{"id":29361,"date":"2026-07-15T17:56:52","date_gmt":"2026-07-15T20:56:52","guid":{"rendered":"https:\/\/portaldrysousa.com.br\/?p=29361"},"modified":"2026-07-15T17:56:52","modified_gmt":"2026-07-15T20:56:52","slug":"a-historia-da-primeira-deputada-negra-do-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/portaldrysousa.com.br\/?p=29361","title":{"rendered":"a hist\u00f3ria da primeira deputada negra do Brasil"},"content":{"rendered":"\n<div>\n<p>Ser a primeira nunca \u00e9 apenas uma conquista individual. Treze anos ap\u00f3s a aboli\u00e7\u00e3o da escravid\u00e3o, Antonieta de Barros nasceu em uma sociedade que restringia os espa\u00e7os das mulheres negras. Tornou-se jornalista, professora, escritora e a primeira deputada negra do Brasil, abrindo caminhos na educa\u00e7\u00e3o, na pol\u00edtica e na imprensa.<\/p>\n<div class=\"box-explicacao d-flex flex-column flex-md-row\">\n<div class=\"explicacao align-self-start mt-4 mt-md-0 mx-5 mx-md-0\">\n<p>Antonieta de Barros nasceu em Florian\u00f3polis (SC) no dia 11 de julho de 1901 e faleceu em 28 de mar\u00e7o de 1952, aos 50 anos de idade.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>\u201cA primeira quest\u00e3o que que grita aos meus olhos \u00e9 o quanto ela foi corajosa e valente. Ela estava em minoria de ra\u00e7a e de g\u00eanero, numa sociedade que dizia que mulher n\u00e3o podia fazer uma s\u00e9rie de coisas, e que mulheres negras s\u00f3 podiam fazer determinadas coisas\u201d, destaca Jeruse Rom\u00e3o, professora e pesquisadora.<\/p>\n<div class=\"post-image my-5 mx-auto mw-100\">\n            <picture><source media=\"(max-width: 799px)\" srcset=\"http:\/\/nosmulheresdaperiferia.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/antonieta_03_ed-683x1024.jpg\"><source media=\"(min-width: 800px)\" srcset=\"http:\/\/nosmulheresdaperiferia.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/antonieta_03_ed-683x1024.jpg\"><\/source><\/source><\/picture>\n<div class=\"legenda-credito mx-auto mt-2 pd-ajuste\">\n<p class=\"credito m-0\">\u00a9Museu da Escola Catarinense<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>Jeruse \u00e9 autora do livro \u201cAntonieta de Barros: professora, escritora, jornalista, primeira deputada catarinense e negra do Brasil\u201d. \u201cMeu interesse nessa biografia \u00e9 trazer Antonieta mais humanizada e entender como \u00e9 que a fam\u00edlia dela se constituiu, como \u00e9 que essas pessoas atravessaram tantas barreiras no estado mais branco e mais racista do Brasil, que \u00e9 Santa Catarina\u201d, relata.<\/p>\n<p>Antonieta era filha de Catharina Waltrich, cativa de Louren\u00e7o Waltrich. Com a aboli\u00e7\u00e3o em 1888, se tornou liberta aos 26 anos de idade e passou a atuar como lavadeira e dom\u00e9stica. Se empenhou para oferecer educa\u00e7\u00e3o aos filhos, colocando-os em escola particular.<\/p>\n<p>Sua irm\u00e3, Leonor, participou da funda\u00e7\u00e3o da Liga do Magist\u00e9rio Catarinense. Seu irm\u00e3o, Cristalino, atuou em associa\u00e7\u00f5es negras e fundou a Uni\u00e3o Beneficente dos Pintores de Florian\u00f3polis. \u201cEu descobri uma fam\u00edlia muito ativa, muito interessante. Eles s\u00e3o muito queridos entre si, se gostam muito, s\u00e3o cooperativos\u201d, conta Jeruse.<\/p>\n<p>Para a pesquisadora, esse ambiente familiar \u00e9 um dos pontos que ajudam a explicar o pioneirismo de Antonieta. O qual, ali\u00e1s, come\u00e7ou cedo. Com apenas 17 anos, ingressou na Escola Normal Catarinense, para se formar professora, e l\u00e1 foi presidente do Gr\u00eamio das Normalistas e organizou a revista manuscrita \u201cA Graciosa\u201d.