{"id":29353,"date":"2026-06-23T18:16:39","date_gmt":"2026-06-23T21:16:39","guid":{"rendered":"https:\/\/portaldrysousa.com.br\/?p=29353"},"modified":"2026-06-23T18:16:39","modified_gmt":"2026-06-23T21:16:39","slug":"voto-feminino-no-brasil-e-participacao-politica-das-mulheres","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/portaldrysousa.com.br\/?p=29353","title":{"rendered":"Voto feminino no Brasil e participa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica das mulheres"},"content":{"rendered":"\n<div>\n<p>O direito ao voto feminino no Brasil \u00e9 resultado de d\u00e9cadas de mobiliza\u00e7\u00e3o do movimento feminista e de mulheres que desafiaram a exclus\u00e3o pol\u00edtica para serem reconhecidas como cidad\u00e3s. Almerinda Farias Gama dedicou boa parte de seu tempo ao movimento sufragista. Celina Guimar\u00e3es Viana foi a primeira eleitora de que se tem registro. Antonieta de Barros foi a primeira mulher negra eleita deputada estadual. Ao lutarem pelo direito de votar e serem votadas, essas e outras muitas mulheres se mobilizaram para serem reconhecidas como cidad\u00e3s. Apesar da dist\u00e2ncia temporal, ainda hoje mulheres seguem lutando por cidadania plena e participa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica.<\/p>\n<p>Nesta reportagem, te contamos como o direito ao voto das mulheres foi uma conquista hist\u00f3rica que reverbera at\u00e9 hoje, e como a luta por cidadania segue ativa. O voto feminino, permitido a partir de 1932, foi resultado ao longo de d\u00e9cadas de mobiliza\u00e7\u00e3o do movimento feminista.<\/p>\n<p>A Constitui\u00e7\u00e3o de 1891, a primeira do per\u00edodo republicano, definia que cidad\u00e3os maiores de 21 anos podiam votar, com exce\u00e7\u00e3o de mendigos, analfabetos, militares de patente baixa e religiosos que faziam voto de obedi\u00eancia. Portanto, n\u00e3o havia proibi\u00e7\u00e3o expressa ao voto de mulheres, por isso, muitas delas faziam tentativas de se alistarem para votar. No entanto, essas tentativas eram negadas, porque o consenso era de que mulheres n\u00e3o eram consideradas cidad\u00e3s.<\/p>\n<p>\u201cA restri\u00e7\u00e3o ao voto feminino humilhava as mulheres que sabiam ler e escrever, notoriamente as professoras. A priva\u00e7\u00e3o do direito causa uma vergonha, um sentimento de injusti\u00e7a\u201d, afirma Teresa Cristina de Novaes Marques, professora da Universidade de Bras\u00edlia (UnB) e autora do livro \u201cO voto feminino no Brasil\u201d.<\/p>\n<div class=\"post-image my-5 mx-auto mw-100\">\n            <picture><source media=\"(max-width: 799px)\" srcset=\"http:\/\/nosmulheresdaperiferia.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/WhatsApp-Image-2026-06-22-at-21.34.32-682x1024.jpeg\"><source media=\"(min-width: 800px)\" srcset=\"http:\/\/nosmulheresdaperiferia.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/WhatsApp-Image-2026-06-22-at-21.34.32-682x1024.jpeg\"><\/source><\/source><\/picture>\n<div class=\"legenda-credito mx-auto mt-2 pd-ajuste\">\n<p class=\"credito m-0\">\u00a9Teresa Cristina. Cr\u00e9dito: arquivo pessoal<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>Diante dessa injusti\u00e7a, v\u00e1rios grupos feministas lutaram pelo direito ao voto em diferentes per\u00edodos. Entre elas, estava o movimento liderado pela ativista Bertha Lutz, da Liga para a Emancipa\u00e7\u00e3o Internacional da Mulher.<\/p>\n<p>Em 1927, o grupo de Bertha se aproximou do parlamentar Juvenal Lamartine, que representava o estado do Rio Grande do Norte. Ele julgou que carregar a bandeira do voto feminino era justo e poderia favorec\u00ea-lo na pol\u00edtica.