{"id":29363,"date":"2026-08-20T00:11:00","date_gmt":"2026-08-20T03:11:00","guid":{"rendered":"https:\/\/portaldrysousa.com.br\/?p=29363"},"modified":"2026-08-20T00:11:00","modified_gmt":"2026-08-20T03:11:00","slug":"a-mulher-que-fez-a-lei-valer-pela-primeira-vez","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/portaldrysousa.com.br\/?p=29363","title":{"rendered":"a mulher que fez a lei valer pela primeira vez"},"content":{"rendered":"\n<div>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em setembro de 2006, dias depois de a Lei Maria da Penha entrar em vigor, a advogada Lucidalva Nascimento recebeu na sede do Centro das Mulheres do Cabo, na cidade de Cabo de Santo Agostinho (PE), uma mulher chamada <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/reel\/DblsRHTAicb\/\" target=\"_blank\" aria-label=\" (opens in a new tab)\" rel=\"noreferrer noopener\" class=\"ek-link\">Cileide Silva<\/a>. Ela relatou que sofria viol\u00eancia do marido. Foi acolhida e questionada se gostaria de ir at\u00e9 a delegacia denunci\u00e1-lo. Disse que n\u00e3o estava pronta. Dias depois, sofreu novas agress\u00f5es e decidiu denunciar o agressor.\u00a0<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Lucidalva acompanhou Cileide at\u00e9 a delegacia e exigiu que o caso fosse enquadrado na ent\u00e3o rec\u00e9m-sancionada Lei Maria da Penha. Os policiais alegaram que a lei ainda n\u00e3o estava valendo, mas Lucidalva mostrou que j\u00e1 havia passado o per\u00edodo de vac\u00e2ncia (prazo de adapta\u00e7\u00e3o para uma nova lei come\u00e7ar a valer).<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A v\u00edtima foi encaminhada para o exame de corpo de delito e recebeu medidas protetivas de urg\u00eancia contra o agressor, que foi preso. O caso de Cileide \u00e9 reconhecido por institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas de Pernambuco como a primeira aplica\u00e7\u00e3o da Lei Maria da Penha no pa\u00eds, e Lucidalva \u00e9 apontada como a primeira advogada a requerer a aplica\u00e7\u00e3o da legisla\u00e7\u00e3o. Isso ocorreu pela a\u00e7\u00e3o de uma advogada negra, nordestina e feminista.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cPara mim, foi gratificante ter utilizado a lei para salvar a vida da Cileide. E, agora, 20 anos depois, escuto ela dizer: \u2018a minha vida recome\u00e7ou h\u00e1 20 anos, eu posso usar meu cabelo do jeito que eu quero, ir para onde eu quero, fazer o que eu quero, hoje eu tenho liberdade\u2019. Ent\u00e3o, a Lei Maria da Penha possibilita \u00e0s mulheres essa liberdade t\u00e3o sonhada\u201d, afirma Lucidalva Nascimento, advogada e ativista na defesa dos direitos das mulheres.<\/p>\n<div class=\"post-image my-5 mx-auto mw-100\">\n            <picture><source media=\"(max-width: 799px)\" srcset=\"https:\/\/nosmulheresdaperiferia.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/Lucidalva-Nascimento-682x1024.jpg\"><source media=\"(min-width: 800px)\" srcset=\"https:\/\/nosmulheresdaperiferia.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/Lucidalva-Nascimento-682x1024.jpg\"><\/source><\/source><\/picture>\n<\/div>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Sancionada no dia 7 de agosto de 2006, a Lei Maria da Penha completa 20 anos. A legisla\u00e7\u00e3o mudou radicalmente a forma de enfrentamento \u00e0 viol\u00eancia contra a mulher, sendo reconhecida pela Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU) como uma das tr\u00eas legisla\u00e7\u00f5es mais avan\u00e7adas do mundo no combate \u00e0 viol\u00eancia dom\u00e9stica.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No entanto, os dados de viol\u00eancia ainda s\u00e3o alarmantes, o que demonstra os desafios para a implementa\u00e7\u00e3o da lei. Al\u00e9m disso, as mulheres negras s\u00e3o as mais afetadas por esse cen\u00e1rio.<\/p>\n<h2 class=\"wp-block-heading\">O que mudou com a Lei Maria da Penha<\/h2>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Antes da Lei Maria da Penha, n\u00e3o havia legisla\u00e7\u00e3o espec\u00edfica para tratar da viol\u00eancia de g\u00eanero. A viol\u00eancia dom\u00e9stica era tratada como crime de menor potencial ofensivo e enquadrada na Lei n\u00b0 9.099\/1995, sendo comuns penas reduzidas ao pagamento de cestas b\u00e1sicas ou \u00e0 presta\u00e7\u00e3o de trabalhos comunit\u00e1rios.