{"id":29347,"date":"2026-06-03T16:28:15","date_gmt":"2026-06-03T19:28:15","guid":{"rendered":"https:\/\/portaldrysousa.com.br\/?p=29347"},"modified":"2026-06-03T16:28:15","modified_gmt":"2026-06-03T19:28:15","slug":"trabalhadoras-evidenciam-que-fim-da-escala-6x1-e-urgente","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/portaldrysousa.com.br\/?p=29347","title":{"rendered":"Trabalhadoras evidenciam que fim da escala 6&#215;1 \u00e9 urgente\u00a0"},"content":{"rendered":"\n<div>\n<p>Ludmila Souza acorda \u00e0s 11h. Duas horas depois, est\u00e1 em um shopping iniciando seu turno de trabalho numa loja de acess\u00f3rios. Fica l\u00e1 at\u00e9 \u00e0s 19h30. Volta para casa e dorme um pouco. Quando o rel\u00f3gio bate 22h30, levanta novamente para que \u00e0 meia-noite esteja a postos para o seu segundo emprego como atendente de telemarketing. Ambos os trabalhos s\u00e3o na escala 6\u00d71.<\/p>\n<p>Entre a necessidade de pagar as contas, colocar comida na mesa e sobreviver, Ludmilla \u00e9 for\u00e7ada a deixar em segundo plano o descanso, o lazer e os sonhos. Ela n\u00e3o est\u00e1 s\u00f3: cerca de 14,8 milh\u00f5es de brasileiros trabalham na escala 6\u00d71, de acordo com o Departamento Intersindical de Estat\u00edstica e Estudos Socioecon\u00f4micos (Dieese).<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, em torno de 75% dos trabalhadores celetistas trabalham mais de 40 horas por semana. Considerando todos os tipos de v\u00ednculo de trabalho, 32,2% das mulheres atuam na escala 6\u00d71.<\/p>\n<p>\u201cVoc\u00ea passa por cima do seu descanso para poder conseguir dar conta do m\u00ednimo. Do m\u00ednimo de dignidade para viver\u201d, relata Ludmila sobre como \u00e9 invi\u00e1vel encaixar uma rotina saud\u00e1vel ao trabalhar nesse modelo.<\/p>\n<blockquote class=\"\">\n<p>Voc\u00ea passa por cima do seu descanso para poder conseguir dar conta do m\u00ednimo. Do m\u00ednimo de dignidade para viver<\/p>\n<p class=\"assina m-0\">Ludmila Souza<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>Diante dessa realidade que afeta profundamente as trabalhadoras brasileiras, o movimento pelo fim da escala 6\u00d71 surgiu como reflexo da urg\u00eancia de uma luta por descanso e dignidade.<\/p>\n<p>O Movimento Vida Al\u00e9m do Trabalho (VAT) teve in\u00edcio com um v\u00eddeo de desabafo publicado pelo ent\u00e3o balconista de farm\u00e1cia Rick Azevedo em 2023. \u201cEu quero saber quando n\u00f3s, da classe trabalhadora, iremos fazer uma revolu\u00e7\u00e3o nesse pa\u00eds relacionada \u00e0 escala 6\u00d71? \u00c9 uma escravid\u00e3o moderna. Moderna n\u00e3o. Ultrapassada\u201d, disse.<\/p>\n<p>Logo, a indigna\u00e7\u00e3o se transformou em abaixo-assinado, manifesta\u00e7\u00f5es pelo Brasil e em Proposta de Emenda \u00e0 Constitui\u00e7\u00e3o (PEC) para a extin\u00e7\u00e3o da jornada. Mas, como de costume, a possibilidade de melhoria na vida da popula\u00e7\u00e3o tem sido acompanhada de resist\u00eancia de parte do empresariado e dos pol\u00edticos.<\/p>\n<h3 class=\"wp-block-heading\">A vida n\u00e3o se encaixa em 6\u00d71\u00a0<\/h3>\n<p>Em seu dia de folga, Ludmila tem que decidir entre arrumar a casa, ir visitar a fam\u00edlia, curtir a namorada, sair com as amigas, ir para o terreiro, ou passar o dia descansando. Na rotina puxada, ela conta que acaba deixando de lado o conv\u00edvio social. \u201cA rotina \u00e9 cansativa, eu sinto muita falta da minha fam\u00edlia\u201d, desabafa.