{"id":29329,"date":"2026-05-20T14:36:29","date_gmt":"2026-05-20T17:36:29","guid":{"rendered":"https:\/\/portaldrysousa.com.br\/?p=29329"},"modified":"2026-05-20T14:36:29","modified_gmt":"2026-05-20T17:36:29","slug":"por-que-a-maternidade-transforma-tanto-as-mulheres","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/portaldrysousa.com.br\/?p=29329","title":{"rendered":"por que a maternidade transforma tanto as mulheres"},"content":{"rendered":"\n<div>\n<p>\u201cQuanto tempo uma mulher leva para voltar a ser quem era antes da maternidade?\u201d. Nos \u00faltimos anos, pesquisas em psicologia, sa\u00fade mental, sociologia e neuroci\u00eancia come\u00e7aram a questionar a pr\u00f3pria ideia por tr\u00e1s dessa pergunta.<\/p>\n<p>Para muitas pesquisadoras, a experi\u00eancia de gestar n\u00e3o representa uma pausa tempor\u00e1ria da identidade, seguida de um retorno ao \u201cnormal\u201d. A maternidade muda o corpo, a rotina, as rela\u00e7\u00f5es, as emo\u00e7\u00f5es e at\u00e9 o c\u00e9rebro. <strong>Em vez de simplesmente voltar a ser quem era antes, muitas mulheres passam anos tentando entender quem se tornaram.<\/strong><\/p>\n<p>\u201cDepois que meu filho nasceu, parecia que eu tinha virado outra pessoa\u201d. Essa sensa\u00e7\u00e3o aparece em relatos de m\u00e3es no mundo inteiro. \u00c0s vezes vem acompanhada de esquecimento, cansa\u00e7o, choro f\u00e1cil, culpa, sensa\u00e7\u00e3o de invisibilidade ou da impress\u00e3o de que a mulher que existia antes da maternidade ficou distante.<\/p>\n<p><strong>Mas isso \u00e9 apenas uma sensa\u00e7\u00e3o subjetiva ou a maternidade realmente muda quem a gente \u00e9?<\/strong><\/p>\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Ningu\u00e9m \u201cvira m\u00e3e\u201d da noite para o dia<\/strong><\/h3>\n<p>No artigo <a href=\"https:\/\/revistatopicos.com.br\/artigos\/tornar-se-mae-a-construcao-da-identidade-materna-sob-a-perspectiva-da-psicologia-humanista\"><em>Tornar-se m\u00e3e: a constru\u00e7\u00e3o da identidade materna sob a perspectiva da psicologia humanista<\/em><\/a> (2026), pesquisadoras brasileiras defendem que a maternidade n\u00e3o muda apenas a rotina da mulher \u2014 ela muda a forma como ela passa a enxergar a si mesma.<\/p>\n<p>O estudo parte da ideia de que a identidade n\u00e3o \u00e9 algo fixo. Ao longo da vida, experi\u00eancias importantes v\u00e3o transformando a maneira como cada pessoa se percebe, se relaciona com os outros e entende seu lugar no mundo. E, segundo as autoras, poucas experi\u00eancias provocam mudan\u00e7as t\u00e3o profundas quanto a maternidade.<\/p>\n<p>Por isso, o artigo afirma que a maternidade reorganiza o \u201cself\u201d \u2014 termo usado na psicologia para falar da imagem interna que a pessoa constr\u00f3i sobre quem ela \u00e9. Na pr\u00e1tica, isso pode aparecer de muitas formas:<\/p>\n<div class=\"lista lista-bullets\">\n<h4 class=\"m-0 text-uppercase mb-3\"\/>\n<div class=\"d-flex flex-column lista__itens\">\n<div class=\"item d-flex cor-\">\n\t\t\t\t\t<i\/><\/p>\n<div class=\"texto\">\n<p style=\"text-align: left;\">mudan\u00e7as nas prioridades;<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"item d-flex cor-\">\n\t\t\t\t\t<i\/><\/p>\n<div class=\"texto\">\n<p style=\"text-align: left;\">sensa\u00e7\u00e3o de perda de autonomia;<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"item d-flex cor-\">\n\t\t\t\t\t<i\/><\/p>\n<div