{"id":29367,"date":"2026-08-20T01:27:38","date_gmt":"2026-08-20T04:27:38","guid":{"rendered":"https:\/\/portaldrysousa.com.br\/?p=29367"},"modified":"2026-08-20T01:27:38","modified_gmt":"2026-08-20T04:27:38","slug":"benzedeiras-preservam-ancestralidade-e-tradicao-popular","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/portaldrysousa.com.br\/?p=29367","title":{"rendered":"benzedeiras preservam ancestralidade e tradi\u00e7\u00e3o popular"},"content":{"rendered":"\n<div>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nas m\u00e3os, adornadas pelas marcas do tempo, seguram ramos de folhas. Na voz, movida por sabedoria e viv\u00eancias m\u00faltiplas, entoam palavras de f\u00e9. As benzedeiras, geralmente mulheres mais velhas e negras, carregam em si a beleza da ancestralidade, o dom da cura e o poder de afastar os males que atormentam quem as procura.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Neste Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha, celebrado em 25 de julho, o <strong>N\u00f3s, mulheres da periferia<\/strong> reverencia essas figuras que det\u00eam o dom de benzer, e que fazem da reza um instrumento de cura.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Entre os males que elas afastam, est\u00e3o quest\u00f5es que afligem o corpo e a mente, e que no mundo das benzedeiras ganham nomes singulares, como quebrante, bucho virado, lombriga, assustado, mal-jeito, cobreiro, sol da cabe\u00e7a e espinhela ca\u00edda.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">N\u00e3o h\u00e1 manual de benzimento, mas as rezadeiras costumam usar elementos comuns em seus atendimentos. \u00c9 o caso de ramos de plantas, como arruda e alecrim; \u00e1gua benta; crucifixo; ter\u00e7o; cachimbo; panos e linhas. Geralmente associadas ao catolicismo popular, como informa um <a href=\"https:\/\/wikifavelas.com.br\/index.php\/Rezadeiras_e_Benzadeiras\">verbete<\/a> no Dicion\u00e1rio de Favelas Marielle Franco, as benzedeiras usam elementos e tradi\u00e7\u00f5es vinculadas aos saberes ancestrais das culturas ind\u00edgenas e africanas.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Apesar das diferen\u00e7as nos m\u00e9todos, est\u00e3o unidas pelas pr\u00e1ticas da reza e pela f\u00e9 na cura. Entre essas figuras est\u00e1 Maria da Concei\u00e7\u00e3o Pereira Marques, ou apenas Dona Concei\u00e7\u00e3o. Aos 75 anos de idade, carrega h\u00e1 d\u00e9cadas o dom de benzer e de afastar os males.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cEu te atendo, te falo tudo, te rezo e j\u00e1 tenho a certeza absoluta de que voc\u00ea vai melhorar. Nunca penso que n\u00e3o vai melhorar. Desde pequena eu sou assim, alegre e otimista, isso a\u00ed j\u00e1 \u00e9 de ber\u00e7o\u201d, diz.<\/p>\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Dona Concei\u00e7\u00e3o\u00a0<\/h3>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Usando brincos perolados, uma lace loira e uma blusa rosa com cora\u00e7\u00f5ezinhos pretos, Dona Concei\u00e7\u00e3o conta que gosta de ser vista como uma pessoa popular, e n\u00e3o propriamente a partir do imagin\u00e1rio acerca de como deve ser uma benzedeira. Sempre foi cat\u00f3lica, mas n\u00e3o daquelas fervorosas. Gosta de conversar com Deus, sem a obriga\u00e7\u00e3o de cumprir os ritos da religi\u00e3o.<\/p>\n<div class=\"post-image my-5 mx-auto mw-100\">\n            <picture><source media=\"(max-width: 799px)\" srcset=\"https:\/\/nosmulheresdaperiferia.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/Dona-Conceicao-02-fotor-20260724125341.png\"><source media=\"(min-width: 800px)\" srcset=\"https:\/\/nosmulheresdaperiferia.