{"id":29365,"date":"2026-08-20T00:38:57","date_gmt":"2026-08-20T03:38:57","guid":{"rendered":"https:\/\/portaldrysousa.com.br\/?p=29365"},"modified":"2026-08-20T00:38:57","modified_gmt":"2026-08-20T03:38:57","slug":"o-rock-que-atravessa-raca-classe-e-pertencimento","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/portaldrysousa.com.br\/?p=29365","title":{"rendered":"O rock que atravessa ra\u00e7a, classe e pertencimento"},"content":{"rendered":"\n<div>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para esta coluna, conversei com pessoas para quem o rock das quebradas e do interior das cidades foi parte da constru\u00e7\u00e3o e da compreens\u00e3o da m\u00fasica como for\u00e7a de transforma\u00e7\u00e3o. S\u00e3o shows, podcasts, livros, encontros, exposi\u00e7\u00f5es, document\u00e1rios, di\u00e1logos e movimentos que come\u00e7am no som e se expandem, formando um corpo pol\u00edtico e cultural.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Conversei com a artista visual, fot\u00f3grafa e escritora <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/daisy_aserena\/\">Daisy Serena<\/a>; com os integrantes da banda afro-brasileira de punk rock <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/punho_de_mahin\/\">Punho de Mahin<\/a>; e o com o produtor e editor <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/rodrigoxcorrea\/\"><strong>Rodrigo Corr\u00eaa<\/strong><\/a>, idealizador do podcast <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/balancoefuria\/\"><em>Balan\u00e7o e F\u00faria<\/em> <\/a>e da editora <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/sobinfluencia\/\">Sobinflu\u00eancia<\/a>.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Come\u00e7o pela hist\u00f3ria da artista visual Daisy Serena, que foi adotada por uma fam\u00edlia mergulhada em sonoridade e tamb\u00e9m em cuidado paterno. Refer\u00eancias de rock mel\u00f3dico como Creedence, Dire Straits, Paul Simon e Elton John formaram a trilha do seu crescimento.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Era um rock comportado, ligado \u00e0 vida de um oper\u00e1rio da Embraer e \u00e0s greves da f\u00e1brica. Ainda assim, a aus\u00eancia de uma politiza\u00e7\u00e3o sindical mais profunda permitiu que ele fosse facilmente capturado por um imagin\u00e1rio conservador do interior paulista.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cMas havia uma inquieta\u00e7\u00e3o constante. Eu n\u00e3o entendia por que aquele conservadorismo me apertava tanto. Ser uma jovem negra, adotada por pais brancos, numa classe m\u00e9dia baixa de bairro oper\u00e1rio, me dava essa sensa\u00e7\u00e3o dupla de pertencimento e n\u00e3o-lugar\u201d, relata.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nascida na d\u00e9cada de 90 viveu o movimento do skate, o Hangar 110, o new metal, o vinho barato na pra\u00e7a, os agrupamentos punk na Casa da Juventude ao lado do cemit\u00e9rio de S\u00e3o Jos\u00e9 dos Campos, no interior de S\u00e3o Paulo. Foi ali que viu, pela primeira vez, uma mulher negra tocando rock: a baterista da banda C\u00f3lica.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Daisy n\u00e3o entendia a pol\u00edtica por dentro do punk. Faltava base, leitura, conversa. A uni\u00e3o se dava pelo som, pelo bate-cabe\u00e7a, pela contraven\u00e7\u00e3o aos pais \u2018certinhos demais\u2019. \u201cGrit\u00e1vamos palavras de ordem sem saber nomear teorias. As minas sem saber de feminismo, se fortaleceram no coro: \u2018Punk rock n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 pro seu namorado\u2019.\u201d, conta, fazendo refer\u00eancia ao trecho da m\u00fasica \u201cPunk Rock\u201d, da banda punk e feminista Bulimia.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cMais tarde, entendi que eu \u2018n\u00e3o sou uma punk negra; sou uma mulher negra que gosta de punk\u2019\u201d, reflete a artista.<\/p>\n<div class=\"post-image my-5 mx-auto mw-100\">\n            <picture><source media=\"(max-width: 799px)\" srcset=\"https:\/\/nosmulheresdaperiferia.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/Daisy-Serena-1-12-08-2026-17-00-08-1024x685.jpeg\"><source media=\"(min-width: 800px)\" srcset=\"https:\/\/nosmulheresdaperiferia.