class=\"texto\">\n<p style=\"text-align: left;\">dificuldade de reconhecer o pr\u00f3prio corpo;<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"item d-flex cor-\">\n\t\t\t\t\t<i\/><\/p>\n<div class=\"texto\">\n<p style=\"text-align: left;\">altera\u00e7\u00f5es na autoestima;<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"item d-flex cor-\">\n\t\t\t\t\t<i\/><\/p>\n<div class=\"texto\">\n<p style=\"text-align: left;\">afastamento de antigas vers\u00f5es de si mesma;<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"item d-flex cor-\">\n\t\t\t\t\t<i\/><\/p>\n<div class=\"texto\">\n<p style=\"text-align: left;\">mudan\u00e7as nas amizades e nos relacionamentos;<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"item d-flex cor-\">\n\t\t\t\t\t<i\/><\/p>\n<div class=\"texto\">\n<p style=\"text-align: left;\">sensa\u00e7\u00e3o de culpa ao dedicar tempo para si;<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"item d-flex cor-\">\n\t\t\t\t\t<i\/><\/p>\n<div class=\"texto\">\n<p style=\"text-align: left;\">dificuldade de equilibrar maternidade e identidade individual.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>As pesquisadoras explicam que esse processo costuma vir acompanhado de sentimentos contradit\u00f3rios. Muitas mulheres relatam amor profundo pelos filhos, mas tamb\u00e9m cansa\u00e7o, medo, inseguran\u00e7a, tristeza e sensa\u00e7\u00e3o de sobrecarga \u2014 emo\u00e7\u00f5es que frequentemente entram em conflito com a expectativa social de que a maternidade deveria ser vivida apenas com felicidade.<\/p>\n<p>\u00c9 nesse contexto que o artigo recupera a frase do psiquiatra Daniel Stern: <\/p>\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>O nascimento de um beb\u00ea implica tamb\u00e9m o nascimento de uma m\u00e3e.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>Essa ideia aponta que a maternidade n\u00e3o surge pronta no parto. Assim como o beb\u00ea vai se desenvolvendo aos poucos, a mulher tamb\u00e9m vai aprendendo a ocupar esse novo lugar.<strong>E isso envolve uma esp\u00e9cie de reconstru\u00e7\u00e3o interna.<\/strong><\/p>\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Muitas m\u00e3es sentem que desapareceram<\/strong><\/h3>\n<p>Uma das sensa\u00e7\u00f5es mais recorrentes nos relatos \u00e9 a de perda da pr\u00f3pria identidade. No estudo <a href=\"https:\/\/www.scielo.br\/j\/cadbto\/a\/6rr4sv4MSDZjMk6Ft6JMNnh\/\"><em>O impacto da maternidade no cotidiano de mulheres com filhos de 0 a 4 anos<\/em><\/a> (2026), pesquisadoras da Universidade de S\u00e3o Paulo identificaram que muitas m\u00e3es deixam de fazer atividades importantes para si mesmas depois da chegada dos filhos.<\/p>\n<p>Entre elas:<\/p>\n<div class=\"lista lista-bullets\">\n<h4 class=\"m-0 text-uppercase mb-3\"\/>\n<div class=\"d-flex flex-column lista__itens\">\n<div class=\"item d-flex cor-\">\n\t\t\t\t\t<i\/><\/p>\n<div class=\"texto\">\n<p style=\"text-align: left;\">cuidar do pr\u00f3prio corpo;<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>As autoras explicam que isso acontece porque o cuidado com os filhos acaba ocupando quase todo o tempo f\u00edsico, mental e emocional das mulheres. Na pr\u00e1tica, <strong>muitas m\u00e3es deixam de existir como pessoas com desejos, interesses e necessidades pr\u00f3prias e passam a ser vistas apenas a partir do papel materno.