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/Dona-Conceicao-02-fotor-20260724125341.png\"><\/source><\/source><\/picture>\n<\/div>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O dom de benzer veio aos 28 anos de idade, quando passava por um momento dif\u00edcil na condu\u00e7\u00e3o do lar, onde vivia com o marido e os dois filhos. Al\u00e9m das dificuldades financeiras, se sentia insatisfeita com a vida, queria fazer algo mais \u00fatil, mais concreto. Por\u00e9m, n\u00e3o sabia o que seria isso.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Resolveu ent\u00e3o pedir a Deus um caminho, uma resposta. Achou um livrinho de ora\u00e7\u00e3o antigo e fez suas preces. No dia seguinte, ao chegar do trabalho \u2013 um antiqu\u00e1rio que vendia j\u00f3ias \u2013 e ver que as crian\u00e7as estavam bagun\u00e7ando, foi at\u00e9 o banheiro \u2013 o lugar mais calmo para fazer suas ora\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quando come\u00e7ou a rezar, o local foi tomado por uma luz azul clara e uma voz n\u00edtida que dizia ser a do anjo Gabriel. Ali, o anjo a informou que Deus estava atendendo aos seus pedidos, tirando suas perturba\u00e7\u00f5es e lhe dando o dom da profecia.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Dona Concei\u00e7\u00e3o ficou assustada, mas acreditou em cada palavra. No dia seguinte, quando chegou ao trabalho, chamou os colegas e pediu para que lhes perguntassem coisas sobre suas vidas, \u00e0s quais ela respondia com a certeza vinda do dom da profecia.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Neste mesmo dia, por volta das 11h, fez seu primeiro benzimento. Foi em uma senhora que vivia com uma ferida na perna que nunca curava. Os dizeres da reza vieram de maneira natural. No final da semana, a senhora estava livre da ferida.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A partir da\u00ed a not\u00edcia sobre o dom de Dona Concei\u00e7\u00e3o foi se espalhando. Houve um per\u00edodo em que, ao chegar do trabalho, havia uma fila de pessoas na frente da sua casa \u2013 no Jardim D\u2019abril, em S\u00e3o Paulo (SP) \u2013 esperando por benzimento. Para atender a todos, benzia at\u00e9 de madrugada.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nessas d\u00e9cadas de pr\u00e1tica como rezadeira, j\u00e1 atendeu pessoas de todas as camadas sociais, com queixas diversas. E em todos os casos, tem a certeza de que a pessoa vai melhorar.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cTe desato as cordas. Tiro todas as cordas que te levam a sofrer, a ficar triste. Eu solto a pessoa completamente\u201d, explica.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No in\u00edcio, n\u00e3o aceitava dinheiro pelos benzimentos. Mas com o tempo, passou a aceitar contribui\u00e7\u00f5es volunt\u00e1rias que s\u00e3o usadas nas a\u00e7\u00f5es sociais que realiza em sua comunidade. Na sua festa de Natal realizada todos os anos, recebe dezenas de pessoas.<\/p>\n<div class=\"post-image my-5 mx-auto mw-100\">\n            <picture><source media=\"(max-width: 799px)\" srcset=\"https:\/\/nosmulheresdaperiferia.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/Dona-Conceicao-03-fotor-20260724125519-1024x576.png\"><source media=\"(min-width: 800px)\" srcset=\"https:\/\/nosmulheresdaperiferia.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/Dona-Conceicao-03-fotor-20260724125519-1024x576.png\"><\/source><\/source><\/picture>\n<\/div>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Dona Concei\u00e7\u00e3o n\u00e3o usa ramos ou objetos para benzer. Faz suas rezas enquanto movimenta as m\u00e3os, de onde, segundo ela, vem o poder de cura. Al\u00e9m disso, n\u00e3o faz exig\u00eancias para os pacientes. \u201cEu n\u00e3o posso de jeito nenhum dar regras para voc\u00ea, sen\u00e3o eu estou invadindo, estou proibindo voc\u00ea de aprender. Voc\u00ea tem que aprender pelo seu dia a dia\u201d, diz.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Questionada sobre o que significa ser uma benzedeira, ela responde que n\u00e3o h\u00e1 mist\u00e9rio. \u201cO benzer \u00e9 voc\u00ea querer bem ao ser humano. Isso j\u00e1 \u00e9 uma maneira de rezar e de representar humildemente aquilo que Deus quer\u201d, diz.