{"id":29323,"date":"2026-05-20T14:16:06","date_gmt":"2026-05-20T17:16:06","guid":{"rendered":"https:\/\/portaldrysousa.com.br\/?p=29323"},"modified":"2026-05-20T14:16:06","modified_gmt":"2026-05-20T17:16:06","slug":"documentario-aqui-nao-entra-luz-traz-narrativas-de-trabalhadoras-que","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/portaldrysousa.com.br\/?p=29323","title":{"rendered":"Document\u00e1rio Aqui N\u00e3o Entra Luz traz narrativas de trabalhadoras que"},"content":{"rendered":"\n<div>\n<p>Entre as heran\u00e7as da escravid\u00e3o ainda v\u00edvidas no cotidiano atual, os \u201cquartinhos de empregada\u201d seguem como s\u00edmbolos do racismo escondido na arquitetura de casas brasileiras. Essa realidade motivou a cineasta Karol Maia a realizar o document\u00e1rio <strong>Aqui N\u00e3o Entra Luz<\/strong>, que registra hist\u00f3rias de mulheres que viveram por anos nesses espa\u00e7os.<\/p>\n<p>A obra re\u00fane mem\u00f3rias pessoais e pesquisa hist\u00f3rica. Karol \u00e9 filha de uma ex-trabalhadora dom\u00e9stica e se incluiu, junto \u00e0 sua m\u00e3e, como personagem para conduzir a narrativa. Al\u00e9m disso, a diretora ouviu dom\u00e9sticas que vivem no Rio de Janeiro, Minas Gerais, Maranh\u00e3o e Bahia, estados que est\u00e3o entre os que mais receberam m\u00e3o de obra escravizada no per\u00edodo colonial.<\/p>\n<p>Distribu\u00eddo pela Emba\u00faba Filmes e estreado no dia 7 de maio, <strong>Aqui N\u00e3o Entra Luz<\/strong> \u00e9 um retrato \u00edntimo e sens\u00edvel, ao mesmo tempo em que \u00e9 potente e reverberador de uma realidade que atravessa milhares de fam\u00edlias brasileiras.<\/p>\n<blockquote class=\"\">\n<p>Hoje entendo que o Aqui N\u00e3o Entra Luz estava em mim h\u00e1 muito tempo. Sou filha de uma ex-trabalhadora dom\u00e9stica, e, embora, minha m\u00e3e nunca tenha morado em um quarto de empregada, nem eu tenha vivido essa experi\u00eancia, esse trabalho atravessou a nossa vida. <\/p>\n<p class=\"assina m-0\">Karol Maia<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>\u201cMinha an\u00e1lise cr\u00edtica sobre ra\u00e7a, g\u00eanero e classe foi fundamental para a concep\u00e7\u00e3o do filme. O filme conta parte da hist\u00f3ria do Brasil tamb\u00e9m a partir da minha hist\u00f3ria com minha m\u00e3e\u201d, relata a diretora.<\/p>\n<p>Contar trajet\u00f3rias de trabalhadoras dom\u00e9sticas \u00e9 tamb\u00e9m abordar as desigualdades raciais que estruturam esse pa\u00eds. As mulheres representam 90% dessa for\u00e7a de trabalho, sendo 66% negras.<\/p>\n<p>Segundo <a href=\"https:\/\/www.gov.br\/mulheres\/pt-br\/central-de-conteudos\/noticias\/2025\/junho\/trabalhadoras-domesticas-sao-quase-6-milhoes-no-pais-e-64-5-delas-recebem-menos-do-que-um-salario-minimo\">estudo<\/a> encomendado pelo Minist\u00e9rio Desenvolvimento Social e Combate \u00e0 Fome, apesar das dom\u00e9sticas serem a principal categoria da for\u00e7a de trabalho remunerada de cuidados no Brasil, 64,5% delas recebem menos que um sal\u00e1rio m\u00ednimo.<\/p>\n<div class=\"nos-galeria position-relative my-5\">\n<div class=\"d-flex\">\n<div class=\"gal-ajuste mt-3 mt-md-0\">\n<p class=\"titulo m-0 text-uppercase mb-2\">GALERIA <span class=\"here\">1<\/span>\/5<\/p>\n<div class=\"nos-galeria__slider\">\n<div class=\"slide\">\n<div class=\"text-center\">\n                                <picture><\/picture>\n                            <\/div>\n<div class=\"legenda-credito mt-2\">\n<p class=\"m-0\">\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<span>\u00a9 Reprodu\u00e7\u00e3o Document\u00e1rio<\/span>                                    <\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"slide\">\n<div class=\"text-center\">\n                                <picture><\/picture>\n                            <\/div>\n<div class=\"legenda-credito mt-2\">\n<p class=\"m-0\">\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<span>\u00a9 Reprodu\u00e7\u00e3o Document\u00e1rio<\/span>                                    <\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"slide\">\n<div class=\"text-center\">\n                                <picture><\/picture>\n                            <\/div>\n<div class=\"legenda-credito mt-2\">\n<p class=\"m-0\">\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<span>\u00a9 Reprodu\u00e7\u00e3o Document\u00e1rio<\/span>                                    <\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"slide\">\n<div class=\"text-center\">\n                                <picture><\/picture>\n                            <\/div>\n<div class=\"legenda-credito mt-2\">\n<p class=\"m-0\">\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<span>\u00a9 Reprodu\u00e7\u00e3o Document\u00e1rio<\/span>                                    <\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"slide\">\n<div class=\"text-center\">\n                                <picture><\/picture>\n                            <\/div>\n<div class=\"legenda-credito mt-2\">\n<p class=\"m-0\">\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<span>\u00a9 Reprodu\u00e7\u00e3o Document\u00e1rio<\/span>                                    <\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>Karol conta que a pesquisa do filme foi extensa, com coordena\u00e7\u00e3o de Suzane Jardim e colabora\u00e7\u00e3o de Isabella Santos na pesquisa de personagens. \u201cInvestigamos como a arquitetura revela din\u00e2micas de explora\u00e7\u00e3o colonial, escravocrata e econ\u00f4mica do Brasil. Do per\u00edodo colonial ao Brasil moderno, mapeamos formas de habitar e de organizar os espa\u00e7os. Queremos, inclusive, lan\u00e7ar um livro com essa pesquisa\u201d.<\/p>\n<p><strong>As protagonistas do filme<\/strong><\/p>\n<p>O longa conta a trajet\u00f3ria das seguintes trabalhadoras: Miriam Mendes, Cristiane Graciano, Marcelina Martins, Maria do Ros\u00e1rio Rodrigues de Jesus e Matildes Santos Pereira. As conversas ocorreram nos lares das entrevistadas. \u201cO que eu buscava era construir uma rela\u00e7\u00e3o de confian\u00e7a e proximidade com essas mulheres, e isso s\u00f3 poderia acontecer nas casas delas, nos espa\u00e7os onde se sentiam seguras\u201d, explica Karol.<\/p>\n<p>A constru\u00e7\u00e3o da rela\u00e7\u00e3o com as personagens partiu da honestidade. Antes de cada entrevista, a diretora contava sobre o projeto e o porqu\u00ea de querer fazer o filme. <\/p>\n<div class=\"wp-block-media-text is-stacked-on-mobile\">\n<figure class=\"wp-block-media-text__media\"><\/figure>\n<div class=\"wp-block-media-text__content\">\n<p>\u201cAo longo desse processo, eu tamb\u00e9m me colocava no lugar de filha. Isso acabou trazendo um tom mais \u00edntimo e descontra\u00eddo para as conversas. Embora eu fosse a diretora, havia momentos em que eu me aproximava delas como algu\u00e9m que tamb\u00e9m estava em busca de algo quase como se procurasse a minha m\u00e3e em cada uma daquelas mulheres\u201d.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>Essa rela\u00e7\u00e3o permitiu com que as trabalhadoras relatassem situa\u00e7\u00f5es delicadas, emocionantes e violentas que viveram trabalhando em \u201ccasas de fam\u00edlia\u201d. Mas a narrativa n\u00e3o se resume a isso: as mulheres contam sobre sonhos, maternidade e perseveran\u00e7a em continuar insistindo em viver com dignidade.<\/p>\n<p>O filme foi premiado no Festival de Bras\u00edlia de 2025 com os trof\u00e9us de Melhor Dire\u00e7\u00e3o e Melhor Filme pelo Pr\u00eamio Z\u00f3zimo Bulbul (APAN). Segundo Karol, a passagem por festivais permite o contato com o p\u00fablico e suas impress\u00f5es acerca da obra. \u201c\u00c9 entender como o filme chega nas pessoas, como elas reagem a ele, se levam o filme pra casa e se continuam conversando a partir dele. Essa parte do processo tamb\u00e9m \u00e9 muito gratificante\u201d.<\/p>\n<\/p><\/div>\n<p><br \/>\n<br \/><a href=\"http:\/\/nosmulheresdaperiferia.com.br\/documentario-aqui-nao-entra-luz-traz-narrativas-de-trabalhadoras-que-viveram-em-quarto-de-empregada\/\">Tribunal Bras\u00edlia <\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Entre as heran\u00e7as da escravid\u00e3o ainda v\u00edvidas no cotidiano atual, os \u201cquartinhos de empregada\u201d seguem como s\u00edmbolos do racismo escondido na arquitetura de casas brasileiras. Essa realidade motivou a cineasta Karol Maia a realizar o document\u00e1rio Aqui N\u00e3o Entra Luz, que registra hist\u00f3rias de mulheres que viveram por anos nesses espa\u00e7os. A obra re\u00fane mem\u00f3rias [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":29324,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-29323","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-news"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/portaldrysousa.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/29323","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/portaldrysousa.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/portaldrysousa.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/portaldrysousa.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/portaldrysousa.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=29323"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/portaldrysousa.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/29323\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/portaldrysousa.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/29324"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/portaldrysousa.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=29323"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/portaldrysousa.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=29323"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/portaldrysousa.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=29323"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}