<\/strong><\/p>\n<p>O estudo tamb\u00e9m chama aten\u00e7\u00e3o para a desigualdade na divis\u00e3o do cuidado dentro de casa. Mesmo quando trabalham fora, muitas mulheres continuam sendo as principais respons\u00e1veis pela rotina dos filhos, pela organiza\u00e7\u00e3o da casa e pelo trabalho emocional da fam\u00edlia.<\/p>\n<p>\u201cA press\u00e3o e as demandas associadas \u00e0 maternidade se refletem em uma limita\u00e7\u00e3o percept\u00edvel na participa\u00e7\u00e3o na vida cotidiana e no envolvimento em ocupa\u00e7\u00f5es significativas, levando as m\u00e3es a enfrentarem dificuldades para equilibrar suas responsabilidades e preservar sua qualidade de vida\u201d, apontam as pesquisadoras.<\/p>\n<p>A sensa\u00e7\u00e3o de invisibilidade tamb\u00e9m aparece na revis\u00e3o <a href=\"https:\/\/dspace.sti.ufcg.edu.br\/bitstream\/riufcg\/21661\/1\/CAROLINA%20ROCHA%20DE%20ALBUQUERQUE%20-%20TCC%20BACHARELADO%20EM%20%20ENFERMAGEM%20CES%202021.pdf\"><em>Invisibilidade da mulher no puerp\u00e9rio<\/em><\/a> (2021), da pesquisadora Carolina Rocha de Albuquerque. Segundo o estudo, <strong>existe uma tend\u00eancia social e at\u00e9 institucional de concentrar toda a aten\u00e7\u00e3o no rec\u00e9m-nascido, enquanto as necessidades f\u00edsicas e emocionais da m\u00e3e passam a ser tratadas como secund\u00e1rias<\/strong>.<\/p>\n<p>Isso aparece de v\u00e1rias formas:<\/p>\n<div class=\"lista lista-bullets\">\n<h4 class=\"m-0 text-uppercase mb-3\"\/>\n<div class=\"d-flex flex-column lista__itens\">\n<div class=\"item d-flex cor-\">\n\t\t\t\t\t<i\/><\/p>\n<div class=\"texto\">\n<p style=\"text-align: left;\">pouca escuta sobre o sofrimento emocional da mulher;<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"item d-flex cor-\">\n\t\t\t\t\t<i\/><\/p>\n<div class=\"texto\">\n<p style=\"text-align: left;\">banaliza\u00e7\u00e3o do cansa\u00e7o extremo;<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"item d-flex cor-\">\n\t\t\t\t\t<i\/><\/p>\n<div class=\"texto\">\n<p style=\"text-align: left;\">falta de aten\u00e7\u00e3o \u00e0 sa\u00fade mental;<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"item d-flex cor-\">\n\t\t\t\t\t<i\/><\/p>\n<div class=\"texto\">\n<p style=\"text-align: left;\">silenciamento sobre dor e desconforto f\u00edsico;<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"item d-flex cor-\">\n\t\t\t\t\t<i\/><\/p>\n<div class=\"texto\">\n<p style=\"text-align: left;\">aus\u00eancia de acolhimento para inseguran\u00e7as e medos;<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"item d-flex cor-\">\n\t\t\t\t\t<i\/><\/p>\n<div class=\"texto\">\n<p style=\"text-align: left;\">press\u00e3o para que a m\u00e3e esteja feliz o tempo todo.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>O estudo tamb\u00e9m chama aten\u00e7\u00e3o para a forma como o cuidado em sa\u00fade costuma se organizar no puerp\u00e9rio. \u201cPercebi tamb\u00e9m que ap\u00f3s o parto, a visita puerperal \u00e9 mais centrada no rec\u00e9m-nascido do que na pr\u00f3pria pu\u00e9rpera, deixando, muitas vezes, o cuidado e amparo \u00e0 mulher renegado. Logo percebi que existe uma invisibilidade feminina frente aos cuidados p\u00f3s-parto\u201d, destaca a autora.<\/p>\n<p>Isso acontece justamente em um per\u00edodo em que o corpo, os horm\u00f4nios e a sa\u00fade mental da mulher ainda est\u00e3o passando por mudan\u00e7as intensas \u2014 muitas delas muito al\u00e9m das primeiras semanas ap\u00f3s o parto.