<\/p>\n<p>Somado a isso est\u00e1 o fato dela lidar com a press\u00e3o de trabalhar com metas de vendas. Por vezes, para atingir a quantidade estabelecida de vendas e receber um sal\u00e1rio maior, ela abdica de sua folga semanal. H\u00e1 tamb\u00e9m as vezes que deixa de sair ou beber em sua folga para que no dia seguinte esteja \u201csimp\u00e1tica e descansada\u201d para vender melhor.<\/p>\n<p>No dia a dia, os afazeres s\u00e3o resolvidos conforme tiverem urg\u00eancia. S\u00f3 vai ao m\u00e9dico se estiver doendo. S\u00f3 faz compras no mercado quando os itens est\u00e3o acabando, e por a\u00ed vai. \u201cSe n\u00e3o vier como urg\u00eancia e emerg\u00eancia, voc\u00ea n\u00e3o faz\u201d, resume.<\/p>\n<p>Para ela, o fim da escala 6\u00d71 ir\u00e1 possibilitar viver objetivos que estavam guardados, como estudar, j\u00e1 que precisou trancar a faculdade por n\u00e3o conseguir conciliar com o trabalho. \u201cFalar sobre o fim da escala 6\u00d71 \u00e9 al\u00edvio, \u00e9 pensar que a gente tem uma nova chance de virar a chave para a melhoria da vida\u201d, diz.<\/p>\n<div class=\"post-image my-5 mx-auto mw-100\">\n            <picture><source media=\"(max-width: 799px)\" srcset=\"http:\/\/nosmulheresdaperiferia.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/WhatsApp-Image-2026-06-01-at-20.21.06.jpeg\"><source media=\"(min-width: 800px)\" srcset=\"http:\/\/nosmulheresdaperiferia.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/WhatsApp-Image-2026-06-01-at-20.21.06.jpeg\"><\/source><\/source><\/picture>\n<\/div>\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Se depender de uma parte do Congresso, n\u00e3o h\u00e1 descanso nenhum\u00a0<\/h3>\n<p>\u201c\u00c9 uma noite hist\u00f3rica, estamos em gl\u00f3ria. Amargamos essa derrota em todo mundo que desacreditou. \u00c9 uma vit\u00f3ria da classe trabalhadora brasileira, dos movimentos, de todo mundo que tomou as ruas e as redes\u201d, declarou a deputada federal Erika Hilton (Psol \u2013 SP) ao fim da vota\u00e7\u00e3o da PEC 221\/19 na C\u00e2mara dos Deputados no dia 27 de maio.<\/p>\n<p>A PEC 221\/19 foi aprovada em vota\u00e7\u00e3o em dois turnos na C\u00e2mara dos Deputados e ainda precisa passar por vota\u00e7\u00e3o no Senado Federal. O texto coloca um fim na escala 6\u00d71 ao definir que a jornada de trabalho passa a ser de no m\u00e1ximo 40 horas semanais em cinco dias, com dois dias de descanso.<\/p>\n<div class=\"box-explicacao d-flex flex-column flex-md-row\">\n<div class=\"texto\">\n<p>O texto define ainda que 60 dias ap\u00f3s a aprova\u00e7\u00e3o em definitivo da PEC, a jornada ser\u00e1 reduzida de 44 horas semanais para 42 horas, e a jornada 6\u00d71 ser\u00e1 extinta. J\u00e1 ap\u00f3s 12 meses em vigor, a jornada ser\u00e1 reduzida para 40 horas.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"explicacao align-self-start mt-4 mt-md-0 mx-5 mx-md-0\">\n<p>Proposta pelo deputado L\u00e9o Prates (Republicanos-BA), a PEC 221\/19\u00a0 se trata de um substitutivo para a PEC 8\/25, feita pela deputada Erika Hilton, com a previs\u00e3o de 36 horas de trabalho em uma escala 4\u00d73. E tamb\u00e9m para a proposta de Reginaldo Lopes (PT-MG), que definia 36 horas semanais ap\u00f3s um per\u00edodo de dez anos de transi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>Mas a proximidade do fim da escala 6\u00d71 vem sendo acompanhada de uma s\u00e9rie de obst\u00e1culos. No dia 14 de maio, parlamentares apresentaram uma emenda a fim de permitir jornadas semanais de at\u00e9 <a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2026\/05\/20\/emenda-do-centrao-e-da-direita-adia-fim-da-escala-6x1-e-preve-ate-52h-semanais\/\" target=\"_blank\" aria-label=\" (opens in a new tab)\" rel=\"noreferrer noopener\" class=\"ek-link\">52 horas<\/a>, a qual n\u00e3o foi aceita.