<\/p>\n<h3 class=\"wp-block-heading\">A pr\u00e1tica do benzer\u00a0<\/h3>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A pr\u00e1tica do benzer atravessa gera\u00e7\u00f5es. As benzedeiras existem desde o per\u00edodo colonial, junto a outras pr\u00e1ticas religiosas e m\u00e9dicas populares, conforme aponta o <a href=\"https:\/\/www.scielo.br\/j\/pcp\/a\/bKCy6WKB3fb3TbZwWPK7DZw\/?format=html&amp;lang=pt\" target=\"_blank\" aria-label=\" (opens in a new tab)\" rel=\"noreferrer noopener\" class=\"ek-link\">artigo<\/a> \u201cDesfazendo o \u2018Mau-olhado\u2019: Magia, Sa\u00fade e Desenvolvimento no Of\u00edcio das Benzedeiras\u201d, Isso se explica pela precariedade dos servi\u00e7os de sa\u00fade \u00e0 \u00e9poca, com poucos m\u00e9dicos e pouca estrutura hospitalar, aliada ao sincretismo religioso entre diferentes povos.\u00a0<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O rito do benzer, apesar das varia\u00e7\u00f5es, tende a come\u00e7ar com uma conversa entre a benzedeira e a pessoa atendida, para saber quais os males precisam ser tratados. Em seguida, a senhora come\u00e7a a fazer suas rezas e usar os elementos de benzimento. Por fim, ela pode indicar algumas recomenda\u00e7\u00f5es para o paciente, como tomar banho com alguma erva, por exemplo.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ao mesmo tempo em que \u00e9 visto como um dom, o benzimento tamb\u00e9m pode ser aprendido. Os autores do artigo entrevistaram dez benzedeiras que vivem em cidades do interior dos estados de S\u00e3o Paulo e Minas Gerais. \u201cA maioria relatou a transmiss\u00e3o do of\u00edcio a partir de um familiar, destacando a pr\u00e1tica da benze\u00e7\u00e3o como algo que pode ser ensinado, aprendido e transmitido por meio da tradi\u00e7\u00e3o oral. Mesmo assim, o of\u00edcio tamb\u00e9m \u00e9 compreendido como um dom inato que atravessa o desenvolvimento, o que requer dedica\u00e7\u00e3o, paci\u00eancia e abnega\u00e7\u00e3o\u201d, escrevem.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Al\u00e9m disso, essas personagens est\u00e3o inseridas no universo da medicina popular e da tradi\u00e7\u00e3o religiosa, sendo muito respeitadas pela comunidade em que vivem. \u201cO enfermo que a procura acredita que ela tem o \u2018dom\u2019 de curar, pois o recebeu de Deus. A opini\u00e3o coletiva refor\u00e7a a cren\u00e7a no poder de cura das benzedeiras, pois a pr\u00e1tica da benze\u00e7\u00e3o faz parte das tradi\u00e7\u00f5es culturais do grupo e tem efic\u00e1cia simb\u00f3lica para seus membros\u201d, l\u00ea-se na <a href=\"https:\/\/repositorio.ufrn.br\/server\/api\/core\/bitstreams\/cc703ec2-1193-4263-90f5-20bfeb576f92\/content\" target=\"_blank\" aria-label=\" (opens in a new tab)\" rel=\"noreferrer noopener\" class=\"ek-link\">tese de doutorado<\/a> \u201cAben\u00e7oada cura: po\u00e9ticas da voz e saberes de benzedeiras\u201d.<\/p>\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Exposi\u00e7\u00e3o Benza\u00a0<\/h3>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Karen Lima lembra com carinho das vezes em que, quando crian\u00e7a, seus pais a levavam para ser benzida. Isso acontecia em casas simples, onde moravam mulheres igualmente humildes, mas dotadas de um dom grandioso.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cEu lembro dessa senhora misteriosa que pegava folhas e batia em mim. Eu ficava encantada com a folha que estava verde e viva, e quando ela passava em mim, ficava murcha. Eu via aquilo quase como uma magia, um encantamento, um mist\u00e9rio\u201d, conta.