u201d, do Instituto Data Favela, de 2021, entrevistou 816 m\u00e3es de crian\u00e7as de zero a seis anos, das classes C e D das cidades de S\u00e3o Paulo (SP), Recife (PE) e Porto Alegre (RS). Apenas 29% delas disseram contar com um parquinho em sua comunidade.<\/p>\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Futebol de rua<\/h3>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quando tinha 13 anos, o pai de Leila a incentivou a jogar futebol. Ele a levava para as quadras para jogar com homens adultos. Apesar de gostar do esporte, ela \u201cmorria de vergonha\u201d dessas situa\u00e7\u00f5es. Mas era s\u00f3 colocar a bola no p\u00e9 que esse sentimento sumia.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Hoje, a educadora reconhece que esse incentivo fez com que ela se sentisse encorajada a enfrentar um ambiente majoritariamente masculino. \u201cEu n\u00e3o olhava os meninos como algo imbat\u00edvel, eu via que era algo s\u00f3 deles, mas n\u00e3o me sentia intimidada de estar ali\u201d.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Com a morte do pai, Leila, ainda aos 13 anos, se afastou das quadras. Foi s\u00f3 por volta dos 16 que o futebol voltou a povoar seu imagin\u00e1rio, desta vez em forma de inc\u00f4modo, por n\u00e3o ver incentivo ao futebol feminino.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Esse pensamento ficou guardado e voltou com for\u00e7a no ano de 2017, quando Leila teve a ideia de produzir um evento de futebol de rua para mulheres. Foram alguns meses pesquisando sobre como executar essa ideia e buscando apoio da comunidade local. At\u00e9 que, em 2018, o evento aconteceu.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cQuando eu vi j\u00e1 tinha os vizinhos na sacada assistindo, tinha a galera com cadeira de praia sentada e a crian\u00e7ada assistindo. Aquilo brilhou meus olhos. Eu falei, cara, me realizei. Me realizei pessoalmente e profissionalmente\u201d, relata.<\/p>\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Salve Quebrada<\/h3>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A partir da\u00ed, Leila e os colegas do coletivo passaram a estruturar um evento por ano, chamado Azideia das Minas, at\u00e9 que viram a necessidade de tornar o projeto algo maior. A essa altura, a iniciativa j\u00e1 havia se chamado Projeto N\u00f3s antes de se estabelecer como Salve Quebrada, express\u00e3o que Leila costuma usar para cumprimentar as alunas.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em 2025, Leila passou em um edital e conseguiu estruturar melhor o projeto. Hoje, todos os s\u00e1bados, 35 meninas entre 10 e 16 anos participam de aulas de futebol, tecnologia e sa\u00fade mental. Nos encontros, para al\u00e9m das t\u00e1ticas e do condicionamento f\u00edsico, aprendem sobre a hist\u00f3ria do futebol feminino e sobre a import\u00e2ncia da atua\u00e7\u00e3o em coletividade. As aulas acontecem no Jardim Paris, zona sul de S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<div class=\"post-image my-5 mx-auto mw-100\">\n            <picture><source media=\"(max-width: 799px)\" srcset=\"https:\/\/nosmulheresdaperiferia.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/WhatsApp-Image-2026-07-06-at-12.31.47-844x1024.jpeg\"><source media=\"(min-width: 800px)\" srcset=\"https:\/\/nosmulheresdaperiferia.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/WhatsApp-Image-2026-07-06-at-12.31.47-844x1024.jpeg\"><\/source><\/source><\/picture>\n<\/div>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O financiamento do edital se estende at\u00e9 o m\u00eas de novembro e Leila se preocupa com a dificuldade de encontrar patroc\u00ednios para dar seguimento ao projeto. Essa dificuldade se reflete na falta de visibilidade e apoio ao futebol feminino.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cOs campeonatos n\u00e3o s\u00e3o mostrados em um hor\u00e1rio que a gente possa assistir. Um jogo feminino passa \u00e0s tr\u00eas horas da tarde, ent\u00e3o n\u00e3o consigo assistir. O masculino \u00e9 em que hor\u00e1rio? Domingo \u00e0 tarde\u201d, pontua. E acrescenta que a Copa do Mundo Feminina de 2027, que acontecer\u00e1 no Brasil, n\u00e3o est\u00e1 tendo a divulga\u00e7\u00e3o que merece.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Apesar dos percal\u00e7os, Leila e as meninas do Salve Quebrada mant\u00eam viva a esperan\u00e7a de transformar vidas por meio do esporte e da cultura. Isso se torna vis\u00edvel, por exemplo, no senso de coletividade das participantes.<\/p>\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Servi\u00e7o<\/h3>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para conhecer mais sobre a iniciativa ou descobrir como apoi\u00e1-la de alguma forma, vale acessar o perfil do <a aria-label=\" (opens in a new tab)\" href=\"https:\/\/www.instagram.com\/salvequebrada.oficial\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\" class=\"ek-link\">Salve Quebrada<\/a> e de <a aria-label=\" (opens in a new tab)\" href=\"https:\/\/www.instagram.com\/leila.salvequebrada\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\" class=\"ek-link\">Leila<\/a>.<\/p>\n<\/p><\/div>\n<p><script async src=\"\/\/www.instagram.com\/embed.js\"><\/script><br \/>\n<br \/><br \/>\n<br \/><a href=\"https:\/\/nosmulheresdaperiferia.org.br\/projeto-leva-futebol-de-rua-para-meninas-e-transforma-o-direito-de-ocupar-a-cidade\/\">Tribunal Bras\u00edlia <\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Num domingo \u00e0 tarde, em 2017, Leila e sua esposa Vanessa sa\u00edram da zona sul de S\u00e3o Paulo (SP), onde moravam, para a zona norte, a fim de participar de um evento no barrac\u00e3o de uma escola de samba. 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