<\/p>\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Maria da Ilha\u00a0<\/h3>\n<p>Aos 20 anos de idade, Antonieta come\u00e7ou a escrever para jornais. Publicava principalmente cr\u00f4nicas e os assuntos eram diversos: trabalho, educa\u00e7\u00e3o, magist\u00e9rio, guerras, catolicismo, desigualdades sociais e direitos das mulheres (apesar de se declarar contr\u00e1ria ao movimento feminista da \u00e9poca). Assinava com o pseud\u00f4nimo Maria da Ilha e era uma das poucas mulheres a ter seus textos publicados em peri\u00f3dicos.<\/p>\n<p>\u201cEla \u00e9 a \u00fanica mulher negra a escrever naquele momento nos jornais. Havia mulheres que publicavam poesias, mas ela era a \u00fanica que ia pro debate p\u00fablico, pro enfrentamento p\u00fablico das ideias\u201d, pontua Elizabete Espindola, historiadora, pesquisadora e autora da tese de doutorado \u201cAntonieta de Barros: educa\u00e7\u00e3o, g\u00eanero e mobilidade social em Florian\u00f3polis na primeira metade do s\u00e9culo XX\u201d.<\/p>\n<p>A historiadora explica que Antonieta projeta seu nome na esfera p\u00fablica atrav\u00e9s da escrita nos jornais. Come\u00e7a escrevendo em pequenos peri\u00f3dicos e se aproxima de um c\u00edrculo de literatos negros. Esse grupo vai formaria o Centro Catarinense de Letras, que far\u00e1 frente \u00e0 Academia Catarinense de Letras, a qual n\u00e3o aceitava escritores negros.<\/p>\n<div class=\"post-image my-5 mx-auto mw-100\">\n            <picture><source media=\"(max-width: 799px)\" srcset=\"http:\/\/nosmulheresdaperiferia.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/images-_5_.jpg\"><source media=\"(min-width: 800px)\" srcset=\"http:\/\/nosmulheresdaperiferia.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/images-_5_.jpg\"><\/source><\/source><\/picture>\n<\/div>\n<p>\u201cAli j\u00e1 se come\u00e7a a observar o apoio de alguns pol\u00edticos locais que queriam romper um pouco com essa bolha da elite local, que marginalizava a participa\u00e7\u00e3o dos negros na literatura, em especial nos jornais\u201d, afirma.<\/p>\n<p>Logo, Antonieta passa a escrever para jornais maiores, como O Estado e Rep\u00fablica. Neste \u00faltimo, assinou a aclamada coluna Farrapos de Ideias. Em um de seus artigos, escreveu: \u201ch\u00e1 uma grande lacuna na mat\u00e9ria de ensino: a falta dum gin\u00e1sio onde a mulher possa conquistar os preparat\u00f3rios para ingressar no ensino superior. O elemento feminino v\u00ea, assim, fechado diante de si, todos os grandes horizontes\u201d, escreveu.<\/p>\n<p>Segundo Elizabete, a educa\u00e7\u00e3o para mulheres \u00e9 um tema central nos escritos dela, e a participa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica tamb\u00e9m se faz presente. \u201cQuando vai se aproximando o per\u00edodo eleitoral, em 1932, quando as mulheres v\u00e3o conquistar o direito ao voto e a serem eleitas, ela vai fazer bastante a defesa da participa\u00e7\u00e3o feminina na elei\u00e7\u00e3o. Ela j\u00e1 come\u00e7a a construir seu p\u00fablico leitor, que vai, inclusive, apoi\u00e1-la nessa elei\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>Como \u00e9, infelizmente, comum ainda hoje para as mulheres negras que alcan\u00e7am posi\u00e7\u00f5es de destaque, Antonieta sofreu racismo a partir de sua atua\u00e7\u00e3o nos jornais. Em um artigo, o pol\u00edtico e jornalista Oswaldo Rodrigues Cabral acusou que as publica\u00e7\u00f5es da escritora eram \u201cintriga de senzala\u201d.