<\/p>\n<p>Naquele ano, Juvenal renunciou \u00e0 sua cadeira no Senado para assumir o governo de seu estado. A partir disso, seriam necess\u00e1rias elei\u00e7\u00f5es complementares a fim de escolher o novo representante do estado no Senado.<\/p>\n<p>\u201cEle fez uma negocia\u00e7\u00e3o com o Poder Judici\u00e1rio do estado para que se permitisse que mulheres se alistassem nessa elei\u00e7\u00e3o. Foi um gesto de ousadia, a fim de que a pauta alcan\u00e7asse o plano nacional e for\u00e7asse o legislativo federal a retomar a discuss\u00e3o de um assunto que vinha se arrastando h\u00e1 quase 40 anos\u201d, explica Teresa Cristina.<\/p>\n<p>O Judici\u00e1rio estadual n\u00e3o se op\u00f4s \u00e0 habilita\u00e7\u00e3o de mulheres como eleitoras e ent\u00e3o mulheres do estado passaram a se alistar para votar. A primeira a exercer esse direito foi a professora Celina Guimar\u00e3es Viana.<\/p>\n<p>No entanto, o voto de Celina e de todas as demais eleitoras foi desconsiderado. \u201cEssa vota\u00e7\u00e3o passou pelo crivo da comiss\u00e3o interna do Senado. Elas votam no final de 1927, e no semestre seguinte, em 1928, essa comiss\u00e3o declarou inv\u00e1lidos os votos dados pelas mulheres\u201d, diz a professora.<\/p>\n<p>Nesse mesmo per\u00edodo, h\u00e1 um outro marco: a elei\u00e7\u00e3o da primeira mulher para um cargo pol\u00edtico. Alzira Soriano foi eleita prefeita da cidade de Lajes (RN) \u2013 o que foi poss\u00edvel a partir dos acordos feitos no estado para mulheres votarem e serem votadas. Ela assumiu em 1\u00ba de janeiro de 1929 e teve quase dois anos de mandato, encerrado devido \u00e0 Revolu\u00e7\u00e3o de 1930, do governo de Get\u00falio Vargas.<\/p>\n<h3 class=\"wp-block-heading\">A conquista do voto feminino<\/h3>\n<p>A conquista do voto feminino vem de fato em 1932, durante a gest\u00e3o ditatorial de Get\u00falio Vargas. O presidente recebeu as feministas do grupo ligado \u00e0 Bertha Lutz e concordou com elas. \u201cEle permitiu que o C\u00f3digo Eleitoral de 1932 admitisse a inscri\u00e7\u00e3o de mulheres que preenchessem os requisitos\u201d, pontua a professora Teresa Cristina.<\/p>\n<p>Ainda assim, o direito continuava restritivo: apenas pessoas alfabetizadas podiam votar. Isso j\u00e1 exclu\u00eda boa parte da popula\u00e7\u00e3o \u2013 em 1940, a taxa de analfabetismo era de <a href=\"https:\/\/educa.ibge.gov.br\/jovens\/conheca-o-brasil\/territorio\/22321-alfabetizacao.html\" target=\"_blank\" aria-label=\" (opens in a new tab)\" rel=\"noreferrer noopener\" class=\"ek-link\">56%<\/a>.<\/p>\n<p>As mulheres que sabiam ler e escrever puderam votar nas elei\u00e7\u00f5es da Assembleia Nacional Constituinte, em 1933. Entre elas, estava Almerinda Farias Gama, que protagoniza uma foto sorridente enquanto deposita seu voto na urna.<\/p>\n<div class=\"post-image my-5 mx-auto mw-100\">\n            <picture><source media=\"(max-width: 799px)\" srcset=\"http:\/\/nosmulheresdaperiferia.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/almirinda_capa.webp\"><source media=\"(min-width: 800px)\" srcset=\"http:\/\/nosmulheresdaperiferia.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/almirinda_capa.webp\"><\/source><\/source><\/picture>\n<div class=\"legenda-credito mx-auto mt-2 pd-ajuste\">\n<p class=\"credito m-0\">\u00a9Almerinda vota pela primeira vez. Cr\u00e9dito: Acervo CPDOC\/FGV<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>Almerinda atuou como advogada, jornalista, pianista, poetisa, sindicalista, compositora e pol\u00edtica. Entre os marcos de sua trajet\u00f3ria est\u00e1 a luta sufragista \u2013 ela fazia parte do grupo de Bertha Lutz.