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/Daisy-Serena-1-12-08-2026-17-00-08-1024x685.jpeg\"><\/source><\/source><\/picture>\n<\/div>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A hist\u00f3ria de Daisy tamb\u00e9m dialoga com a minha. Minha aproxima\u00e7\u00e3o entre m\u00fasica e artes visuais percorreu caminhos semelhantes. Atrav\u00e9s da fotografia, com os primeiros registros de corpos; as meias arrast\u00e3o no Fotolog, declarando imageticamente sua ideologia. Depois, seu olhar se voltou para quem n\u00e3o estava na capa: grupos de teatro da periferia, dan\u00e7arinas e dan\u00e7arinos pretos, o in\u00edcio da Aparelha Luzia. Hoje, Daysi acompanha grupos que admira e com quem construiu amizade, como R\u00e1dio Di\u00e1spora e Punho de Mahin.<\/p>\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>M\u00fasica: linguagem e m\u00e9todo<\/strong><\/h2>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">J\u00e1 para Rodrigo Corr\u00eaa, a m\u00fasica \u00e9 um ponto de partida epistemol\u00f3gico. O que ele v\u00ea, discute e milita passa por um filtro sonoro. Ele sempre se viu como uma pessoa do som e, atrav\u00e9s dele, tudo se conectou.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Por isso, a editora Sobinflu\u00eancia e o podcast <em>Balan\u00e7o e F\u00faria<\/em> s\u00e3o extens\u00f5es desse lugar onde texto e melodia se misturam, mas o aud\u00edvel segue como refer\u00eancia central.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Rodrigo conta que, quando a m\u00fasica chega at\u00e9 ele, chega cheia de camadas: pol\u00edtica, liter\u00e1ria, art\u00edstica e tamb\u00e9m banal \u2014 porque era nos sons que ele encontrava as pessoas do cotidiano, gente que ele conhecia e que fazia can\u00e7\u00f5es falando da pr\u00f3pria vida.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cQuando comecei a me conectar com esse universo, eu me via num lugar de articula\u00e7\u00e3o aparentemente comum, mas potente. Depois entendi que havia gente no mundo todo fazendo algo parecido; isso me fez sentir parte de algo maior, parte do mundo, mesmo com todas as dificuldades\u201d, conta Rodrigo.<\/p>\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Punho de Mahin<\/strong><\/h2>\n<div class=\"post-image my-5 mx-auto mw-100\">\n            <picture><source media=\"(max-width: 799px)\" srcset=\"https:\/\/nosmulheresdaperiferia.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/Luiza-Mahin.jpeg\"><source media=\"(min-width: 800px)\" srcset=\"https:\/\/nosmulheresdaperiferia.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/Luiza-Mahin.jpeg\"><\/source><\/source><\/picture>\n<\/div>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em uma din\u00e2mica um pouco diferente, a banda de punk preto Punho de Mahin, que tocou no The Town, em 2025, vive a m\u00fasica tamb\u00e9m como parte de um trabalho que gera renda de modo mais direto.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A banda come\u00e7ou em 2018, no ABC paulista, com a uni\u00e3o de Camila e Nat\u00e1lia, que, ao convidarem os outros integrantes, perceberam imediatamente que eram pessoas negras em uma banda mista. E isso importava.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Al\u00e9m de fazer punk rock, a banda compreende que \u00e9 necess\u00e1rio falar sobre o que vivem e acreditam. Suas composi\u00e7\u00f5es e shows levam Lu\u00edza Mahin como figura revolucion\u00e1ria para guiar o nome da banda. Al\u00e9m da m\u00fasica, o grupo busca trocar com o p\u00fablico sobre educa\u00e7\u00e3o, resgatar figuras negras fundamentais da hist\u00f3ria do Brasil e discutir essas contribui\u00e7\u00f5es para a forma\u00e7\u00e3o do Pa\u00eds.<\/p>\n<div class=\"box-explicacao d-flex flex-column flex-md-row\">\n<div class=\"explicacao align-self-start mt-4 mt-md-0 mx-5 mx-md-0\">\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Lu\u00edza Mahin, mulher negra alforriada do s\u00e9culo XIX na Bahia, \u00e9 reconhecida por seu envolvimento nas lutas de resist\u00eancia negra no Brasil.<\/span><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Aquilombamento e forma\u00e7\u00e3o<\/strong><\/h2>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Al\u00e9m de formatos como a banda Punho de Mahin, trabalhos fotogr\u00e1ficos como os da artista visual Daisy e do produtor Rodrigo trazem novas percep\u00e7\u00f5es de mundo.