<\/p>\n<p>Antonieta respondeu, atrav\u00e9s de artigo no jornal O Estado, que o discurso do jornalista era racista, chamando-o de ariano, e tamb\u00e9m afirmando a sua pr\u00f3pria negritude. \u201cNa verdade, n\u00e3o h\u00e1 intriga, porque n\u00e3o houve, mas as considera\u00e7\u00f5es em torno da situa\u00e7\u00e3o desoladora do ensino p\u00fablico foram ditadas pelo <strong>cora\u00e7\u00e3o de uma negra brasileira, que se orgulha de s\u00ea-lo, que nunca se pintou de outra cor <\/strong>(\u2026)\u201d, escreve<strong>.<\/strong><\/p>\n<p>Tamb\u00e9m faz men\u00e7\u00e3o \u00e0 sua m\u00e3e, que \u00e9 uma de suas maiores refer\u00eancias: \u201ca santa M\u00e3e, tamb\u00e9m negra, que a educou, ensinando-a a ter liberdade interior, para compreender e lastimar a tortura dos pobres escravos que vivem acorrentados\u201d.<\/p>\n<p>Antonieta tamb\u00e9m fundou e dirigiu os jornais A Semana (1922 -1927) e Vida Ilhoa (1930). J\u00e1 em 1937, teve seu primeiro e \u00fanico livro publicado: Farrapos de Ideias, que reunia seus artigos na coluna de mesmo nome. Os lucros da primeira edi\u00e7\u00e3o foram doados para constru\u00e7\u00e3o de uma escola para abrigar crian\u00e7as filhas de pais internados no lepros\u00e1rio Col\u00f4nia Santa Tereza.<\/p>\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Professora Antonieta\u00a0<\/h3>\n<p>A luta pela educa\u00e7\u00e3o guiou a vida de Antonieta de Barros. Um dos frutos disso foi a funda\u00e7\u00e3o de uma escola com a irm\u00e3 Leonor. Em 1921, a professora concluiu os estudos e como n\u00e3o existiam concursos p\u00fablicos para sele\u00e7\u00e3o de professores e as vagas eram ocupadas por indica\u00e7\u00e3o, ela fundou sua pr\u00f3pria escola particular.<\/p>\n<p>Logo, a escola se tornou conhecida por sua qualidade, atendendo desde os filhos das classes trabalhadoras at\u00e9 os filhos da elite. \u201cTodo mundo queria ser aluno dela. A escola dela, que era pequena, teve que mudar de endere\u00e7o, porque todos queriam colocar as crian\u00e7as na escola das irm\u00e3s Barros. Ela era uma professora excelente. Algumas pessoas dizem que era muito rigorosa metodologicamente\u201d, relata a pesquisadora Jeruse Rom\u00e3o.<\/p>\n<div class=\"post-image my-5 mx-auto mw-100\">\n            <picture><source media=\"(max-width: 799px)\" srcset=\"http:\/\/nosmulheresdaperiferia.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/1947___turma_3_ano_normal-fotor-2026071517411-1024x702.jpg\"><source media=\"(min-width: 800px)\" srcset=\"http:\/\/nosmulheresdaperiferia.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/1947___turma_3_ano_normal-fotor-2026071517411-1024x702.jpg\"><\/source><\/source><\/picture>\n<div class=\"legenda-credito mx-auto mt-2 pd-ajuste\">\n<p class=\"credito m-0\">\u00a9 Alb\u00fam da normalista Maria Carolina Gallotti Kehrig, 1947.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>Em 1933, no primeiro governo de Get\u00falio Vargas, ingressou no servi\u00e7o p\u00fablico ao ser nomeada como professora substituta na Escola Complementar. J\u00e1 em 1938, participou ativamente da Cruzada Nacional de Alfabetiza\u00e7\u00e3o de Santa Catarina, per\u00edodo em que foi tamb\u00e9m diretora da Escola Herc\u00edlio Luz, que oferecia ensino noturno para a alfabetiza\u00e7\u00e3o de adultos das classes trabalhadoras.