<\/p>\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>O p\u00f3s-parto \u00e9 mais longo do que se imagina<\/strong><\/h3>\n<p>Diversos estudos sobre p\u00f3s-parto mostram que a recupera\u00e7\u00e3o f\u00edsica, hormonal, emocional e mental acontece em ritmos diferentes para cada mulher. A pesquisa <a href=\"https:\/\/www.science.org\/doi\/10.1126\/sciadv.adr7922\"><em>Pregnancy and postpartum dynamics revealed by millions of lab tests<\/em><\/a> (\u201cDin\u00e2micas da gravidez e do p\u00f3s-parto reveladas por milh\u00f5es de exames laboratoriais\u201d, em tradu\u00e7\u00e3o livre), de 2025, por exemplo, analisou mais de 44 milh\u00f5es de exames laboratoriais de mais de 300 mil gesta\u00e7\u00f5es para investigar esse tema.<\/p>\n<p>Os pesquisadores identificaram que cerca de metade dos marcadores fisiol\u00f3gicos avaliados levavam entre tr\u00eas meses e um ano para retornar aos n\u00edveis anteriores \u00e0 gravidez. Isso inclui indicadores ligados:<\/p>\n<div class=\"lista lista-bullets\">\n<h4 class=\"m-0 text-uppercase mb-3\"\/>\n<div class=\"d-flex flex-column lista__itens\">\n<div class=\"item d-flex cor-\">\n\t\t\t\t\t<i\/><\/p>\n<div class=\"texto\">\n<p style=\"text-align: left;\">aos horm\u00f4nios, respons\u00e1veis por regular emo\u00e7\u00f5es, sono, amamenta\u00e7\u00e3o, libido e ciclos do corpo;<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"item d-flex cor-\">\n\t\t\t\t\t<i\/><\/p>\n<div class=\"texto\">\n<p style=\"text-align: left;\">ao metabolismo, relacionado \u00e0 energia, peso, fome e forma como o organismo usa nutrientes;<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"item d-flex cor-\">\n\t\t\t\t\t<i\/><\/p>\n<div class=\"texto\">\n<p style=\"text-align: left;\">ao sistema imunol\u00f3gico, que ajuda o corpo a se proteger de infec\u00e7\u00f5es e se recuperar fisicamente;<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"item d-flex cor-\">\n\t\t\t\t\t<i\/><\/p>\n<div class=\"texto\">\n<p style=\"text-align: left;\">ao funcionamento do f\u00edgado e dos rins, \u00f3rg\u00e3os importantes para filtrar subst\u00e2ncias, eliminar toxinas e equilibrar o organismo;<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"item d-flex cor-\">\n\t\t\t\t\t<i\/><\/p>\n<div class=\"texto\">\n<p style=\"text-align: left;\">aos n\u00edveis de nutrientes e inflama\u00e7\u00e3o no corpo, ligados \u00e0 recupera\u00e7\u00e3o f\u00edsica, cicatriza\u00e7\u00e3o, cansa\u00e7o, imunidade e bem-estar geral.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>O estudo tamb\u00e9m mostrou que <strong>as partes do organismo se recuperam em velocidades diferentes<\/strong>. Enquanto alguns par\u00e2metros voltavam ao normal em poucas semanas, outros continuavam alterados muitos meses depois do parto. Alguns ainda apresentavam mudan\u00e7as mesmo ap\u00f3s um ano.<\/p>\n<p>Assim, os pesquisadores argumentam que: \u201cAs partes do organismo se recuperam em velocidades diferentes: alguns par\u00e2metros voltavam ao normal em poucas semanas, outros permaneciam alterados muitos meses depois do parto, e alguns ainda apresentavam mudan\u00e7as mesmo ap\u00f3s um ano\u201d.