<\/p>\n<p>\u201cFoi uma mulher assalariada, trabalhadora, datil\u00f3grafa, uma mulher negra migrante nordestina que vai morar no Rio de Janeiro, a ent\u00e3o capital do pa\u00eds, e se junta a esse movimento sufragista, que a gente sabe que era organizado em maior parte por mulheres de uma elite financeira e intelectual\u201d, afirma Cibele Ten\u00f3rio, pesquisadora, jornalista e autora do livro Almerinda Gama: a sufragista negra.<\/p>\n<p>Com a conquista do direito de votar e ser votada, a mobiliza\u00e7\u00e3o das sufragistas ganhou um novo cap\u00edtulo: era necess\u00e1rio convencer as mulheres de participarem das elei\u00e7\u00f5es. Almerinda, por exemplo, publicava artigos em jornais explicando os objetivos do movimento feminista e convocando mulheres para se alistarem.<\/p>\n<p>A ativista fundou o Sindicato dos Datil\u00f3grafos e Taqu\u00edgrafos do Distrito Federal e foi, como representante desse Sindicato, a \u00fanica mulher a participar como delegada classista na Assembleia Nacional Constituinte, na qual atuou at\u00e9 a promulga\u00e7\u00e3o da Carta, em outubro de 1934.<\/p>\n<p>Depois disso, se candidatou a deputada federal pela sigla que ela mesma fundou, o Partido Socialista Prolet\u00e1rio do Brasil. N\u00e3o foi eleita ao cargo, mas continuou sua atua\u00e7\u00e3o pol\u00edtica. Nessas mesmas elei\u00e7\u00f5es, outra mulher negra atingiu um marco nessa \u00e1rea: Antonieta de Barros foi eleita deputada estadual em Santa Catarina em 1934, pelo Partido Liberal Catarinense.<\/p>\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Abertura de caminhos<\/h3>\n<p>Cibele Ten\u00f3rio enxerga na trajet\u00f3ria de Almerinda Farias Gama uma abertura de caminhos para mulheres que atuam hoje na pol\u00edtica. \u201cA coragem de Almerinda, a disposi\u00e7\u00e3o de ser uma mulher que em dupla jornada, entre trabalho e vida dom\u00e9stica, e mesmo assim querer se colocar para a pol\u00edtica, num ambiente muito masculino, hostil e racista, eu acredito que de alguma maneira ela \u00e9 um fio condutor, que conecta essas mulheres do passado com as mulheres que est\u00e3o \u00e0 frente da luta hoje\u201d, destaca.<\/p>\n<div class=\"post-image my-5 mx-auto mw-100\">\n            <picture><source media=\"(max-width: 799px)\" srcset=\"http:\/\/nosmulheresdaperiferia.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/CibeleTenorio-2.jpg-1-fotor-20260623172635-683x1024.png\"><source media=\"(min-width: 800px)\" srcset=\"http:\/\/nosmulheresdaperiferia.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/CibeleTenorio-2.jpg-1-fotor-20260623172635-683x1024.png\"><\/source><\/source><\/picture>\n<div class=\"legenda-credito mx-auto mt-2 pd-ajuste\">\n<p class=\"credito m-0\">\u00a9Cibele Ten\u00f3rio. Cr\u00e9dito: arquivo pessoal<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>Outra conex\u00e3o entre as mulheres do ontem e do hoje \u00e9 a busca por cidadania plena, o direito a serem de fato ouvidas e consideradas nas decis\u00f5es pol\u00edticas, e de poderem ocupar esses espa\u00e7os de discuss\u00e3o.<\/p>\n<p>Mas, fato \u00e9 que muita coisa mudou. \u201cHoje existe mais pluralidade entre aquelas que se colocam, t\u00eam mais mulheres perif\u00e9ricas, mulheres trans, mulheres ind\u00edgenas\u201d.