<\/p>\n<p>O prest\u00edgio da intelectual como professora tamb\u00e9m se refletiu na escolha dela para dar discursos em solenidades de formatura da Escola Normal, de forma\u00e7\u00e3o de professoras. Em um desses discursos, ela disse: \u201ceducar \u00e9 ensinar os outros a viver; \u00e9 iluminar caminhos alheios; \u00e9 amparar debilitados, transformando-os em fortes; \u00e9 mostrar as veredas, apontar as escaladas, possibilitando avan\u00e7ar, sem muletas e sem trope\u00e7os\u201d.<\/p>\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Primeira deputada negra<\/h3>\n<p>Em 1934, Antonieta de Barros foi eleita como a primeira deputada negra no Brasil, logo ap\u00f3s a conquista do voto feminino. A professora foi candidata pelo Partido Liberal Catarinense. Segundo pesquisas de Jeruse Rom\u00e3o, em entrevista ao jornal carioca \u201cA Noite\u201d, Antonieta disse que entrou na pol\u00edtica a convite do seu partido.\u00a0<\/p>\n<p>Sua campanha foi fortemente apoiada por professoras da regi\u00e3o, o que se somou \u00e0 visibilidade conquistada atrav\u00e9s dos artigos nos jornais. Seu primeiro mandato durou at\u00e9 1937, quando o presidente Get\u00falio Vargas instituiu a ditadura do Estado Novo.<\/p>\n<p>A historiadora Elizabete Espindola destaca que o processo eleitoral foi bastante tenso e a apura\u00e7\u00e3o dos resultados demorava meses. \u201cEm 1934, \u00e9 feita uma elei\u00e7\u00e3o por uma assembleia constituinte. E ent\u00e3o Nereu Ramos [pol\u00edtico catarinense], para garantir a elei\u00e7\u00e3o dele, vai aquartelar a assembleia constituinte, para que o Aristiliano Ramos [pol\u00edtico catarinense] n\u00e3o tivesse acesso\u201d, conta. Esse processo foi seguido tamb\u00e9m por tiroteios e ataques no centro de Florian\u00f3polis.<\/p>\n<div class=\"post-image my-5 mx-auto mw-100\">\n            <picture><source media=\"(max-width: 799px)\" srcset=\"http:\/\/nosmulheresdaperiferia.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/Antonieta-de-Barros-Alesc-1024x768.webp\"><source media=\"(min-width: 800px)\" srcset=\"http:\/\/nosmulheresdaperiferia.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/Antonieta-de-Barros-Alesc-1024x768.webp\"><\/source><\/source><\/picture>\n<\/div>\n<p>\u201cAntonieta vai dar uma entrevista para um jornal do Rio de Janeiro falando dessa sensa\u00e7\u00e3o de medo de ter ficado aquartelada. E o quanto a mem\u00f3ria da m\u00e3e foi importante para ela, que dizia que a liberdade \u00e9 a coisa mais importante para um ser humano\u201d, acrescenta.<\/p>\n<p>A professora voltou \u00e0 pol\u00edtica em 1945, per\u00edodo em que foi eleita como deputada suplente. Seus mandatos foram marcados por projetos de melhoria da educa\u00e7\u00e3o. Entre eles, estavam a reivindica\u00e7\u00e3o pela amplia\u00e7\u00e3o do n\u00famero de escolas, a cria\u00e7\u00e3o do Dia do Professor, a igualdade salarial entre os professores, e nomea\u00e7\u00f5es transparentes nos concursos p\u00fablicos.<\/p>\n<p>\u201cEm 1948, ela aprova um projeto que garante bolsa de estudo para alunos carentes. Ent\u00e3o, \u00e9 uma concep\u00e7\u00e3o de que n\u00e3o basta s\u00f3 ingressar, tem que permanecer\u201d, relata Jeruse. Em outro projeto de defesa da educa\u00e7\u00e3o, conta a pesquisadora, ela diz que o direito \u00e0 educa\u00e7\u00e3o \u00e9 t\u00e3o sagrado como o pr\u00f3prio direito de viver, e quem deve garantir esse direito \u00e9 o Estado.