<\/p>\n<p>Essa ideia tamb\u00e9m aparece no estudo <a href=\"https:\/\/pubmed.ncbi.nlm.nih.gov\/40945071\/\"><em>Assessment of recovery after childbirth<\/em><\/a>(\u201cAvalia\u00e7\u00e3o da recupera\u00e7\u00e3o ap\u00f3s o parto\u201d, em tradu\u00e7\u00e3o livre), de 2025. As autoras explicam que:<\/p>\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>\u201cA recupera\u00e7\u00e3o p\u00f3s-parto \u00e9 frequentemente subestimada e tradicionalmente focada na cicatriza\u00e7\u00e3o f\u00edsica, apesar das evid\u00eancias sugerirem que a recupera\u00e7\u00e3o abrange m\u00faltiplos dom\u00ednios e se estende muito al\u00e9m de seis semanas.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>Para investigar isso, o estudo entrevistou 1.117 mulheres entre tr\u00eas e seis meses ap\u00f3s o parto e analisou quatro dimens\u00f5es da recupera\u00e7\u00e3o: f\u00edsica, mental, sexual e retomada das atividades cotidianas. Os resultados chamaram aten\u00e7\u00e3o porque <strong>apenas 42,5% das mulheres entrevistadas disseram se sentir totalmente recuperadas entre tr\u00eas e seis meses ap\u00f3s o parto.<\/strong><\/p>\n<p>A pesquisa tamb\u00e9m concluiu que cada parte da recupera\u00e7\u00e3o acontece em ritmos diferentes. Algumas mulheres conseguiam voltar relativamente r\u00e1pido \u00e0s atividades do dia a dia, mas continuavam emocionalmente exaustas. Outras se sentiam melhor mentalmente, mas ainda enfrentavam dores f\u00edsicas, dificuldades sexuais ou sensa\u00e7\u00e3o constante de cansa\u00e7o.<\/p>\n<p>Segundo as autoras, isso ajuda a desmontar a ideia de que existe um \u201cprazo padr\u00e3o\u201d para a recupera\u00e7\u00e3o materna. O p\u00f3s-parto n\u00e3o acontece de forma linear e nem igual para todas as mulheres. Experi\u00eancias negativas no parto, priva\u00e7\u00e3o de sono, dor persistente e sintomas depressivos apareceram associados a recupera\u00e7\u00f5es mais lentas.<\/p>\n<p>Para elas, os resultados demonstram que <strong>o p\u00f3s-parto precisa ser entendido de maneira mais ampla, considerando n\u00e3o apenas a cicatriza\u00e7\u00e3o do corpo, mas tamb\u00e9m o bem-estar emocional, mental, social e sexual das mulheres<\/strong>.<\/p>\n<p>Nos \u00faltimos anos, pesquisas em neuroci\u00eancia come\u00e7aram a refor\u00e7ar essa ideia ao mostrar que a maternidade n\u00e3o transforma apenas a rotina ou as emo\u00e7\u00f5es. Ela tamb\u00e9m provoca mudan\u00e7as concretas no c\u00e9rebro feminino.<\/p>\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>O c\u00e9rebro da m\u00e3e realmente muda<\/strong><\/h3>\n<p>Na revis\u00e3o <a href=\"https:\/\/acervomais.com.br\/index.php\/cientifico\/article\/view\/20780\"><em>Mudan\u00e7as e altera\u00e7\u00f5es no c\u00e9rebro feminino na gravidez e no p\u00f3s-parto<\/em><\/a> (2025), pesquisadoras reuniram estudos sobre as transforma\u00e7\u00f5es cerebrais vividas por mulheres durante a gesta\u00e7\u00e3o e o p\u00f3s-parto. Segundo o texto, a maternidade provoca mudan\u00e7as reais em \u00e1reas do c\u00e9rebro ligadas:<\/p>\n<div class=\"lista lista-bullets\">\n<h4 class=\"m-0 text-uppercase mb-3\"\/>\n<div class=\"d-flex flex-column lista__itens\">\n<div class=\"item d-flex cor-\">\n\t\t\t\t\t<i\/><\/p>\n<div class=\"texto\">\n<p style=\"text-align: left;\">\u00e0 capacidade de responder ao cuidado.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>As autoras explicam que essas mudan\u00e7as acontecem por causa da intensa a\u00e7\u00e3o hormonal durante a gravidez e o p\u00f3s-parto. Horm\u00f4nios como ocitocina, estrog\u00eanio, progesterona e prolactina ajudam a reorganizar circuitos cerebrais ligados ao comportamento materno e \u00e0 regula\u00e7\u00e3o emocional.