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O cen\u00e1rio para a cria\u00e7\u00e3o da legisla\u00e7\u00e3o come\u00e7a a se viabilizar em 2001, quando a Comiss\u00e3o Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) responsabilizou o Estado brasileiro por neglig\u00eancia, omiss\u00e3o e toler\u00e2ncia diante da viol\u00eancia dom\u00e9stica, recomendando reformas estruturais no sistema de prote\u00e7\u00e3o \u00e0s mulheres brasileiras.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A decis\u00e3o ocorreu ap\u00f3s den\u00fancia realizada pela farmac\u00eautica cearense Maria da Penha Maia Fernandes, v\u00edtima de agress\u00f5es e tentativas de homic\u00eddio cometidas pelo ent\u00e3o marido, o economista colombiano Marco Ant\u00f4nio Heredia Viveiros.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Com a resolu\u00e7\u00e3o da CIDH, organiza\u00e7\u00f5es da sociedade civil focadas nos direitos das mulheres se mobilizaram para escrever a lei e realizar incid\u00eancia no meio legislativo, buscando garantir sua aprova\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Gra\u00e7as \u00e0s intensas mobiliza\u00e7\u00f5es, a Lei Maria da Penha entrou em vigor, estabelecendo a defini\u00e7\u00e3o de viol\u00eancia dom\u00e9stica e familiar e suas formas: f\u00edsica, psicol\u00f3gica, sexual, patrimonial e moral.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Entre as <a href=\"https:\/\/slateblue-fly-273816.hostingersite.com\/violencia-domestica-9-pontos-para-entender-a-lei-maria-da-penha\/\" target=\"_blank\" aria-label=\" (opens in a new tab)\" rel=\"noreferrer noopener\" class=\"ek-link\">inova\u00e7\u00f5es trazidas pela lei<\/a>, est\u00e3o as medidas protetivas de urg\u00eancia para as v\u00edtimas, que incluem o afastamento do agressor do lar e a proibi\u00e7\u00e3o de contato com a v\u00edtima. A legisla\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m prev\u00ea a cria\u00e7\u00e3o de equipamentos de acolhimento e amparo \u00e0s v\u00edtimas, como Delegacias Especializadas de Atendimento \u00e0 Mulher, Casas-abrigo, Centros de Refer\u00eancia da Mulher e Casas da Mulher Brasileira.\u00a0<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para al\u00e9m da puni\u00e7\u00e3o do agressor, o texto inclui pol\u00edticas p\u00fablicas de preven\u00e7\u00e3o, assist\u00eancia e prote\u00e7\u00e3o \u00e0s v\u00edtimas, bem como a cria\u00e7\u00e3o de programas educacionais com perspectiva de g\u00eanero, ra\u00e7a e etnia. Essas medidas fazem parte de uma rede integrada de enfrentamento \u00e0 viol\u00eancia dom\u00e9stica e familiar.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cA Lei Maria da Penha veio para romper um processo de machismo, racismo e misoginia estrutural. Ela representa um instrumento jur\u00eddico, pedag\u00f3gico e de direitos humanos que coloca a mulher no centro da prote\u00e7\u00e3o de sua dignidade e direitos\u201d, afirma Regina C\u00e9lia Barbosa, cientista pol\u00edtica, cofundadora e vice-presidente do Instituto Maria da Penha.<\/p>\n<div class=\"post-image my-5 mx-auto mw-100\">\n            <picture><source media=\"(max-width: 799px)\" srcset=\"https:\/\/nosmulheresdaperiferia.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/Regina-Celia.webp\"><source media=\"(min-width: 800px)\" srcset=\"https:\/\/nosmulheresdaperiferia.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/Regina-Celia.webp\"><\/source><\/source><\/picture>\n<\/div>\n<h2 class=\"wp-block-heading\">20 anos depois, a lei ainda encontra limites<\/h2>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No entanto, nem tudo que est\u00e1 na letra da lei se efetiva na vida real. Em muitos casos, ao buscar acolhimento e denunciar a viol\u00eancia, as v\u00edtimas encontram profissionais despreparados que minimizam a gravidade da viol\u00eancia. Foi o que aconteceu com Rita (nome fict\u00edcio para preservar a identidade da entrevistada), quando foi a uma Delegacia da Mulher. Ap\u00f3s relatar sua situa\u00e7\u00e3o, ouviu das policiais que n\u00e3o deveria seguir adiante com a den\u00fancia, pois as agress\u00f5es sofridas eram mais verbais do que f\u00edsicas.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cFui aconselhada a deixar quieto, pois iria estragar a vida do<em> alecrim dourado trabalhador<\/em>, que seria preso ao emitir boletim de ocorr\u00eancia e levar adiante\u201d, conta. Diante disso, buscou caminhos alternativos para sair da situa\u00e7\u00e3o de viol\u00eancia.