<\/p>\n<p>Apesar dos avan\u00e7os, Cibele acrescenta que o ambiente pol\u00edtico se mostra ainda muito hostil para as mulheres, lembrando sempre que aquele espa\u00e7o n\u00e3o foi feito para n\u00f3s. Um exemplo disso \u00e9 que at\u00e9 2016 n\u00e3o havia banheiro feminino no plen\u00e1rio do Senado Federal, \u201cporque nunca se imaginou na constru\u00e7\u00e3o de Bras\u00edlia, que mulheres ocupariam o Senado\u201d.<\/p>\n<p>J\u00e1 a professora Teresa Cristina destaca a sub-representa\u00e7\u00e3o das mulheres na pol\u00edtica institucional. \u201cE as que conseguem chegar ao parlamento v\u00e3o ter muita dificuldade para serem ouvidas e terem projetos aprovados. A todo tempo elas ser\u00e3o questionadas: \u2018o que que elas est\u00e3o fazendo ali?\u2019\u201d;<\/p>\n<p>E acrescenta: \u201c\u00e9 um problema que n\u00e3o se resolve exatamente com lei, porque \u00e9 um problema cultural, que \u00e9 uma ideologia machista, a ideia de que os homens est\u00e3o mais bem preparados para exercer posi\u00e7\u00f5es de decis\u00e3o\u201d.<\/p>\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Desafios para participa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica<\/h3>\n<p>Apesar de serem 51,5% da popula\u00e7\u00e3o brasileira, as mulheres ocupam menos de 20% das cadeiras na C\u00e2mara dos Deputados e no Senado. Ao olhar especificamente para as mulheres negras, que s\u00e3o 28% da popula\u00e7\u00e3o, o n\u00famero cai para 2% de posi\u00e7\u00f5es no Congresso Nacional.<\/p>\n<p>Entre os desafios enfrentados atualmente por mulheres nesse meio, est\u00e1 a viol\u00eancia pol\u00edtica. \u201cAs mulheres s\u00e3o frequentemente v\u00edtimas da viol\u00eancia pol\u00edtica de g\u00eanero e ra\u00e7a, que busca deslegitimar sua atua\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e expuls\u00e1-las de espa\u00e7os de poder e tomada de decis\u00e3o. S\u00e3o constantes os epis\u00f3dios de silenciamento, cerceamento do direito \u00e0 fala, ass\u00e9dio moral e sexual, amea\u00e7as, em epis\u00f3dios que ocorrem dentro de casas legislativas e que dificilmente resultam em medidas de responsabiliza\u00e7\u00e3o contra os agressores\u201d, pontua Luyara Franco, diretora Executiva do Instituto Marielle Franco.<\/p>\n<div class=\"post-image my-5 mx-auto mw-100\">\n            <picture><source media=\"(max-width: 799px)\" srcset=\"http:\/\/nosmulheresdaperiferia.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/Diretora_Lari_Perdra_do_Sal_14-01-26-5869.jpg-1-fotor-20260623172841-683x1024.png\"><source media=\"(min-width: 800px)\" srcset=\"http:\/\/nosmulheresdaperiferia.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/Diretora_Lari_Perdra_do_Sal_14-01-26-5869.jpg-1-fotor-20260623172841-683x1024.png\"><\/source><\/source><\/picture>\n<div class=\"legenda-credito mx-auto mt-2 pd-ajuste\">\n<p class=\"credito m-0\">\u00a9Luyara Franco. Cr\u00e9dito: divulga\u00e7\u00e3o\/IMF<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>As mulheres negras sentem ainda mais esses silenciamentos. De acordo com a pesquisa \u201c<a href=\"https:\/\/www.violenciapolitica.org\/\" target=\"_blank\" aria-label=\" (opens in a new tab)\" rel=\"noreferrer noopener\" class=\"ek-link\">Regime de Amea\u00e7a: Viol\u00eancia Pol\u00edtica de G\u00eanero e Ra\u00e7a no \u00e2mbito digital<\/a>\u201d, lan\u00e7ada em 2025 pelo Instituto Marielle Franco, 87% das v\u00edtimas de viol\u00eancia pol\u00edtica eram mulheres negras. Al\u00e9m disso, 71% dos epis\u00f3dios de viol\u00eancia digital foram de amea\u00e7as e intimida\u00e7\u00f5es, seguidos por desinforma\u00e7\u00e3o (11%) e discurso de \u00f3dio (8%).