\u00a0<\/p>\n<p>Em outro momento, durante Comiss\u00e3o Especial, partidos de oposi\u00e7\u00e3o e do centr\u00e3o defenderam uma transi\u00e7\u00e3o de <a href=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/politica\/noticia\/2026-05\/parecer-da-6x1-e-adiado-em-meio-pressao-para-transicao-de-10-anos\" target=\"_blank\" aria-label=\" (opens in a new tab)\" rel=\"noreferrer noopener\" class=\"ek-link\">10 anos para o fim da jornada<\/a>, com redu\u00e7\u00e3o do Fundo de Garantia do Tempo de Servi\u00e7o (FGTS) e exclus\u00e3o de categorias consideradas essenciais.<\/p>\n<p>J\u00e1 no dia 28 de maio, foi protocolada a PEC 12\/2026, do senador Rog\u00e9rio Marinho (PL-RN), que define um regime flex\u00edvel baseado em horas trabalhadas, sem defini\u00e7\u00e3o de quantidade de horas m\u00e1ximas de jornada ou de folgas semanais. Segundo parlamentares de <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/p\/DZBQDedmGB0\/?igsh=MW4zbm1oYnNvM2xqOQ%3D%3D&amp;img_index=1\" target=\"_blank\" aria-label=\" (opens in a new tab)\" rel=\"noreferrer noopener\" class=\"ek-link\">esquerda<\/a>, a proposta abre caminho para a escala 7\u00d70.\u00a0<\/p>\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Mulheres mobilizadas pelo fim da escala 6\u00d71<\/h3>\n<p>Antes que a pauta chegasse ao Congresso, houve grande clamor popular pelo fim da escala. Militantes organizados por todo o Brasil d\u00e3o vida ao Movimento VAT. Entre essas pessoas est\u00e1 Ita Luz, operadora de call center, coordenadora do VAT Bahia e estudante de Ci\u00eancias Sociais.<\/p>\n<p>\u201cA maioria das pessoas que est\u00e3o nessa escala se encontra em cargos com baixos sal\u00e1rios, em caixas de supermercado, telemarketing, shopping, com\u00e9rcio, que s\u00e3o empregos com carga hor\u00e1ria extenuante\u201d, diz. E acrescenta: \u201cquando analisamos a situa\u00e7\u00e3o das mulheres, que al\u00e9m de trabalhar fora, s\u00e3o respons\u00e1veis pelo cuidado da fam\u00edlia e da casa, a carga de trabalho \u00e9 tripla\u201d.<\/p>\n<p>No setor de com\u00e9rcio, por exemplo, as mulheres representaram 50% das admiss\u00f5es em 2025, segundo a FecomercioSP. J\u00e1 na \u00e1rea de servi\u00e7os, elas somaram 54% nas admiss\u00f5es.<\/p>\n<p>Para as mulheres negras, o peso \u00e9 ainda maior: elas s\u00e3o respons\u00e1veis por 44% do trabalho de cuidado n\u00e3o remunerado, apesar de serem 24% da popula\u00e7\u00e3o, conforme aponta o estudo \u201cTrabalho invisibilizado do cuidado no Brasil: desigualdades de g\u00eanero, ra\u00e7a e escolaridade ao longo do curso da vida\u201d.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/agenciadenoticias.ibge.gov.br\/agencia-noticias\/2012-agencia-de-noticias\/noticias\/37621-em-2022-mulheres-dedicaram-9-6-horas-por-semana-a-mais-do-que-os-homens-aos-afazeres-domesticos-ou-ao-cuidado-de-pessoas\" target=\"_blank\" aria-label=\" (opens in a new tab)\" rel=\"noreferrer noopener\" class=\"ek-link\">Dados<\/a> do Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE) estimam que mulheres dedicam em m\u00e9dia 21,3 horas semanais aos afazeres dom\u00e9sticos, o que representa 9,6 horas a mais que os homens.