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Conseguiu levar o agressor a consultas com psiquiatra e psic\u00f3logo e, ap\u00f3s ele estar 30 dias medicado, informou o fim do relacionamento. Durante esse per\u00edodo, a \u00fanica ajuda que teve foi do <a href=\"https:\/\/www.mapadoacolhimento.org\/quem-somos\/\" target=\"_blank\" aria-label=\" (opens in a new tab)\" rel=\"noreferrer noopener\" class=\"ek-link\">Mapa do Acolhimento<\/a>, organiza\u00e7\u00e3o que oferece apoio psicol\u00f3gico e jur\u00eddico a mulheres v\u00edtimas de viol\u00eancia. Quem indicou o servi\u00e7o foi uma conhecida do agressor. \u201cMe pergunto quantas mais ela indicou pela agress\u00e3o do amigo\u201d, diz.\u00a0<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quase dois anos ap\u00f3s o ocorrido, Rita segue em acompanhamento com a psic\u00f3loga do Mapa do Acolhimento. Al\u00e9m disso, encontrou formas de sua filha manter contato com o pai de forma pac\u00edfica. \u201cPor\u00e9m, ele jamais poder\u00e1 saber onde moro, com quem moro ou onde trabalho, para evitar conflitos.\u201d<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cA minha vida foi quebrada de uma maneira que n\u00e3o consigo confiar em homem nenhum, n\u00e3o consigo, por mais que eu tente, ver o lado bom deles. Tenho medo de n\u00e3o poder ensinar o verdadeiro sentido do amor para minhas filhas\u201d, relata.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Casos como o de Rita mostram que a exist\u00eancia da lei n\u00e3o garante, por si s\u00f3, atendimento adequado \u00e0s v\u00edtimas. Quando uma mulher precisa encontrar sozinha caminhos para sair de uma situa\u00e7\u00e3o de viol\u00eancia, a responsabilidade pela prote\u00e7\u00e3o deixa de estar apenas nas institui\u00e7\u00f5es previstas pela legisla\u00e7\u00e3o e passa a recair tamb\u00e9m sobre redes pessoais e organiza\u00e7\u00f5es da sociedade civil.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Milhares de outras mulheres compartilham da dor de Rita. Apenas em 2025, foram mais de 286 mil registros de agress\u00f5es decorrentes de viol\u00eancia dom\u00e9stica, segundo o <a href=\"https:\/\/forumseguranca.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/anuario-2026.pdf\" target=\"_blank\" aria-label=\" (opens in a new tab)\" rel=\"noreferrer noopener\" class=\"ek-link\">Anu\u00e1rio de Seguran\u00e7a P\u00fablica 2026<\/a>.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A viol\u00eancia tamb\u00e9m acontece, majoritariamente, dentro das rela\u00e7\u00f5es \u00edntimas. Em 2025, 27% das brasileiras disseram j\u00e1 ter sofrido viol\u00eancia dom\u00e9stica ou familiar em algum momento da vida, <a href=\"https:\/\/www12.senado.leg.br\/institucional\/datasenado\/materias\/pesquisas\/pesquisa-nacional-de-violencia-contra-a-mulher-datasenado-2025\" target=\"_blank\" aria-label=\" (opens in a new tab)\" rel=\"noreferrer noopener\" class=\"ek-link\">segundo pesquisa do DataSenado<\/a>.\u00a0\u00a0<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O dado ajuda a dimensionar um dos paradoxos enfrentados pela Lei Maria da Penha: para muitas mulheres, o espa\u00e7o que deveria representar prote\u00e7\u00e3o, a pr\u00f3pria casa, \u00e9 tamb\u00e9m o lugar onde a viol\u00eancia acontece.<\/p>\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Mulheres negras s\u00e3o as principais v\u00edtimas<\/h2>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A viol\u00eancia de g\u00eanero atinge de maneira mais intensa as mulheres negras: elas foram 65% das v\u00edtimas de feminic\u00eddio em 2025. \u201cMulheres negras est\u00e3o, em m\u00e9dia, mais expostas a condi\u00e7\u00f5es de vulnerabilidade socioecon\u00f4mica, menor acesso a servi\u00e7os p\u00fablicos de prote\u00e7\u00e3o e maior presen\u00e7a em territ\u00f3rios marcados por precariedade institucional\u201d, destaca a <a href=\"https:\/\/forumseguranca.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/nota-tecnica-dia-mulher-2026.pdf\" target=\"_blank\" aria-label=\" (opens in a new tab)\" rel=\"noreferrer noopener\" class=\"ek-link\">nota t\u00e9cnica<\/a> \u201cRetratos do Feminic\u00eddio no Brasil\u201d.\u00a0\u00a0<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A advogada Lucidalva Nascimento chama aten\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m para a subnotifica\u00e7\u00e3o dos casos de viol\u00eancia contra as mulheres. \u201cEnquanto as institui\u00e7\u00f5es n\u00e3o se prepararem para fazer capacita\u00e7\u00e3o permanente, abordar a quest\u00e3o racial e de g\u00eanero, vamos nos deparar com situa\u00e7\u00f5es tanto da viol\u00eancia dom\u00e9stica quanto da viol\u00eancia institucional\u201d, diz.