<\/p>\n<p>O estudo aponta altera\u00e7\u00f5es em regi\u00f5es como:<\/p>\n<div class=\"lista lista-bullets\">\n<h4 class=\"m-0 text-uppercase mb-3\"\/>\n<div class=\"d-flex flex-column lista__itens\">\n<div class=\"item d-flex cor-\">\n\t\t\t\t\t<i\/><\/p>\n<div class=\"texto\">\n<p style=\"text-align: left;\">o c\u00f3rtex pr\u00e9-frontal, ligado \u00e0 tomada de decis\u00f5es e ao controle emocional;<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"item d-flex cor-\">\n\t\t\t\t\t<i\/><\/p>\n<div class=\"texto\">\n<p style=\"text-align: left;\">a am\u00edgdala, relacionada \u00e0s emo\u00e7\u00f5es e \u00e0 percep\u00e7\u00e3o de amea\u00e7as;<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"item d-flex cor-\">\n\t\t\t\t\t<i\/><\/p>\n<div class=\"texto\">\n<p style=\"text-align: left;\">o hipocampo, importante para mem\u00f3ria e processamento emocional.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>\u201cPode-se considerar que a maternidade promove uma reorganiza\u00e7\u00e3o cerebral significativa, a qual pode influenciar positivamente o comportamento materno e o desenvolvimento infantil, evidenciando a import\u00e2ncia do suporte \u00e0 sa\u00fade mental perinatal\u201d, enfatizam.<\/p>\n<p><strong>A revis\u00e3o tamb\u00e9m mostra que algumas altera\u00e7\u00f5es cerebrais podem permanecer por bastante tempo ap\u00f3s o parto.<\/strong> Estudos citados pelas autoras identificaram <strong>mudan\u00e7as que ainda estavam presentes at\u00e9 dois anos depois da gravidez<\/strong>.<\/p>\n<p>As pesquisadoras explicam que essas transforma\u00e7\u00f5es fazem parte da chamada neuroplasticidade \u2014 capacidade do c\u00e9rebro de se adaptar a novas experi\u00eancias e demandas da vida. Mas o estudo alerta que <strong>essa reorganiza\u00e7\u00e3o intensa tamb\u00e9m pode aumentar a vulnerabilidade emocional das mulheres, especialmente em contextos de sobrecarga, priva\u00e7\u00e3o de sono, estresse e falta de apoio.<\/strong><\/p>\n<p>Al\u00e9m disso,a mesma plasticidade cerebral que ajuda na constru\u00e7\u00e3o do v\u00ednculo com o beb\u00ea tamb\u00e9m pode estar relacionada ao aumento de quadros de ansiedade e depress\u00e3o p\u00f3s-parto em algumas mulheres.Essas descobertas ajudam a refor\u00e7ar uma ideia que muitas m\u00e3es j\u00e1 conhecem na pr\u00e1tica: <strong>o p\u00f3s-parto n\u00e3o termina poucas semanas depois do nascimento do beb\u00ea<\/strong>. Para a ci\u00eancia, a recupera\u00e7\u00e3o da maternidade pode ser muito mais longa \u2014 e mais complexa \u2014 do que durante muito tempo se imaginou.<\/p>\n<\/p><\/div>\n<p><br \/>\n<br \/><a href=\"http:\/\/nosmulheresdaperiferia.com.br\/a-ciencia-do-pos-parto-por-que-a-maternidade-transforma-tanto-as-mulheres\/\">Tribunal Bras\u00edlia <\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cQuanto tempo uma mulher leva para voltar a ser quem era antes da maternidade?\u201d. Nos \u00faltimos anos, pesquisas em psicologia, sa\u00fade mental, sociologia e neuroci\u00eancia come\u00e7aram a questionar a pr\u00f3pria ideia por tr\u00e1s dessa pergunta. Para muitas pesquisadoras, a experi\u00eancia de gestar n\u00e3o representa uma pausa tempor\u00e1ria da identidade, seguida de um retorno ao \u201cnormal\u201d. 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