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">J\u00e1 adulta, a fot\u00f3grafa e jornalista transformou esse encantamento na exposi\u00e7\u00e3o de fotos chamada <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/exposicao.benza\/\" target=\"_blank\" aria-label=\" (opens in a new tab)\" rel=\"noreferrer noopener\" class=\"ek-link\">Benza<\/a>. O projeto, que inclui uma <a href=\"https:\/\/valetourvirtual.com\/expobenza\/?utm_source=ig&amp;utm_medium=social&amp;utm_content=link_in_bio&amp;fbclid=PAZXh0bgNhZW0CMTEAc3J0YwZhcHBfaWQPOTM2NjE5NzQzMzkyNDU5AAGnCKCGO6cDEtA3qvi_DOfy4dObjqs9mglvHldoUWK2s_UQn8CBKv1C-AlGvLo_aem_ZpvMl2qgQ72_4zWqUH2wTQ\" target=\"_blank\" aria-label=\" (opens in a new tab)\" rel=\"noreferrer noopener\" class=\"ek-link\">mostra virtual<\/a>, re\u00fane imagens de cinco benzedeiras do sert\u00e3o de Pernambuco que carregam, em si, saberes antigos: M\u00e3e Joana,\u00a0 da Comunidade Concei\u00e7\u00e3o das Crioulas, em Salgueiro; Rita Pankar\u00e1 e Dona Terezinha, em Oroc\u00f3; Dona Teinha, em Floresta; e M\u00e3e Neide, em Petrolina.<\/p>\n<div class=\"nos-galeria position-relative my-5\">\n<div class=\"d-flex\">\n<div class=\"gal-ajuste mt-3 mt-md-0\">\n<p class=\"titulo m-0 text-uppercase mb-2\">GALERIA <span class=\"here\">1<\/span>\/3<\/p>\n<div class=\"nos-galeria__slider\">\n<div class=\"slide\">\n<div class=\"text-center\">\n                                <picture><\/picture>\n                            <\/div>\n<div class=\"legenda-credito mt-2\">\n<p class=\"m-0\">Exposi\u00e7\u00e3o Benza \t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<span>\u00a9 Karen Lima<\/span>                                    <\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"slide\">\n<div class=\"text-center\">\n                                <picture><\/picture>\n                            <\/div>\n<div class=\"legenda-credito mt-2\">\n<p class=\"m-0\">Karen Lima \u00e9 idealizadora da exposi\u00e7\u00e3o Benza\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<span>\u00a9  Mylene Ferreira<\/span>                                    <\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"slide\">\n<div class=\"text-center\">\n                                <picture><\/picture>\n                            <\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Karen Lima destaca que as rezadeiras carregam uma import\u00e2ncia cultural, religiosa e de sa\u00fade. \u201cEm muitos casos, as rezadeiras eram as primeiras ou as \u00faltimas pessoas a quem se recorria. As primeiras, porque numa comunidade pequena, sem acesso a rem\u00e9dios e m\u00e9dicos, as pessoas iam at\u00e9 elas para procurar socorro. E as \u00faltimas, porque quanto voc\u00ea j\u00e1 tentou de tudo para resolver um problema e acredita que n\u00e3o tem mais jeito, vai at\u00e9 uma rezadeira, porque pode ser algo espiritual\u201d, explica.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A fot\u00f3grafa pontua a relev\u00e2ncia de manter vivo esse legado atrav\u00e9s de iniciativas como a mostra Benza. \u201cA tradi\u00e7\u00e3o das rezadeiras est\u00e1 se perdendo, porque elas est\u00e3o envelhecendo. Ent\u00e3o, \u00e9 importante resgatar essa mem\u00f3ria e mostrar a import\u00e2ncia dessa tradi\u00e7\u00e3o, para que ela n\u00e3o seja esquecida e para mostrar que, apesar disso, ainda existem mulheres que benzem\u201d.<\/p>\n<\/p><\/div>\n<p><script async src=\"\/\/www.instagram.com\/embed.js\"><\/script><br \/>\n<br \/><br \/>\n<br \/><a href=\"https:\/\/nosmulheresdaperiferia.org.br\/a-fe-que-cura-benzedeiras-preservam-ancestralidade-e-tradicao-popular\/\">Tribunal Bras\u00edlia <\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nas m\u00e3os, adornadas pelas marcas do tempo, seguram ramos de folhas. Na voz, movida por sabedoria e viv\u00eancias m\u00faltiplas, entoam palavras de f\u00e9. As benzedeiras, geralmente mulheres mais velhas e negras, carregam em si a beleza da ancestralidade, o dom da cura e o poder de afastar os males que atormentam quem as procura. 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