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Desde o primeiro caso, Lucidalva continua vendo de perto os limites entre uma lei que avan\u00e7ou e uma rede que ainda n\u00e3o consegue chegar a todas as mulheres.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Esse limite tamb\u00e9m aparece na estrutura dispon\u00edvel para atender as v\u00edtimas. Duas d\u00e9cadas ap\u00f3s a cria\u00e7\u00e3o da Lei Maria da Penha, a rede especializada ainda enfrenta desafios: nem todos os territ\u00f3rios contam com Delegacias Especializadas de Atendimento \u00e0 Mulher e, entre as unidades existentes, o funcionamento integral permanece restrito. Apenas 20% das unidades <a href=\"https:\/\/agenciagov.ebc.com.br\/noticias\/202608\/diagnostico-nacional-apresenta-panorama-da-rede-especializada-de-atendimento-as-mulheres\" target=\"_blank\" aria-label=\" (opens in a new tab)\" rel=\"noreferrer noopener\" class=\"ek-link\">funcionam<\/a> em regime de 24 horas, segundo diagn\u00f3stico nacional da rede especializada de atendimento \u00e0s mulheres.\u00a0<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As institui\u00e7\u00f5es tamb\u00e9m t\u00eam falhado no monitoramento dos casos. Em 2025, foram registrados mais de 132 mil descumprimentos de medidas protetivas de urg\u00eancia, ao passo que 13% das mulheres v\u00edtimas de feminic\u00eddio tinham medidas protetivas vigentes no momento do assassinato. Uma <a href=\"https:\/\/www12.senado.leg.br\/noticias\/materias\/2026\/04\/10\/agressor-de-mulher-usara-tornozeleira-de-imediato-lei-ja-esta-em-vigor\" target=\"_blank\" aria-label=\" (opens in a new tab)\" rel=\"noreferrer noopener\" class=\"ek-link\">norma<\/a> sancionada este ano visa mudar esse cen\u00e1rio: a Lei 15.383 estabelece que agressores que colocarem em risco a vida de mulheres e crian\u00e7as, em casos de viol\u00eancia dom\u00e9stica, dever\u00e3o usar tornozeleira eletr\u00f4nica de imediato.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A amplia\u00e7\u00e3o do uso de tornozeleiras eletr\u00f4nicas aparece como uma tentativa de fortalecer a fiscaliza\u00e7\u00e3o dessas medidas. No entanto, especialistas alertam que a prote\u00e7\u00e3o depende n\u00e3o apenas da exist\u00eancia da ferramenta, mas tamb\u00e9m da capacidade do Estado de monitorar os casos e agir diante dos descumprimentos.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para Regina C\u00e9lia, entre os principais problemas de aplica\u00e7\u00e3o da Lei Maria da Penha est\u00e3o a falta de celeridade, a dificuldade de trabalhar a lei de maneira pedag\u00f3gica nas escolas e a viol\u00eancia institucional.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201c\u00c9 importante que essa lei possa moldar toda a sociedade, para que seja devidamente efetivada. N\u00e3o \u00e9 necess\u00e1rio mudar a letra da lei, mas refor\u00e7ar os crit\u00e9rios de rigor, para que sua aplicabilidade seja feita com compromisso e assertividade, de forma que seja promotora da dignidade dos direitos humanos das mulheres e de todas as pessoas\u201d, afirma.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A lembran\u00e7a de Cileide permanece para Lucidalva como prova de que uma lei pode mudar o destino de uma mulher quando encontra profissionais dispostos a faz\u00ea-la valer. Para que essa liberdade alcance outras mulheres, ela defende que a legisla\u00e7\u00e3o seja acompanhada de forma\u00e7\u00e3o, estrutura e compromisso das institui\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<\/div>\n<p><script async src=\"\/\/www.instagram.com\/embed.js\"><\/script><br \/>\n<br \/><br \/>\n<br \/><a href=\"https:\/\/nosmulheresdaperiferia.org.br\/20-anos-da-lei-maria-da-penha-a-mulher-que-fez-a-lei-valer-pela-primeira-vez\/\">Tribunal Bras\u00edlia <\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em setembro de 2006, dias depois de a Lei Maria da Penha entrar em vigor, a advogada Lucidalva Nascimento recebeu na sede do Centro das Mulheres do Cabo, na cidade de Cabo de Santo Agostinho (PE), uma mulher chamada Cileide Silva. Ela relatou que sofria viol\u00eancia do marido. 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