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Alguns encontros geracionais e geogr\u00e1ficos, especialmente entre pessoas negras e ind\u00edgenas, parecem hoje mais acess\u00edveis gra\u00e7as \u00e0 internet e aos aplicativos. Chegam aos nossos ouvidos rappers como Katumirim e Brisa Flow, ou bandas como Black Pantera e MC Taya, que mistura funk e rock.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Sobre essa mistura de musicalidade e instrumentos, Daisy acredita que hoje \u00e9 mais percept\u00edvel e mais livre incorporar elementos como atabaque, berimbau e samples diversos, especialmente no Brasil. Mas isso tamb\u00e9m tem rela\u00e7\u00e3o com o tempo em que vivemos.<\/p>\n<div class=\"post-image my-5 mx-auto mw-100\">\n            <picture><source media=\"(max-width: 799px)\" srcset=\"https:\/\/nosmulheresdaperiferia.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/PUNHO-DE-MAHIN_Por-Uly-Nogueira2-866x1024.jpeg\"><source media=\"(min-width: 800px)\" srcset=\"https:\/\/nosmulheresdaperiferia.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/PUNHO-DE-MAHIN_Por-Uly-Nogueira2-866x1024.jpeg\"><\/source><\/source><\/picture>\n<\/div>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Se pensarmos que Bad Brains transitou do punk para o reggae sem pedir permiss\u00e3o, percebemos que, para muitas popula\u00e7\u00f5es negras, o som preto \u00e9 m\u00faltiplo por natureza. A gente navega entre ritmos sem culpa, e com propriedade.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Natalia, da banda Punho de Mahin acrescenta que, mesmo sendo uma banda punk, j\u00e1 trazia elementos como o atabaque e o berimbau. Antes disso, o baterista Paulo j\u00e1 batucava na bateria de um jeito pr\u00f3prio, e eles ouviam coment\u00e1rios sobre isso.<\/p>\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A banda refor\u00e7a que, em qualquer ambiente, assumir-se como pessoa negra j\u00e1 pode incomodar algu\u00e9m. Incorporar elementos afro \u00e9 natural para eles, n\u00e3o \u00e9 um desafio interno, porque qualquer movimento da banda j\u00e1 \u00e9, por si s\u00f3, um desafio aceito.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O retorno que recebem, de seguran\u00e7as das casas de show a funcion\u00e1rios, \u00e9 imenso. A ideia n\u00e3o \u00e9 reviver dores, mas ampliar o di\u00e1logo e a voz para quem se identifica.<\/p>\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Pertencer tamb\u00e9m \u00e9 resist\u00eancia<\/strong><\/h2>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Eu, como autora desta coluna, quando penso nas discuss\u00f5es e trocas sobre ra\u00e7a e classe nos espa\u00e7os da m\u00fasica, vejo mudan\u00e7as a partir da minha viv\u00eancia enquanto p\u00fablico, e isso \u00e9 muito especial. \u00c0s vezes penso em como teria sido minha experi\u00eancia adolescente nesses espa\u00e7os hoje.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Rodrigo conta que, especialmente a partir de sua viv\u00eancia interiorana, as diferen\u00e7as existiam, embora nem sempre em conflitos abertos. Os subg\u00eaneros mostravam separa\u00e7\u00f5es, entre quem ouvia bandas nacionais e quem preferia Nova York, por exemplo.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A presen\u00e7a de pessoas negras era pequena. E, quando voc\u00ea \u00e9 jovem e repudia o racismo, nem sempre percebe que tamb\u00e9m pode estar reproduzindo certas coisas.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Com o debate mais aberto, especialmente depois de 2013, Rodrigo diz que isso mudou. Pessoas negras passaram a ocupar esses espa\u00e7os com mais firmeza, e o p\u00fablico negro, perif\u00e9rico e feminino teve papel fundamental nesse processo.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">J\u00e1 a Punho de Mahin, por muito tempo, via uma din\u00e2mica de exclus\u00e3o. \u201cParecia que, \u00e0s vezes, precis\u00e1vamos nos encaixar num molde branco.\u201d Hoje, por\u00e9m, existe um movimento de aquilombamento, de se reconhecer e se aproximar. Cobrar responsabilidade tamb\u00e9m \u00e9 necess\u00e1rio: machismo, racismo e outros preconceitos precisam ser enfrentados, mesmo entre aqueles que dizem querer mudar o mundo.