<\/p>\n<p>\u201cAssim, ainda que ocupem cargos para os quais foram democraticamente eleitas, as mulheres, especialmente negras e defensoras de direitos humanos, se encontram expostas e desprotegidas contra diversos tipos de viol\u00eancias na pol\u00edtica institucional\u201d, diz Luyara.<\/p>\n<p>Motivadas pela conquista da cidadania plena, as mulheres progressistas seguem lutando pela amplia\u00e7\u00e3o da representa\u00e7\u00e3o feminina na pol\u00edtica institucional. Entre as a\u00e7\u00f5es nesse \u00e2mbito, est\u00e3o o projeto \u201c<a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/euvotoemnegra\/\" target=\"_blank\" aria-label=\" (opens in a new tab)\" rel=\"noreferrer noopener\" class=\"ek-link\">Eu Voto em Negra<\/a>\u201d, da Rede de Mulheres Negras de Pernambuco e a campanha \u201c<a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/senadorasdobrasil\/\" target=\"_blank\" aria-label=\" (opens in a new tab)\" rel=\"noreferrer noopener\" class=\"ek-link\">Senadoras do Brasil<\/a>\u201d, liderada pelo Instituto Mariele Franco, Narra e Movimento Mulheres Negras Decidem.<\/p>\n<p>\u201cA sociedade civil exerce um papel importante de impulsionar iniciativas que trazem visibilidade ao tema e refor\u00e7am a necessidade de avan\u00e7armos na paridade de g\u00eanero e ra\u00e7a na pol\u00edtica institucional para que consolidemos a representa\u00e7\u00e3o da sociedade brasileira nos espa\u00e7os decis\u00f3rios\u201d, destaca.<\/p>\n<p>Em diferentes partes do mundo, o direito ao voto das mulheres tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 garantido de forma est\u00e1vel. No Afeganist\u00e3o, por exemplo, mulheres perderam direitos pol\u00edticos e civis ap\u00f3s a retomada do Talib\u00e3, em 2021. J\u00e1 em pa\u00edses como os Estados Unidos, debates recentes sobre restri\u00e7\u00f5es eleitorais reacenderam discuss\u00f5es sobre barreiras ao voto e seus impactos sobre grupos historicamente marginalizados.<\/p>\n<p>\u201cQualquer medida que dificulte o acesso ao voto merece aten\u00e7\u00e3o, pois a participa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica das mulheres \u00e9 resultado de d\u00e9cadas de mobiliza\u00e7\u00e3o e conquista de direitos, bem como um pilar indispens\u00e1vel de vitalidade democr\u00e1tica. Em um contexto marcado pelo avan\u00e7o de movimentos autorit\u00e1rios e por ataques a direitos historicamente conquistados, \u00e9 fundamental fortalecer mecanismos que ampliem a presen\u00e7a pol\u00edtica de mulheres, sobretudo com recorte de ra\u00e7a e territ\u00f3rio. Observamos em diferentes partes do mundo iniciativas que enfraquecem direitos e criam barreiras \u00e0 participa\u00e7\u00e3o de mulheres na pol\u00edtica e acreditamos que essas medidas devem ser combatidas para a garantia de democracias participativas, fortes e vivas\u201d, afirma Luyara.<\/p>\n<\/p><\/div>\n<p><script async src=\"\/\/www.instagram.com\/embed.js\"><\/script><br \/>\n<br \/><br \/>\n<br \/><a href=\"http:\/\/nosmulheresdaperiferia.com.br\/voto-feminino-no-brasil-e-participacao-politica-das-mulheres\/\">Tribunal Bras\u00edlia <\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O direito ao voto feminino no Brasil \u00e9 resultado de d\u00e9cadas de mobiliza\u00e7\u00e3o do movimento feminista e de mulheres que desafiaram a exclus\u00e3o pol\u00edtica para serem reconhecidas como cidad\u00e3s. Almerinda Farias Gama dedicou boa parte de seu tempo ao movimento sufragista. Celina Guimar\u00e3es Viana foi a primeira eleitora de que se tem registro. 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