<\/p>\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Legados vivos\u00a0<\/h3>\n<p>Antonieta de Barros teve uma trajet\u00f3ria singular. \u201cFoi uma mulher muito bem articulada, intelectual, com uma leitura geral da realidade. Criou uma rede de rela\u00e7\u00f5es, circulava pelas classes A, B, C e D. Ela consegue, de certa forma, elaborar estrat\u00e9gias para sobreviver a esse mundo opressor em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s mulheres, principalmente, para uma mulher negra\u201d, pontua Elizabete Espindola.<\/p>\n<div class=\"post-image my-5 mx-auto mw-100\">\n            <picture><source media=\"(max-width: 799px)\" srcset=\"http:\/\/nosmulheresdaperiferia.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/Antonieta_de_Barros_perfil-1.jpg\"><source media=\"(min-width: 800px)\" srcset=\"http:\/\/nosmulheresdaperiferia.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/Antonieta_de_Barros_perfil-1.jpg\"><\/source><\/source><\/picture>\n<\/div>\n<p>Mais de 70 anos ap\u00f3s sua morte, os legados de Antonieta permanecem vivos atrav\u00e9s de pessoas e iniciativas que buscam honrar a sua mem\u00f3ria. \u00c9 o caso do livro infantil Antonieta, de Eliane Debus, que conta a trajet\u00f3ria dessa professora para crian\u00e7as.<\/p>\n<p>\u201cComo pesquisadora da literatura para inf\u00e2ncia, vivendo nesse sul do Brasil, que tem negros, mas que todos os dias s\u00e3o silenciados, eu adentro nas narrativas dizendo que a literatura negra tem que estar presente para que todos sejam representados. Para que a crian\u00e7a, negra e n\u00e3o negra, possa conhecer essas hist\u00f3rias\u201d, afirma a professora e pesquisadora Eliane Debus. Ela destaca que, em Florian\u00f3polis, Antonieta d\u00e1 nome a v\u00e1rias coisas, como escola, rua e t\u00fanel. Apesar disso, sua hist\u00f3ria ainda n\u00e3o \u00e9 conhecida como deveria.<\/p>\n<p>Outra manifesta\u00e7\u00e3o do legado da intelectual \u00e9 a Coletiva Antonieta de Barros, criada pela professora Ana Koteban ap\u00f3s sofrer uma situa\u00e7\u00e3o de racismo na escola em que trabalhava. \u201cO que me chocou foram as lacunas institucionais, a aus\u00eancia de um entendimento institucional de que aquilo precisava ser enfrentado\u201d.<\/p>\n<p>A coletiva \u00e9 formada por professoras negras de S\u00e3o Paulo (SP) e atuou na elabora\u00e7\u00e3o do \u201cProtocolo para preven\u00e7\u00e3o e enfrentamento ao racismo e \u00e0 xenofobia na educa\u00e7\u00e3o\u201d, v\u00e1lido para as escolas da capital paulista, e dos \u201cProtocolos de identifica\u00e7\u00e3o e resposta ao racismo\u201d, de n\u00edvel federal.<\/p>\n<p>\u201cEscolhemos o nome da Antonieta como essa figura que tem uma incid\u00eancia direta pedag\u00f3gica e pol\u00edtica. E a gente se identificou com essa caracter\u00edstica da Antonieta: a atua\u00e7\u00e3o dela institucionalmente no poder legislativo\u201d, explica.<\/p>\n<p>Em cada passo dado na luta pela educa\u00e7\u00e3o e pelos direitos das mulheres, Antonieta segue presente.<\/p>\n<\/p><\/div>\n<p><br \/>\n<br \/><a href=\"http:\/\/nosmulheresdaperiferia.com.br\/antonieta-de-barros-a-historia-da-primeira-deputada-negra-do-brasil\/\">Tribunal Bras\u00edlia <\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ser a primeira nunca \u00e9 apenas uma conquista individual. Treze anos ap\u00f3s a aboli\u00e7\u00e3o da escravid\u00e3o, Antonieta de Barros nasceu em uma sociedade que restringia os espa\u00e7os das mulheres negras. Tornou-se jornalista, professora, escritora e a primeira deputada negra do Brasil, abrindo caminhos na educa\u00e7\u00e3o, na pol\u00edtica e na imprensa. 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