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Essa parte do di\u00e1logo com todos os entrevistados me fez pensar em como vivemos em um mundo atravessado por processos que nos ensinam a buscar r\u00f3tulos e padr\u00f5es, o que faz com que at\u00e9 mesmo espa\u00e7os de luta estejam ocupados por pessoas em constante transforma\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Essas conversas mostram que nem mesmo os espa\u00e7os de contesta\u00e7\u00e3o est\u00e3o livres de reproduzir desigualdades. A diferen\u00e7a est\u00e1 na disposi\u00e7\u00e3o para rev\u00ea-las coletivamente.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Por isso, falamos tamb\u00e9m sobre o que essa cena, rock, punk e hardcore, nos fortaleceu. Quais frutos e contribui\u00e7\u00f5es levamos para a vida, fam\u00edlia, cotidiano e trabalho?<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para Daysi, mudar de S\u00e3o Jos\u00e9 dos Campos para a capital paulista, mesmo t\u00e3o perto, foi um processo duro e solit\u00e1rio. Foi s\u00f3 depois de tr\u00eas anos em SP que ela se reconheceu como pessoa negra, e apenas depois de cinco se sentiu pertencente a um grupo que se expandiu muito por meio do teatro anticapitalista e da aproxima\u00e7\u00e3o com pessoas negras.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Daysi acrescenta: \u201cMeu projeto pessoal ainda estava guardado. Em 2022, resgatei um texto sobre as Sista Grrrl Riot. Quando escrevi, em 2016, eu era a \u00fanica falando disso em portugu\u00eas, ent\u00e3o deixei o texto escondido\u201d.<\/p>\n<p>A fot\u00f3grafa e escritora relembra quando retomou o texto de T\u00e2nia Selles, da p\u00e1gina Sopa Alternativa e sua percep\u00e7\u00e3o sobre que algo estava crescendo ainda que tardiamente. \u201cFalei sobre isso no podcast <em>Balan\u00e7o e F\u00faria<\/em> \u2014 que admiro profundamente \u2014 e, naquele mesmo ano, fotografei a R\u00e1dio Di\u00e1spora pela primeira vez. Ali mudou tudo: percebi outra forma de dizer minhas poesias ao mundo.\u201d<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para Rodrigo, tudo \u00e9 atravessado pela classe \u2014 at\u00e9 adultos e crian\u00e7as. Ele olha para quem era no interior, muito jovem, e v\u00ea que aquele lugar de autoestima e aceita\u00e7\u00e3o o ensinou a fazer parte de um circuito em que a troca era comunit\u00e1ria: visitar a casa dos outros, receber pessoas\u2026 O fa\u00e7a-voc\u00ea-mesmo na pr\u00e1tica.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Por um tempo houve a preocupa\u00e7\u00e3o de parecer com o Norte global ou com a Europa. Hoje, especialmente depois da pandemia, isso mudou. As bandas e o p\u00fablico olham para o mundo de outro jeito. As lutas \u2014 de g\u00eanero, de moradia, antirracistas \u2014 aparecem de modo muito mais aberto. A forma comunit\u00e1ria ensinou que, mesmo sem dinheiro, era poss\u00edvel desenvolver ideias. Isso mant\u00e9m Rodrigo ativo na atualidade, assim como a editora Sobinflu\u00eancia e o podcast <em>Balan\u00e7o e F\u00faria<\/em>, que s\u00e3o frutos desse percurso.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em algumas fam\u00edlias ainda h\u00e1 d\u00favidas sobre viver de arte \u2014 e isso tamb\u00e9m aconteceu com membros da Punho de Mahin. Para seus pais, em certos momentos, isso era impens\u00e1vel: a expectativa era que fosse, no m\u00e1ximo, um hobby.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quando eram jovens, os membros queriam estar nos shows. O sentido pol\u00edtico veio com a maturidade. Hoje acreditam que as novas gera\u00e7\u00f5es passam por algo parecido \u2014 e isso tamb\u00e9m os motiva: \u201cHoje entendemos a import\u00e2ncia do nosso trabalho e vemos a aproxima\u00e7\u00e3o intergeracional acontecendo. Algumas pessoas olham para n\u00f3s e se veem.<\/p>\n<\/p><\/div>\n<p><script async src=\"\/\/www.instagram.com\/embed.js\"><\/script><br \/>\n<br \/><br \/>\n<br \/><a href=\"https:\/\/nosmulheresdaperiferia.org.br\/o-rock-que-atravessa-raca-classe-e-pertencimento\/\">Tribunal Bras\u00edlia <\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Para esta coluna, conversei com pessoas para quem o rock das quebradas e do interior das cidades foi parte da constru\u00e7\u00e3o e da compreens\u00e3o da m\u00fasica como for\u00e7a de transforma\u00e7\u00e3o. S\u00e3o shows, podcasts, livros, encontros, exposi\u00e7\u00f5es, document\u00e1rios, di\u00e1logos e movimentos que come\u00e7am no som e se expandem, formando um corpo pol\u00edtico e cultural. 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