\u00a0<\/p>\n<p>Ita come\u00e7ou a trabalhar em um call center, na escala 6\u00d71, em home office. Seu objetivo era adquirir independ\u00eancia financeira para morar sozinha e conseguir conciliar os estudos com o trabalho. Mas, na pr\u00e1tica, desenvolveu burnout.<\/p>\n<p>\u201cO trabalho era t\u00e3o estressante, t\u00e3o desgastante que mesmo conseguindo me sustentar, eu n\u00e3o conseguia conciliar os estudos. Ent\u00e3o, eu me contentei em ser uma aluna mediana\u201d, relata.<\/p>\n<div class=\"post-image my-5 mx-auto mw-100\">\n            <picture><source media=\"(max-width: 799px)\" srcset=\"http:\/\/nosmulheresdaperiferia.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/WhatsApp_Image_2026-06-01_at_20.20.17.jpeg\"><source media=\"(min-width: 800px)\" srcset=\"http:\/\/nosmulheresdaperiferia.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/WhatsApp_Image_2026-06-01_at_20.20.17.jpeg\"><\/source><\/source><\/picture>\n<\/div>\n<p>Eduarda Jankauskas, bi\u00f3loga, coordenadora do VAT Paran\u00e1 e do VAT Mulheres, tamb\u00e9m j\u00e1 viveu a realidade de folgar apenas uma vez por semana. Mesmo com forma\u00e7\u00e3o em Biologia, teve dificuldade para conseguir emprego na \u00e1rea, o que atribui ao fato de ser uma mulher travesti. Por isso, trabalhou durante um tempo em uma loja de fast food.<\/p>\n<p>\u201cEra muito frustrante, porque eu vi pessoas passando mal. Trabalhavamos oito horas por dia e ganhavamos como refei\u00e7\u00e3o o direito a um combo de lanche, batata e refrigerante\u201d, diz.<\/p>\n<p>Na \u00e9poca, Eduarda chegou a reivindicar o pagamento de um vale refei\u00e7\u00e3o, que foi concedido. Para ela, isso \u00e9 um exemplo de como os trabalhadores precisam se organizar para garantirem seus direitos.<\/p>\n<div class=\"post-image my-5 mx-auto mw-100\">\n            <picture><source media=\"(max-width: 799px)\" srcset=\"http:\/\/nosmulheresdaperiferia.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/WhatsApp_Image_2026-06-01_at_20.19.19-1024x1024.jpeg\"><source media=\"(min-width: 800px)\" srcset=\"http:\/\/nosmulheresdaperiferia.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/WhatsApp_Image_2026-06-01_at_20.19.19-1024x1024.jpeg\"><\/source><\/source><\/picture>\n<\/div>\n<p>\u201cO Movimento VAT \u00e9 uma constru\u00e7\u00e3o a partir das dores das pessoas que realmente comandam esse pa\u00eds. S\u00f3 que essas pessoas n\u00e3o t\u00eam tempo nem para levantar a sua luta, porque est\u00e3o trabalhando, dando seu suor para o patr\u00e3o ficar cada vez mais rico\u201d, pontua.<\/p>\n<blockquote class=\"\">\n<p>O Movimento VAT \u00e9 uma constru\u00e7\u00e3o a partir das dores das pessoas que realmente comandam esse pa\u00eds. S\u00f3 que essas pessoas n\u00e3o t\u00eam tempo nem para levantar a sua luta, porque est\u00e3o trabalhando<\/p>\n<p class=\"assina m-0\">Eduarda Jankauskas<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>Apesar da possibilidade da conquista da escala 5\u00d72, Ita e Eduarda salientam que o movimento continuar\u00e1 lutando pela escala 4\u00d73, ou seja, quatro dias trabalhados e tr\u00eas de folga. Dessa forma, segundo elas, a popula\u00e7\u00e3o ter\u00e1 melhor qualidade de vida.<\/p>\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Dados mostram benef\u00edcios do fim da jornada\u00a0<\/h3>\n<p>Marilene Teixeira, professora e pesquisadora do Instituto de Economia da UNICAMP e integrante do CESIT (Centro de Estudos Sindicais e de Economia do Trabalho), tem se dedicado a estudar os impactos econ\u00f4micos do fim da escala 6\u00d71.<\/p>\n<p>No \u201c<a href=\"https:\/\/pesquisa.ie.unicamp.br\/centros-e-nucleos\/cesit\/dossie-fim-da-escala-6x1\/\" target=\"_blank\" aria-label=\" (opens in a new tab)\" rel=\"noreferrer noopener\" class=\"ek-link\">Dossi\u00ea 6\u00d71<\/a>\u201d, ela e outros pesquisadores evidenciam que essa escala est\u00e1 focada em setores de baixa remunera\u00e7\u00e3o e alta rotatividade, como com\u00e9rcio, servi\u00e7os, teleatendimento, limpeza e parte da ind\u00fastria.\u00a0<\/p>\n<p>\u201cIdentificamos a presen\u00e7a de mais de 20 milh\u00f5es de pessoas que trabalham acima das 44 horas semanais [o que n\u00e3o significa necessariamente que est\u00e3o na escala 6\u00d71], entre as pessoas que se encontram no mercado de trabalho formal, em torno de 34% est\u00e3o submetidas \u00e0 escala 6\u00d71\u201d, afirma.<\/p>\n<p>Outro achado importante \u00e9 que h\u00e1 presen\u00e7a significativa de mulheres nessa jornada, principalmente em \u00e1reas de cuidado, atendimento e servi\u00e7os. \u201cIsso aprofunda desigualdades, porque essa jornada \u00e9 pouco compat\u00edvel com as responsabilidades dom\u00e9sticas e de cuidado, que seguem sendo desigualmente distribu\u00eddas\u201d.<\/p>\n<p>Sobre afirma\u00e7\u00f5es de entidades dos setores que mais utilizam a escala 6\u00d71 de que o fim dessa jornada geraria problemas na economia, ela contesta: \u201cmudan\u00e7as na organiza\u00e7\u00e3o da jornada de trabalho sempre foram acompanhadas de resist\u00eancia hist\u00f3rica e, ainda assim, foram fundamentais para ganhos sociais e econ\u00f4micos\u201d.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, a pesquisadora salienta que a redu\u00e7\u00e3o da jornada pode elevar a produtividade por hora e estimular a cria\u00e7\u00e3o de empregos. Soma-se a isso o fato de que, \u201ctrabalhadores com mais tempo livre e melhores condi\u00e7\u00f5es de vida tendem a dinamizar economias locais, ampliando a demanda por bens e servi\u00e7os.\u201d<\/p>\n<p>De acordo com o estudo, a imposi\u00e7\u00e3o da escala 5\u00d72 com 40 horas semanais poderia gerar cerca de 600 mil novos postos de trabalho. Em rela\u00e7\u00e3o ao impacto social, espera-se uma maior compatibiliza\u00e7\u00e3o entre trabalho remunerado e responsabilidades de cuidado, o que beneficia principalmente as mulheres.<\/p>\n<p>\u201cA reorganiza\u00e7\u00e3o do tempo de trabalho \u00e9 uma dimens\u00e3o central para avan\u00e7armos em dire\u00e7\u00e3o a uma sociedade mais justa e equilibrada\u201d, destaca a economista.<\/p>\n<p>Dessa forma, os dados, aliados aos relatos de trabalhadoras apontam para um \u00fanico caminho: a urg\u00eancia do fim da escala 6\u00d71. Como disse a entrevistada Ita Luz: \u201co ponto mais desumano dessa escala \u00e9 nos tirar o tempo de vida ao ponto de n\u00e3o conseguirmos pensar em outras alternativas de futuro\u201d.<\/p>\n<\/p><\/div>\n<p><script async src=\"\/\/www.instagram.com\/embed.js\"><\/script><br \/>\n<br \/><br \/>\n<br \/><a href=\"http:\/\/nosmulheresdaperiferia.com.br\/trabalhadoras-evidenciam-que-fim-da-escala-6x1-e-urgente\/\">Tribunal Bras\u00edlia <\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ludmila Souza acorda \u00e0s 11h. Duas horas depois, est\u00e1 em um shopping iniciando seu turno de trabalho numa loja de acess\u00f3rios. Fica l\u00e1 at\u00e9 \u00e0s 19h30. Volta para casa e dorme um pouco. 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